quarta-feira, 24 de junho de 2026

Mentiras que Contamos



Eu li este livro já tem um bom tempo. Pra falar a verdade não me recordo exatamente se foi em 2024 ou 2025, mas hoje, em 2026 eu assisti ao filme que adapta - ou tenta - a história do livro, Lie With Me (2022).

Devo admitir que eu chorei, na verdade isso não é exatamente mérito do filme, eu choro muito facilmente mesmo, mas em especial, chorei por que o filme me lembrava o livro, que é muito mais impactante e emocionante. Eu na verdade acho que este filme corta 50% de toda a emoção que essa história pode proporcionar ao longo dela e no final, por algumas escolhas horríveis, que a mim, na verdade, me parecem ter sido feitas como uma tentativa de fazer uma história baseada na do livro, ao invés de adaptar concretamente o livro.

Na totalidade das coisas, o livro é adaptado nesse filme, porém, a escolha de focar tanto tempo em cenas absolutamente inúteis mostrando a versão velha do protagonista, é o que mata esse filme.

Para essa história te pegar com jeito mesmo (ela vai pegar de qualquer forma) você precisa de um vínculo especial com os personagens, precisa entender a construção de um romance. Na conclusão do filme, a carta final cita coisas que simplesmente não vimos construídas em tela, pois o filme perde tempo mostrando o velho indo pra lá e pra cá, ao invés de focar no dia a dia de sua versão mais jovem, apaixonada, perdidamente, e confusa por não saber o que fazer diante de um par romântico que não expressa os sentimentos. Então como o filme decide não desenvolver essa relação e os detalhes, e a intensidade dela, fica parecendo, o que realmente é retratado pelo filme, flashs vagos de memórias específicas, sendo que no livro, isso é grande parte da narrativa.

A escolha do filme parece ser em focar em desenvolver o filho do Thomas, e como vai rolar essa revelação dele para o protagonista (que eu me recuso a escreve aquele nome complicado, mas saibam que ele é basicamente o Philippe Besson, autor do livro). Eu queria que eles tivessem adaptado grande parte do romance juvenil com flashs para o futuro, mostrando que o Philippe está pensando, que essa memória retornou a ele após o encontro com o filho do Thomas, isso sim seria uma escolha assertiva, no final nós nos emocionaríamos muito mais. No filme não temos o desenvolvimento da relação do Philippe com seus familiares, que é super diferente da de Thomas com os seus, e isso tudo impacta na resolução final, afinal, Philippe tinha uma liberdade maior para se expressar, ele não sofria a mesma pressão de Thomas, mas nós não sabemos disso com o filme.

 Deixando o filme de lado agora, falarei um pouco mais sobre como este livro é impactante. Antes devo dizer que quando eu li este livro não me toquei que era uma história biográfica, acho que não me prendi ao nome do autor, nem nada disso, e a dedicatória no início, não ficou óbvia para mim até que eu terminasse, eu jurava que estava lendo uma ficção. Quando estava terminando a história me dei conta de que era sobre a vida do autor, enfim.

Acho bizarro que uma história tão crua seja um reflexo perfeito da realidade justamente por que ela é. Ela não possui polidez. Em diversas nuances posso dizer que me identifiquei com os personagens em instâncias além da sexualidade, mas com o fato de Thomas ser filho único, e essa constante de que você está acabando com a sua família se for homossexual, afinal você é o filho único. Apesar de ter lido a muito tempo, ainda consigo sentir a angústia de visualizar aquele homem que não conseguia se aceitar, aceitar que não precisava fingir ser alguém, na verdade, negar que amava a outros homens, uma vergonha, ou um... não sei. Eu acho que o mais assustador desse livro é essa violência que não consigo arrumar uma palavra que defina. Isso não é simplesmente medo, isso é uma prisão na pele. É um vazio eterno, uma negação intermitente, são lapsos de se encontrar sentindo aquilo, e negar que estar sentindo, por um período tão longo de tempo, e uma vida tão longa de privações dos desejos. É uma vergonha tão absoluta que ela não ousa falar, não mesmo, em momento algum ela ousa dizer que ama outro homem, ela te destrói, e você quer muito dizer, mas tudo o que consegue fazer é deixar escrito, deixar registrado que você se lembra, que não foi só um momento, que não é passageiro, que uma pessoa permaneceu com você por... 30 anos, e você não conseguia fazer nada a respeito, a não ser um último recado. Ele queria se libertar daquilo, ele queria que soubessem, e por isso ele deixou uma carta. Mas é dilacerante essa sensação que fica, por um homem que tinha uma vergonha - ou medo - tão grande que só conseguiu falar sobre sentimentos quando sabia que não teria ninguém o olhando e o julgando.

A construção - perdão. Não é construção de um personagem. É uma pessoa real. O que queria dizer era: Ao longo da história nós somos apresentados a este rapaz que não consegue dizer seus sentimentos. Nenhum deles. Ele não sabe dizer, apenas sentir. E é devastador quando chegamos ao fim e nos damos conta de que o autor tinha aquela sensação, de que Thomas tinha deixado ele tirar uma foto dele - mesmo sempre negando anteriormente - por que ele, o Thomas, tinha certeza de que não o veria novamente. Enquanto Philippe acreditava que em algumas semanas se reencontrariam, Thomas já dizia que não, apenas ficando parado, não virando a cara, ou avançando para empurrar a câmera, apenas deixando que Philippe o fotografasse. Ele passou a história inteira respondendo ao que sentia apenas com atitudes. Ele beijava para não falar. Ele transava para não falar. Ele enquadrava na parede, entregava bilhetes, passava a mão, não ousava direcionar o olhar, tudo isso era ele mostrando os desejos, os sentimentos falarem, mas sem que ele nunca precisasse assumir. O fim estava lá o tempo todo, quando ele parou, posou. Não consigo chamá-lo de covarde por não conseguir nunca se abrir. Não posso chamá-lo. A tempestade dentro dele era algo tão sombrio, o resultado sombrio da nossa sociedade. Não é responsabilidade dele. Assim como não é de nenhum de nós.

