Minha opinião NÃO é nada imparcial. Ela é totalmente parcial, quase como se eu fosse um dos produtores defendendo o seu filho querido. Sou praticamente o Shayamalan defendendo o gore de 2010, só que diferente do gore de 2010, essa adaptação live action de Avatar é um espetáculo épico.
Para começar, Avatar faz o impossível de maneira muito criativa e inteligente. Adapta uma série com mais de 20 capítulos em apenas 8. Isso poderia ser a receita para o desastre, afinal, Avatar é uma série sobre filosofia, mitologia, tudo muito complexo, e que se um detalhe é deixado de ser passado, quando ele retorna no futuro se torna um problema.
Diferente da animação, temos questões que aqui são até adiantadas, justamente por quê a obra original já existe e é concreta, portanto adiantar assuntos para criar uma narrativa futura fica muito válido e funcional, como é caso do relacionamento entre Suki e Sokka, ou até Azula e suas parceiras.
Eu faria diferente no caso de Azula, Ty Lee e Mai, afinal, elas apareceram nessa temporada de uma maneira super gratuita e mal desenvolvida. A Mai até faria sentido, mas esperava que a Ty Lee tivesse aquela questão de se afastar de tudo e a Azula ter que buscar ela quando iniciasse sua jornada para caçar o avatar.
Certo, mas estou adiantando, vamos por partes. Mas já adiantando algo, este artigo será grande muito detalhado, cheio de spoilers (???) e teorias a respeito de mudanças da série. Esteja pronto!
Para mim (e já vi que pessoas acharam ruim), essa mudança de trazer os acontecimentos de flashback ou até mesmo cenas que não acontecem na animação, para a live action, é um ponto muito positivo. Tendo em vista que a Netflix quer fazer com essa série, uma espécie de "game of thrones" sua, eles querem expandir o universo, colocar narrativas paralelas, e acho que show don't tell é a sua estratégia mais sábia. Assim como vemos a batalha dos incríveis e muito poderosos mestres do ar contra os guerreiros do fogo, temos o desenvolvimento doentio de Azula por seu pai, o senhor do fogo.
E aliás, podemos falar do personagem mais bem desenvolvido da série, Príncipe Zuko.
Como a série está tentando ao máximo nessa primeira temporada, estabelecer essa relação do Zuko com o Aang e com os seus familiares, sua personalidade é a mais desenvolvida. E o ator é com certeza o maior acerto de todos. Dallas Liu passa uma raiva, mas que constantemente transmite uma insegurança no olhar, como se com essa raiva ele quisesse provar algo, como se estar com raiva fosse dever dele. Olhando nos olhos do ator você percebe que ele é a escolha perfeita para o papel, afinal se só estivesse com um personagem antagonista, ele teria esse olhar cínico e maldoso que o senhor do fogo e azula têm, mas não, ele tem um fundo de insegurança em cada uma de suas falas, pois ele não é essa pessoa que seu pai quer que ele seja. Como enaltecer a performance de Dallas Liu como Zuko? Ele é simplesmente, absolutamente o patrão da série.
Talvez um furo no roteiro desta temporada tenha sido aquela caçadora (esqueci o nome dela agora) com o lagarto rastreador, encontrar o Aang sendo que APARENTEMENTE, pelo que eu entendi, ela seguia o cheiro do pelo do Appa, e o Aang foi até a ilha meia lua sozinho, voando com o planador. Mas eu vou relevar, até por quê eu posso ter entendido tudo errado.
Ainda no arco de desenvolvimento do Zuko, temos uma cena emocionante, acompanhada da mais perfeita e emocionante trilha sonora de todos os tempos, o funeral do filho do tio Iroh. Eu chorei, igual como sempre choro no desenho, e fiquei feliz de ver essa cena aqui nessa temporada. É importante para entendermos os motivos do tio Iroh ser tão apegado ao Zuko, e por quê ele acredita no Zuko quando ninguém mais. Além disso, todo o fato inédito do esquadrão que o Zuko salva e se torna sua tripulação é a cereja do bolo no arco do PATRÃO DA SÉRIE.
Mudando de assunto. Gosto de algumas cenas que temos na série onde Aang volta ao seu lado infantil, um lado que justamente causa a fuga dele do templo do ar, e sua prisão no iceberg. Na série a sensação é de que ele não estava fugindo, mas estava saindo para passar um tempo em algum lugar, diferente da animação, mas isso não diminui o fato de que ele não queria ser o Avatar justamente por gostar de ser criança, de ter os amigos deles. E amizade é algo que nessa série é muito importante, tem todo um discurso emocionante do monge Gyatso, onde admito que chorei logo no início da série. E aqui nessa cena onde o Aang corre ansioso para brincar com as crianças da tribo da água, mas é repreendido, me retorna ao seu desejo de só querer brincar e como ele é inocente e não entende o cenário do mundo atual, e que 100 anos se passaram.
Eu não quero me estender tanto, poderia falar sobre cada detalhe da série, mas vou só desenvolver mais três pontos importantes e finalizar o que tenho a dizer.
Primeiro, os episódios 3 e 4 são os piores. Infelizmente eles quiseram juntar vários personagens em um mesmo enredo e isso os deixou abarrotados de informação, confusos, pouco lineares e minimizou os pontos que deveriam ser importantes. Mas eu gostei da cena da caverna de Oma e Shu, é uma boa adaptação, foi um fanservice super delicioso e divertido e quebrou um pouco a seriedade da série.