 

     Orgulhe-se. 


 

 

 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Neverness to Everness acerta no difícil e erra nas coisas mais bobas, tudo por que deve considerar que arte é uma besteira dispensável.

 Essa semana lançou Neverness to Everness, um jogo da Hotta Studio que já é conhecida pela promessa que foi o Tower of Fantasy, mas que não se cumpriu. NTE volta, prometendo muito mais, uma espécie de Triple A de Gacha, o que por si só deve gerar alguns questionamentos, mas mesmo assim gera curiosidades e expectativa, e devo dizer que na verdade as minhas expectativas eram baixas, mas me surpreendeu.

A exploração desse jogo, e os recursos que ele oferece não está atrelado a você ir do modo mais rápido de um lado ao outro do mapa, usando deslizadores tipo no Genshin Impact ou Wuthering Waves, para que você flutue de um ponto ao outro, na verdade, este jogo te dá prazer de caminhar, ou mesmo dirigir. E ele apesar de errar em não trazer a legenda em PT/BR, o que complica na explicação dos sistemas, te oferece a oportunidade de talvez deixar tudo isso para depois e focar nas coisas de interessante e que não precisam ser explicadas, e que você só vai encontrar nesse jogo: Recursos Triple A, veículos, cidades impressionantes e super elaboradas - e enormes, métodos de exploração diferentes, liberdade, sensação de infinito, tanto conteúdo que você não poderá esgotar em um dia (o que ocorre em qualquer atualização de Genshin Impact nas mãos de players com bastante tempo).

O problema é que NTE erra nas coisas mais bobas, e não é por que são bobas que são básicas, simples, e sim por que é algo que é essencial nos video games, numa obra de imersão visual, áudio visual, e atmosférica: arte.

Este jogo simplesmente não possui direção de arte, ou quando possui, ele direciona apenas em algumas partes. E aqui vai ficar bem óbvio os casos que foram direcionados, e os outros que possuem um palpite, e não uma direção.

Falarei primeiro de um caso amplo, e que na verdade é menos problemático: A cidade. A cidade ora quer ser asiática - com um grande foco no Japão, ora quer ser Inglesa. Temos uma mistura aqui, mas que eu acho que pode até fazer sentido. Temos áreas também que ora são chinesas, ora estadunidenses. E novamente, é aceitável. Como o cenário é gigante, dá para relevar, e é até interessante ver uma variedade, mas claro que essa variação poderia ficar por conta de expansões futuras, e não tudo junto na mesma expansão/região. Em especial, a organização que começamos a participar logo no inicio tem uma referência clara aos casos de detetive Ingleses, os empórios, Scotland Yard, e até Scooby Doo. E não, a referência DEFINITIVAMENTE não são os empórios de artefatos chineses, são com certeza ingleses, visto que o próprio personagem que é introduzido assim que entramos, é um homem com vestes super inglesas, um quase-mordomo, sua bengala é um revólver, tudo no ambiente, da decoração à tradição do chá, é super inglês, e como um empório tem de tudo, de vários lugares, cada personagem ali é diferente do outro, e particularmente isso é super legal. Mas seguindo na arquitetura, outros pontos da cidade são super Ingleses, como a casa das bruxas. E apesar disso, a cidade é muito Japonesa na maior parte com estilo Urban de Nova York.

Mas este foi o detalhe aceitável, agora vem o inaceitável: Os personagens.

 Se os personagens do jogo são desenvolvidos sem uma direção de arte eles ficam simplesmente vazios, e nesse caso é gritante. NTE teve um desempenho bem ruim, e é de se esperar, visto que a sua primeira personagem, a Nanally (personagem que eu peguei, mas fui pesquisar o nome, visto que ela era tão desinteressante que nem me marcou) é uma personagem TÃO genérica que ela não tem nada específico, e todos os aspectos visuais delas vão vir NOVAMENTE na personagem que lançará na próxima versão, a Lacrimosa.

Imagem Imagem

 (Nanally e Lacrimosa, respectivamente)

 Como uma PRIMEIRA PERSONAGEM, Nanally era responsável por cativar o público, e isso não depende necessariamente da personalidade da personagem, mas dos recursos visuais que ela oferece, da sua silhueta, da sua aparência, das animações de combate, mas Nanally na verdade não possui nada de impressionante, e definitivamente nada que não tenhamos visto, e que não tenhamos igual em outros jogos por aí. Lacrimosa possui uma paleta de cores invertida da de Nanally, ela possui laços nos lugares das orelhas de gato de Nanally, usa a mesma gargantilha, um laço no lugar de uma gravata, mas a estrutura de aspecto visual é a mesma, é uma colegial, com camisa branca, gravata e saia e um casaco. Se eu descrevo elas assim, simplesmente não há como diferenciar. Lacrimosa aqui não é o foco, ela não é a personagem de estreia deu um jogo, o problema maior é Nanally. Eu diria até que Nanally não seria um problema tão grande se ela não fosse a abertura do jogo, e também digo que não teria problema as duas existirem no mesmo jogo, se elas não estivessem vindo uma seguida da outra, pois dessa forma, fica gritante, a equipe criativa não tem direção de arte NENHUMA. Os mesmos recursos visuais presentes em Nanally estão REPETIDOS - e não importa as pequenas alterações, a descrição no fim é a mesma - em Lacrimosa! E quando eu digo na primeira etapa da crítica que o jogo está dividido em Japão e Inglaterra, é visível que Nanally está mais para Japão e Lacrimosa para Inglaterra, mas não muda o fato que a equipe não possuía uma direção de arte quando fez isso.

De forma alguma é culpa dos artistas. Eles aplicaram a estética e os recursos visuais atrelados à estética solicitada, e se limitaram ao que foi solicitado, mas por que existe alguém dizendo o que precisa ser feito para tal personagem e para a outra, isso não significa ter uma DIREÇÃO DE ARTE. E colocar que você possui alguém X na Direção de Arte do seu jogo, para o resultado ser esse, especialmente no banner de estreia, significa que a pessoa que você colocou não está dirigindo a arte do seu jogo corretamente!

Quando falo que Nanally é genérica e não conquista, é pela repetição. Nós já conhecemos a menina colegial com orelha de gato, ou cauda de gato, ou enfim. Ela literalmente não possui nada em seu visual que seja original dela. Ela não é marcante. Ela não tem uma característica marcante. Mesmo Lacrimosa
que vem em seguida não possui, pois ambas seguem a mesma base, mas focando em Nanally, usarei a título de comparação, Zenless Zone Zero, um jogo de estética super parecida, e que tem simplesmente, em seu banner de estreia - que por sinal foi um imenso sucesso - Ellen Joe, uma Maid Kawaii, ATÉ AÍ TUDO BEM, mas que possui uma CAUDA DE TUBARÃO(!!!!!!!!) e não apenas isso, sua arma é uma TESOURA DE PODA GIGANTE(!!!!!!!!), enquanto isso Nanally é... enfim, uma menina gato colegial, que base com as mãos. 

 Ellen Joe possui uma fucking cauda de tubarão e uma tesoura de poda gigante em forma de cabeça de tubarão, e sua roupa de maid tem detalhes emo, ela é uma garota emo, não é como outras maid, sua personalidade está totalmente expressada em sua roupa de trabalho. Mesmo em sua skin de COLEGIAL, onde Ellen Joe deveria ser SÓ UMA COLEGIAL como Nanally é, ela ainda sim é A ÚNICA COLEGIAL que possui uma CAUDA DE TUBARÃO (!!!!!!!!!!!!!!!) E UMA TESOURA DE PODA GIGANTE (!!!!!!!!!!!!!). Percebe a diferença? Ellen Joe pode vestir-se de palhaça, a cauda e a tesoura continuam. É provavelmente o design mais interessante de Zenless Zone Zero até hoje, mesmo após três anos de jogo, e se trata da PRIMEIRA PERSONAGEM.

 Ellen Joe não pode simplesmente ser comparada com qualquer outra garota de anime colegial, ela ainda possui suas características marcantes que a tornam super diferenciada, o que é perfeito para chamar a atenção para o novo público, e a torna imortal em sua originalidade. Nós todos conhecemos personagens com detalhes de tubarão atrelados ao design, mas nenhum deles tem uma cauda de tubarão e carrega uma tesoura, e plus, se veste de empregadinha.

E quando digo que Nanally é totalmente genérica e desinteressante, apresento-lhes a última pá de terra nessa coitada, outra personagem de Zenless Zone Zero: Yuzuha

Yuzuha, a primeira vista parece uma colegial genérica (tipo a Nanally), com cabelos ruivos (tipo a Nanally), usando sua roupa de colegial japonesa (já entendeu né), com um suéter por cima, e vejam (!) ela tem uma cauda de guaxinim. NÃO! NÃO! Ela NÃO tem cauda de guaxinim! Ela não é uma garota meio animal com roupa de colegial! Ela é uma colegial, sim, de fato, mas que carrega SEU GUAXINIM DE ESTIMAÇÃO nas costas, e plus, tudo isso enquanto ainda possui uma sombrinha em sua silhueta, o que é único, é marcante, e quando vemos por inteiro, é ainda mais surpreendente. E o que vai te deixar ainda mais chocado vem logo agora. Nanally é TÃO ABSOLUTAMENTE GENÉRICA que está sendo lançada, e junto dela vem uma skin QUE É LITERALMENTE a mesma roupa da Yuzuha, provando que Yuzuha poderia ser uma garota de anime QUALQUER se ela não carregasse um Guaxinim nas costas e andasse com uma sombrinha icônica.

Yuzuha e seu Guaxinim preso às suas costas com um colete.


Skin da Nanally onde ela é basicamente a Yuzuha (copiando até mesmo a faixa no braço, e a cauda de gato possui um padrão que lembra MUITO o do Guaxinim, o cabelo, nem preciso falar.)


 Nanally nessa skin se torna Yuzuha. Ela perde inclusive coisas que eu diria que eram cruciais do seu visual, com o ÓCULOS, afinal não é sempre que vemos um personagem que usa óculos. E posso citar League of Legends como exemplo, onde a personagem Vayne usa óculos, e está com ele em todas as skins, quando não, usa um adereço que tampa a cabeça toda. Quando se coloca um óculos em um personagem não se espera que ele  seja dispensável, mas apesar disso, a falta de direção de arte por trás dessa personagem é tão ruim que ela não possui óculos em NENHUMA DE SUAS SKINS, e ela possui 4! Isso só demonstra como sem sombra de dúvidas a direção de arte que simplesmente é inexistente, e o jogo merece sim todo o descontentamento que recebeu, afinal se você não respeita que seu público possui algum senso crítico visual ao consumir uma obra essencialmente visual, e consequentemente desrespeita o trabalho artístico e o coloca como segundo plano, ao dispensar uma direção de arte apropriada, você merece que seu jogo fracasse. É a primeira regra dos negócios, não pense que você é mais inteligente que o seu público, não subestime o público! E como artista eu digo, segunda regra dos negócios: DON'T FUCK WITH ART!     