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| O Sokka olhando pra Katara dizer que as toupeiras-texugo sente cheiro dos sentimentos |
Agora vou falar sobre como a Avatar Kyoshi é simplesmente a patroa, a dona da porra toda. Na verdade não temos muito o que falar, apenas a sentir. Esse segundo episódio é com certeza o melhor de todos, ou se não, ta pau a pau com o primeiro, por quê esse gás que o segundo episódio dá para a energia que a série quer ter é absurdo. Isso deixa a gente ansioso para ver as cenas finais da luta de Ozai e Aang lá na última temporada. Kyoshi deve retornar em outras temporadas e eu mal posso esperar para ver essa gigantesca mulher de 2 metros pisando em machos.
A caracterização das guerreiras Kyoshi é absurda, e amo todo esse vibrante que a série traz. Por um lado temos a extravagância do visual tradicional das guerreiras Kyoshi, por outro temos elementos como a cor da estátua da Avatar Kyoshi sendo retirada (o que até acho válido), e todo o cenário da ilha, meio mórbido, triste, cinzento. É um equilíbrio perfeito, que sinto que representa a Kyoshi, ela é uma figura muito emblemática, mas ainda sim é bruta como uma pedra, cinzenta como uma pedra, áspera como uma pedra.
E para finalizar quero falar do arco de desenvolvimento da Katara e minhas expectativas para a próxima temporada e o destino do Aang.
A Katara e o Aang juntos, como equipe, trazem a maior e mais impactante mudança na série para o seu futuro, a dominação de água, além de sua relação. Todos sabem que no futuro eles devem formar um casal e isso é absolutamente inevitável, principalmente se desejam continuar depois com a lenda de Korra, mas a grande questão é que nessa temporada o Aang não tem um crush na Katara, o que até acho válido, mas que nos leva ao outro ponto. A dominação de água.
Como pudemos ver, Aang em momento algum aprende a dominação de água. Isso por quê uma mudança grande acontece, onde eles parte para a tribo da água do norte diante de uma visão de destruição que Kyoshi dá ao Aang, uma destruição que ele deve evitar. No desenho o objetivo do Aang é partir para o norte em busca de aperfeiçoar a dobra de água que vem aprendendo com Katara, pois o cometa de Sozin está voltando e o Senhor do Fogo vai usar para por um fim à guerra e ao Avatar.
Aang não parecer ter a pressa de aprender a dominação de água, diferente da Katara, que vem se aperfeiçoando sozinha (tenho teorias acerca disso, digo logo mais), e a questão do cometa parece ter virado pauta para a próxima temporada, visto que temos uma cena final do senhor do fogo estudando sua aproximação para desenvolver estratégias de guerra que possam abusar do poder que o cometa fornece aos dobradores de fogo.
Seria então uma questão de termos QUATRO temporadas? Essa temporada foi bastante focada no Aang utilizando sua dobra de ar, e em ponto algum poderíamos chamar ela de "Livro 1: Água" pois ele não aprende a dobrar. ENTÃO ISSO SIGNIFICA... SEM TOPH NA SEGUNDO TEMPORADA????
É desesperador pensar que teremos que esperar... sei lá, 4 anos para ver Toph, a patroa, aparecer nesta série. E sendo a próxima temporada focada em Aang aprendendo a dobra de água, quais outros enredos eles adaptariam? Afinal, ele aprende essa dobra durante sua jornada ao Norte.
Todo o desenvolvimento de Katara nessa temporada é feito em cima de sua natural habilidade para dominação da água, que só precisava de pequenos incentivos, pequenas dicas que Aang e Jato forneceram, para que ela deslanchasse de vez na dominação. Então posso supor que na próxima temporada Katara deve ser a mestra de Aang, e podemos ver um desenvolvimento de um crush, por parte do Aang, na Katara.
E meu Deus, ela serviu um "O SENHOR NÃO ME DIRRUBA" e eu não poderia ter ficado mais satisfeito. Admitam, É A PATROA. E essa cena serve CGI incrível, bem como todas as cenas, o que é impressionante, já que a o meu ver, CGI de água é sempre um ponto delicado.
Mas, sobre a expertise da Katara, naturalmente aperfeiçoado, formulei uma teoria dos motivos para isso e que possa justificar na série ela ter tido um desenvolvimento de poder tão absurdo. Fora a força de vontade da gata, levo em consideração as leis do universo de avatar, onde o equilíbrio é crucial. Então sendo a Katara a única dominadora de água da tribo do sul, acho válido que, por uma questão de equilíbrio, ela tem um poder tão impressionante quanto o do maior dobrador da tribo do norte.
De certa forma, esse desenvolvimento de poder da Katara torna-se justificado de qualquer maneira em sua jornada, visto que ela só cresce em se desempenho, como já sabemos, e até aprende a famigerada dobra de sangue no final da série.Enfim, para finalizar vou enaltecer o CGI que só peca na mais simples que seria as cenas nas costas do Appa, onde o fundo verde é MUITO EVIDENTE, e eu tô tipo me perguntando COMO ELES CONSEGUIRAM ERRAR NISSO??? KKKKK chega a ser engraçado, quase como se eles quisessem falar "vai critiquem algo aí". Fizeram magia ao transformar 20 eps em 8 e de maneira consistente e mantendo os principais arcos. Acho que elenco, figurino, CGI, cenários, arte, fotografia, DIREÇÃO (em maiúsculo para enaltecer algo que em Percy Jackson é medíocre), eles fizeram o melhor que podiam e muito mais e eu só tenho a agradecer.
Já assisti duas vezes e não tem nem uma semana que lançou, e juro, vou ver uma terceira agora. Espero a renovação para todas as outras temporadas. Deus queira que sim, mas se não, pelo menos temos essa experiência inesquecível de como fazer um grande live action.
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