As pessoas realmente acham que design é brincadeira, que arte é brincadeira, e é diante disso que empresas estão colocando imagens de IA para demonstrar seus produtos, e perdendo a credibilidade com o cliente, sem reconhecer que grande marcas são o que são por que pessoas inteligentíssimas fizeram um trabalho artístico impecável que a tornavam ÚNICAS.

Quando falo em direção de arte efetiva, significa colocar as pessoas certas. Uma das coisas que me fez não gostar do Wuthering Waves é que eu achava todos os personagens IGUAIS. E você pode pensar, igual vários players de WuWa pensam quando eu digo isso "Mas não tem nada a ver um com o outro", porém aspecto visual importa, e na minha cabeça todos os personagens são muito parecidos, ao ponto de eu não conseguir lembrar dos nomes deles por achar todos eles muito iguais. E no fim, eu ter me incomodado com Wuthering Waves, foi responsabilidade essa paleta monotonal e sem graça que eles continuam aplicando até hoje, onde todo o seu elenco de personagem discorre entre o preto e branco, ou se equilibra com branco em maioria com alguma outra cor de apoio com um tom bem sombrio, ou sempre muito preto com outra cor de apoio. Mas o meu problema maior com Wuthering são os personagens brancos, não de cor de pele, isso é óbvio que são os únicos que existem, são como a grande maioria deles usa branco na roupa quase toda. São os mesmos vestidos esvoaçados em branco, os mesmos ternos, os mesmos kimonos brancos. Os players recorrentes olham para isso e conseguem identificar qualquer um, eu acho todos eles iguais. Não é sobre os detalhes, os as estruturas de roupas diferentes, é sobre como em uma somatória, o aspecto visual delas todas em conjunto são dá para diferenciar, não possuem substância visual, já que Wuthering Waves é monotonal e todas as suas cores (quando existem) são apoiadas num tom sombrio para ficar melhor com o branco e preto que é presente em todos eles.


(Não preciso entrar no mérito de como um monte de gente igual é um grande descaso e como diversidade é um outro ponto essencial para a criação de personagens com identidade, já que esses jogos chineses definitivamente não estão preocupados em representatividade NEM UM PINGO, e o resultado está aí um monte de personagens brancos, com roupas brancas, e enfim, nenhuma identidade visual. Deixando minha nota final de que acho Wuthering Waves um jogo de animações impressionantes, porém com o design de personagens fraquíssimo, com silhuetas medíocres e o uso de recursos identitários praticamente inexistente, coisa que a Hoyoverse, apesar dos pesares, se destaca muito mais, em especial no Zenless Zone Zero, como já citado de exemplos outras veste ao logo do texto.)

 Finalizando, Nanally é um fracasso em divulgar e vender seu jogo (NTE) em sua primeira semana não por apenas se desinteressante na gameplay, mas por que não possui, principalmente um visual marcante. Ela não tem identidade, ela não tem ALMA. E a falta da direção de arte que dita como um jogo deve se comportar em seu estilo artístico e atribui alma aos seus personagens não para em Nanally. Vimos Lacrimosa, mas, abaixo trago o lançamento que ocorrerá após Lacrimosa, Chaos, um personagem que não tem absolutamente nada marcante, já vimos ele em Jujutsu, em Attack on Titan, em Tokyo Ghoul, e mesmo em Wuthering Waves (no protagonista) - deixarei de exemplo, e juntamente, o próprio do protagonista de Neverness to Everness, que compartilha a mesma silhueta batidado do Chaos, que promete conquistar o público logo mais, bem como Nanally bem conquistando.

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Chaos do NTE 

Protagonista do NTE

Protagonista do Wuthering Waves

 

domingo, 5 de abril de 2026

Uma experiência pessoal sobre infância Queer

Desde que comecei a refletir sobre isso, comecei também a relembrar cada vez mais coisas, e uma dessas coisas é quando eu me dei conta de que ser menino implicava em algumas questões, e cheguei à conclusão que é lá pelos quatro anos de idade. Antes disso você não é exatamente criança, você é um bebê, um bebê que faz coisas fofas e todo mundo acha incrível. Se você é um bebê então tudo bem você dançar, saltitar, cantar, sorrir, chorar, segurar qualquer tipo de brinquedo. Os adultos consideram os bebês criaturas sem discernimento, então eles podem até achar estranho o bebê (menino) ter pego uma boneca e chacoalhado, mas tá tudo bem, ainda é só um bebê com uma boneca. O problema é quando você se torna uma criança. É a partir desse ponto que você saltitar é algo feminino, ou segurar flores, ou chorar, e é impressionante como isso revela uma raiva masculina contra as mulheres. Tudo que é feminino é proibido, é repreendido. Esse mesmo problema não vai acontecer com as meninas, pois uma menina fazer coisas de meninos é tudo bem - pelo menos até certo ponto - mas uma criança do sexo masculino, ela tem obrigação de começar a se podar. Ela não é uma criança, é um futuro homem, então deve se portar como um. Nesse momento é quando os adultos começam a repreender os meninos, quando os meninos começam a brincar entre si repreendendo contato, a menos que seja no intuito de violência. Quando você é criança, deixa de ser
aceitável andar de mãos dadas com outro menino, apesar de isso ser tudo bem quando se é bebê. Eu refleti sobre tudo isso, em especial, por que me lembrei desse meu amigo de infância, e percebi que pela primeira vez eu estava tendo uma amizade baseada na amizade, ao invés de hierárquica como geralmente era com os outros meninos.

Iniciei recentemente uma pesquisa para o meu TCC, que por acaso envolve o Mauro de Sousa, filho do Maurício de Sousa, filho este que inspirou o personagem Nimbus. Nessa pesquisa encontrei um vídeo dele relatando sobre quando ele se percebeu homossexual, e isso me despertou uma lembrança, uma lembrança de um amigo que eu tive, e agora, pensando nesse amigo, percebo como isso revela várias nuances da experiência de ser uma criança, ser um menino, e ser uma menino criança queer.

Antes de falar sobre meu amigo, falarei sobre a experiência masculina na infância.

Isso obviamente acontece mais quando você tem amigos um pouco mais velhos, mas de toda maneira, todos são crianças, embora uma seja um ou dois anos mais velha, se ela é violenta, machista, isso é resultado da repreensão que traz, e isso gera um ciclo nas amizades.

Na minha infância eu vivia em um condomínio enorme, com vários prédios, muito espaço para brincar, jardins, árvores enormes, e muitas crianças. A minha relação com as meninas sempre foi muito melhor, mas é claro, as próprias meninas começam a te excluir de algumas brincadeiras, pois elas também foram ensinadas que certas coisas são apenas de meninas, embora isso aconteça bem menos do que o contrário. É importante para um menino ter alguns amigos meninos, mas quase todos os meninos do condomínio, ou eram bem mais novos, ou dois anos mais velhos que eu, o que significava Bullying. Eu era uma criança doce, com a voz fininha, saltitava, sorria. Embora meus tios sempre reforçassem o comportamento masculino, eu fui criado com pais divorciados, então a maior parte do tempo minha mãe não se importava com isso, ela não repreendia meu comportamento, e meu pai ficava pouco comigo para se importar com isso, ou mesmo notar isso. De todo modo, os meninos daquele lugar tinham famílias agressivas, pais agressivos, pais repressivos, e o pior: PAIS CASADOS. Eles foram ensinados a podar o comportamento "feminino", que no fim era apenas comportamento de criança, e punir meninos que ainda não os tinha podado. Embora eles fossem divertidos, como a relação masculina é hierárquica, quando alguém estava de boa, essa pessoa se tornava um alvo, e isso enfraquece a criação de laços, de amizade, afinal amizade é feita na sensibilização pelo outro, e é muito mais complicado ser um menino que se sensibiliza.

Acontece que eu ia me mudar, dali uns meses eu iria para um lugar bem longe, mas é justamente nesse momento que eu conheço um novo menino. Um menino que se mudou para o lado da minha casa, a porta ao lado. Ele era o J. O J tinha exatamente os mesmos gostos que os meus, ele amava Harry Potter, ele gostava de imaginar, gostava de contos de fadas. Adorávamos fingir que éramos os personagens de Harry Potter e correr para lá e para cá segurando gravetos, fingindo ser varinhas. Nesse período também surgiu uma garota, a R, e nós nos tornamos inseparáveis, afinal ela também era muito fã de Harry Potter. Nós passávamos o dia todo juntos, mas quando a R ia para a casa, ficávamos só eu e o J, afinal morávamos um do lado do outro. A R foi importante, mas o J? Acho que nunca tive algo igual depois dele. Não existia uma atração, na verdade era puramente amizade. Era alguém exatamente igual a mim, eu lembro perfeitamente de ter dito isso a ele enquanto nós conversávamos. Acho que nós também tínhamos o mesmo signo do horóscopo, e as coincidências eram inúmeras. Ele também vivia apenas com a mãe, tinha os pais divorciados. Enfim, a lista era bem maior, tenho certeza, ou mesmo a noção de quantidade para crianças seja distorcida ou menos exagerada, pois hoje eu diria que se fosse apenas isso, era bastante coisa em comum, mas nem tanto assim, mas naquela época era suficiente. O J era um ano mais velho do que eu, mas aquilo não fazia diferença. De repente todos os outros amigos não faziam diferença. Eu me lembro perfeitamente de diversas vezes, ver o J se aproximando, e antes que ele pudesse chegar, eu corria até ele, largava aqueles meninos mais velhos, e íamos só nós dois. Talvez fosse um pouco de ciúmes, mas talvez fosse proteção. Eu sabia que se eles conhecessem o J, as piadas deixariam de ser comigo, que era o mais novo, e passaria a ser com ele, afinal é mais legal zoar com alguém que compreende melhor que estão rindo de você ao invés de com você.

É claro que em certo ponto, o J conheceu sim os outros meninos, mas na minha lembrança não tenho isso, vagos vislumbres, já que nós brincávamos com umas meninas do nosso prédio também, além da R, e essa meninas eram amigas dos meninos mais velhos, essa conexão ocorreu em algum momento, mas é irrelevante.

O que quero dizer foi que pela primeira vez eu encontrei alguém que me entendia completamente, alguém que não julgava, que na verdade passava pelas mesmas coisas que eu, e eu lembro de ficar devastado, pois eu sabia que aquela amizade tinha uma data de validade curta. Eu iria embora, mas aproveitava cada dia que podia ao lado do J. Não era romântico, como disse antes, eu não sei se se eu continuasse lá, se tornaria algo do tipo, mas naquele momento era como finalmente ter um amigo. Pela primeira vez ter um amigo. Esse é o tipo de amizade que só vemos nos filmes, de meninos que são super unidos, que se amam, que são parecidos em tudo, que se um começa a frase, o outro completa. Eu nunca tive aquilo de novo. Eu saberia, pois aquela sensação é tipo estar apaixonado, mas sem toda a coisa dolorosa do desejo romântico, era uma alegria desesperadora por estar com alguém que te transportava para um mundo de imaginação que só vocês compreendiam. Era coisa de filme, mas na vida real. Era como Harry Potter, mas sem precisar imaginar, acontecia mesmo.

 Muitos anos depois, após esforços, consegui contato com ele, e descobri que ele também acabou se tornando uma pessoa Queer, e talvez por isso nós fôssemos tão parecidos, no quesito sensibilidade um com o outro. Eu descobri que também foi tão legal para ele como foi para mim. Não era coisa da minha cabeça. Mas enfim, foi apenas um contato, e não fazia sentido começar uma amizade virtual com alguém que você já não tinha mais nada em comum, ou como eu disse, na infância a noção que quantidade é bem menor, e agora enquanto adulto, não faz sentido ter uma amizade com alguém que vocês apenas compartilham duas ou três coisas em comum, mas principalmente, não estávamos próximos um do outro, e para mim, pelo menos, seria meio triste começar essa amizade virtual, era estranho, era invasivo tentar retomar algo do passado, era trair a memória. Não nos falamos tanto assim, e depois, acabou, nunca mais nos falamos, e é melhor assim. Ele está intacto na minha memória. 

 

 

sábado, 28 de março de 2026

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO.

Recentemente me peguei pensando sobre o primeiro anime hentai que vi na vida. Do absoluto nada, eu só lembrei disso, o motivo não tinha nada a ver, mas eu estava me questionando se algum dia eu já tinha assistido algum anime que eu considere feio hoje em dia, e eu lembrei desse anime. Ao conferir concluí que de fato eu acharia ele terrivelmente feio hoje em dia. Eu mal assisto animes atualmente, mas quando eu assisto, é primeiro pela aparência (numa dessa, naquela época, me meti num tal de "Sankarea" que era uma bomba, e além disso, vendo hoje em dia, ele era feio demais, mas eu achava lindo na época). De toda forma, eu decidi fazer esse post não para falar sobre a história de Aki Sora, seja pro bem ou pro mal, mas sim do clima.


 Dando um breve resumo, a história. Este anime vai gerar em volta desses dois irmãos, o Sora e a Aki, que embora não sejam irmãos de sangue, AINDA SÃO IRMÃOS, mas que mesmo assim, esse detalhe sobre ser de sangue ou não, é irrelevante, já que em determinado ponto do anime teremos a irmã (que eu acho que é gêmea) do Sora, se envolvendo, e virando um grande surubão (Se não me engano, reforçando. Pois eu não reassisti, aqui é tudo da memória). O que acontece é que o Sora e a Aki começam a se envolver romanticamente, e sexualmente, e depois a irmã Nami, fica com ciúmes e entra na parada. A história é basicamente sobre isso. Mas ela é dramática. Ela tem um teor de medo de que este romance proibido seja exposto. E enfim, tem uma outra menina da escola que também gosta do Sora, por que é um harém, TODAS QUEREM ESSE NERDOLINHA AVIADADO.

Talvez seja por que o Sora é o único homem sensível do Japão e do mundo, e todas as mulheres começam a brigar por ele. Nunca saberemos como este rapaz passou a comer ao invés de dar, mas é o que rola aqui nesse anime kkkkkkkkkk. E sim, eu vou falar das coisas explicitamente, afinal já estou falando de um hentai mesmo.

Eu fiquei me questionando por quê este anime me cativou tanto na época. Ele nem era explícito, as partes íntimas não eram mostradas, era quase como assistir Elite, mas versão anime (Tenho quase certeza que tem incesto em Elite). Mas aquilo, para um pré-adolescente era MUITO EXCITANTE. Eu nunca tinha visto algo como aquilo, e para além disso, o arco dramático era suficientemente interessante na época, para mim pelo menos. Eu indiquei este anime a todos os meus outros colegas punh--, digo, otakus, e todos eles odiaram. Talvez não fosse explícito, ou talvez por ser de drama ao invés de ação, eles estavam mais interessados naqueles que eu considero verdadeiros lixos: High School DxD, ou High School of The Dead.

Mas para além do drama, tinha algo no clima desse anime que era cativante. Dava vontade de viver aquilo. NÃO, NÃO O ROMANCE INCESTUOSO! Estou falando do clima do anime. Tinha sempre um clima chuvoso, aconchegante, até as cenas de sexo tem uma chuva de fundo. O Sora também está quase sempre chorando ou doente, ele chora por se sentir culpado por estar TRANSANDO COM A PRÓPRIA IRMÃ, e por que não pode assumir isso, então quando o céu não está derramando lágrimas, é o Sora.

Mas tem uma sensação, que com licença, preciso dizer o que sinto, envelopa-se ao clima do anime, e dá lugar a uma angústia que na adolescência talvez fosse o anseio da vida adulta, mas que na vida adulta reconheço como o anseio por alguma sensação que justifique a minha tristeza. Este anime tem isso. Me lembrando agora, percebo que eu tinha vontade de viver aquilo, e hoje isso retorna (aquilo, aqui mais a solidão dos personagens, o clima soturno) como uma justificativa para a minha tristeza. Quase como se na vida adulta buscássemos por sexo casual em alguns momentos para voltarmos depois à solidão em nossos apartamentos. Bom, essa sensação, como na adolescência, permanece só num desejo para o futuro, pois eu não faço sexo casual, não tenho meu apartamento, e eu moro debaixo da linha do equador, então é mais fácil cair um pedaço do sol aqui, do que uma gota de chuva. Mas também no fundo revela uma desesperança em mim, quase como se eu já esperasse que daqui para a frente nada de bom me faria rever a vida, e o meu maior desejo é ter uma vida solitária, soturna, vazia, silenciosa, sem brilho.

Para encerrar, este blog é meu, então gostaria de confessar, que tem uma cena muito marcante desse anime para mim, e eu não esqueço dela. É uma cena de sexo, entre o Sora e a Aki, eles estão na escola, eles se escondem, acho que a Aki tava na educação física, e ela estava toda suada, daqui eles vão para um depósito de materiais de ginástica, o Sora deita a Aki numa pilha daqueles tapetes fofos de Judô, e ele ajoelha e começa a chupar ela, mesmo ela estando suada, e ela reluta dizendo que estava suada, mas ele é um twinkzinho safado, e ele diz que gosta do cheiro dela suada. E para mim foi uma grande descoberta. Primeiro que eu descobri que homens gozavam com esse anime, mas nesse cena eu descobri que mulheres gozavam também. O Sora faz sexo oral na Aki, com ela deitada de barriga para baixo. É uma cena realmente muito linda e excitante, e EU SOU HOMOSSEXUAL. Enfim, vai entender. De toda forma aquilo alterou a química do meu cérebro. No fim, embora seja uma anime de hentai incestuoso, ele meio que ensina os meninos a serem sensíveis, e fazerem sexo oral nas mulheres. Por outro lado ele também ensina a transar com as irmãs. É, deixa para lá, esse anime não tem fator educativo, DEFINITIVAMENTE.

Eu pesquisei gifs desse anime para ver se encontrava a cena, e eu encontrei. KKKKKK. (Começo a me arrepender de estar fazendo esse post. Mas tá de boa, é em nome da reflexão, da discussão, do desabafo. E no fim, nem vou divulgar isso, então quem ler, leu, quem não leu, não leu.)

 

Brincadeiras à parte, viram o que eu fiz? Quebrei o clima triste e desesperançoso, com um texto picante, e uma piada ácida no final para descontrair. Me agradeçam por isso depois. Enfim, foi isso. Aki Sora. EU ACHOOOO que hoje em dia só tem para ver esse anime em sites pornô, já que quando eu pesquisei o nome dele no google, só apareceu isso... então assim kkkkkkkkk. Mas na época ele tava em vários sites de anime, e foi justamente por um deles que eu conheci, quando apareceu na tela inicial. Ai ai. Coisas de adolescente ne gente. Até a próxima. 

 

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Saga Divergente estava fadada ao fracasso pois não possuía ALMA!

 

Quando eu estava nas minhas férias antes de entrar no ensino médio, eu ainda tinha treze anos, iria fazer quatorze em breve, eu conheci novas pessoas. Eu tinha uma amigo chamado T, e ele tinha um amigo chamado J. O J tinha uma família muito interessante, uma família unida e completa e estruturada, e que claramente apoiava e incentivava cultura nos filhos, mesmo sem serem ricos, sem serem classe média. Eles davam o melhor para os filhos deles sendo classe baixa, algo semelhante ao que minha mãe fez solo, e os pais do T também fizeram, mas era outro nível. J tinha muitos gibis, muitos mangás, ele desenhava incrivelmente, e devia ser uns 2 anos mais novo que eu. O J tinha um irmão mais novo, e uma irmã mais velha, essa irmã mais velha tinha uns 16 anos na época, e ela vivia justamente no boom das distopias adolescentes, sendo uma adolescente, e ela tinha absolutamente todos os livros que você possa imaginar que o ano de 2014 tinha para ofertar. Mas eu não conheci Divergente através dos livros, ela conheceu, mas ela me apresentou essa história mesmo foi pelo filme.

Divergente tinha lançado no início daquele ano e eu nem tinha ouvido falar, mas ela sim, e certo dia, enquanto eu falava com ela sobre minha obsessão em Jogos Vorazes, me indicou este filme, e eu encontrei ele pirateando pela internet, e meus amores, foi amor à primeira vista.

 Divergente tem uma estrutura muito interessante que é essencial para captar um público, ele quer que a sua personalidade seja valorizada. Ele quer criar intimidade com você a partir do que você é. Algo semelhante às casas de Hogwarts, temos as facções, e cada facção representa um pouco da personalidade dos membros, e pessoas Divergentes são aquelas que não se encaixam em apenas uma facção, que elas tem traços de outras. Pra esclarecer temos Abnegação, Audácia, Erudição, Amizade e Franqueza. Os nomes são autoexplicativos. E em primeiro momento você fica pensando: Mas não é normal todos nós termos mais de um traço? Sim, obviamente. Mas nessa sociedade não, todos tem apenas um único traço, e se não tem eles são Divergentes. Aqui temos uma estado que não é que seja totalitário, mas ele é, afinal se você não se encaixa em nenhuma facção, você morre.

A protagonista, Tris, nasceu na Abnegação, mas ela vai parar na Audácia após a cerimônia de escolha.


Antes dessa cerimônia eles passam por um teste que determina COM CERTEZA a sua facção, e até se você é Divergente. Acontece que a Tris é Divergente, mas a mulher que faz o teste dela se compadece, e fala pra ela sair de lá dizendo que é da Abnegação. O teste da Tris dizia que ela era Abnegação, Audácia e Erudição, se não me engano, ou seja, Divergente. A mulher registra que ela é da Abnegação, mas mesmo assim, a Tris, na hora de escolher, escolhe Audácia. Isso obviamente coloca nela os olhares. Primeiro que, se escolhe uma facção a qual não pertence, e se dá mal nela, ela vira uma Sem-Facção, que é tipo uns mendigos, cujo o único apoio vem do povo da Abnegação, por motivos óbvios. Mas se ela escolhe uma facção diferente da do teste, e se dá bem, significa que tem algo de errado. Era pra ela se dar mal, afinal no teste dela está dizendo "Abnegação" e não "Audácia". E é aí que começa-se a criar a trama.

Enquanto Tris se sai super bem na Audácia, vai começar a sem investigada, e essa investigação repercute nos seus amigos, nos seus familiares, até o ponto que se desenrola em um plano, onde a Erudição toma o poder da cidade, utiliza a Audácia como soldados para impor suas vontades, tentando dar um golpe de estado. Antes a Abnegação era quem liderava a cidade, por motivos óbvios, uma pessoa que Abnega seus bens em nome do coletivo, protege melhor os direitos do coletivo. Mas daí há umas informações suspeitas contra o líder da Abnegação rolando, e a líder da Erudição arma esse golpe.

Falando assim temos uma história muito interessante, com uns mistérios, questões políticas a serem discutidas, e de fato, para um adolescente, um pré-adolescente, é tudo encantador. Além disso tudo ainda tem um romance que rola, pra prender a atenção da galera, o problema é que a estrutura criativa da história é fraca.

Veronica Roth é uma escritora muito inferior, que tenta surfar na onda de Jogos Vorazes, mesmo sem ter a qualidade criativa e de escrita de Suzanne Collins, autora de Jogos Vorazes, então, a proposta do primeiro livro, mesmo que ele não seja excelente, é boa, mas as decisões que justifiquem os dois próximos livros - já que a moda era as Trilogias - são injustificáveis. A sensação que deu é que ela teve a ideia base, mas não pensou em como justificaria tudo aquilo no futuro.

Como justificar a organização daquela sociedade que vive ali cercava sem sair de lá, e tem os mistérios envolvendo isso. E por que eles matam divergentes, e quais monstros vivem do lado de fora do muro. Enfim.

Insurgente, o livro seguinte é uma transição terrível, sem justificativa alguma, que não esclarece nada, que apenas estende - e muito - a resolução medíocre que só irá acontecer em Convergente.

O ponto de partida é legal, cativante, mas ele não é seguido por um trabalho criativo por parte da própria autora para que justifique toda a sequência. Veronica Roth não sabia onde exatamente a história iria parar. Talvez ela tivesse a pretensão, mas não possuía os meios para chegar àquilo, e isso explicar por que o segundo livro é tão medíocre, e em consequência o seu filme.

Nota: o livro "Quatro" é basicamente o primeiro livro, só que da perspectiva do personagem Quatro, que é par romântico da Tris. 



Os Filmes

 O primeiro livro faz um bom trabalho na minha opinião. Mesmo assistindo hoje em dia ainda acho um bom filme, mas é vergonhoso até comparar com outros primeiros filmes tipo Jogos Vorazes, e Maze Runner - apesar de eu preferir Divergente a Maze Runner, a qualidade entre eles é notória. Tanto em roteiro, quanto em atuações, escolhas criativas, mas fazer o que se o livro já não era grandes coisas. Mas minha sugestão é: pare no primeiro livro/filme. Você não precisa dessa conclusão.

O problema começa no segundo filme, que DESESPERADO para dar algo ao público, já que o livro não dá nada, precisa fazer um monte de escolhas de roteiro, que entregam sim, ação, ao menos, mas que seguem não fazendo nada pela trama, segue sendo um livro de transição para a conclusão. O segundo livro é muito ridículo e entediante, pois apesar do último ser medíocre, ele nos entrega novidades. No segundo apenas temos a mesma coisa do primeiro, só que sem o toque charmoso das descobertas.

Em audiência, esses dois já não foram bons, mas o segundo foi muito pior, e como o segundo filme foi horrível, cria-se um estigma no público, de que talvez o próximo filme seja ainda pior. Mas de alguma maneira, o estúdio decidiu dividir o último filme em DUAS PARTES. Uma escolhe IMBECIL, completamente. Convergente é HORRÍVEL. O terceiro livro não tem conteúdo nem pra um filme inteiro, quem dirá dois. E o pior, Convergente tem um gasto absurdo com CGI, e acho que o filme nem se pagou, e por isso nunca tivemos a Parte 2 lançada.

A protagonista, Shailene Woodley, que faz a Tris, tinha um contrato pra uma Trilogia de filmes, e ela gravou a trilogia, AFINAL É UMA TRILOGIA DE LIVROS. Mas devido a todo o caos, e o fracasso, ela inclusive já se negava a voltar para um filme final, provavelmente voltaria mediante um acordo, mas isso incluiria mais gastos, e Convergente não poderia dar-se ao luxo de ter mais gastos, já que a Parte 1 mal se pagou. E bom, foi cancelado. Eles até chegaram a falar que iriam fazer uma série para TV com a resolução, mas isso não rolou. Shailene Woodley muito menos estaria disposta a voltar para uma série, e ela estava certa, aquele foi o auge de sua carreira, com A Culpa é das Estrelas, e ela tinha propostas muito mais interessantes por vir, mas a culpa de não rolar não era dela. O estúdio se poupou, depois de cometer todos os erros possíveis.

O terceiro filme... assim, é um acontecimento mesmo, sabe. Ele é vergonhoso. Ele é horrível. E eu acho que posso dizer que o estúdio não precisava ter gasto tanto que gastaram com CGI. É basicamente tudo de CGI nesse filme, e é ruim. Um CGI ruim! E enquanto eu lia o livro, eu não sei se é pela falta de técnica de escrita da autora, em descrever o nível tecnológico da sociedade, ou se realmente o filme escolheu ser ridículo dessa maneira, mas para mim eles não tinham essa tecnologia super avançada que é mostrada no filme. Era uma coisa mais underground, mais normal. Era avançado, mas ainda parecido com o que temos, e no filme são umas naves voadoras redondas, uns super prédios frutiger aero, uma coisa meio Utópica, pra destoar das cidades do primeiro filme, que eram ruínas. Enfim. Terrível escolha artística, já que a resolução e justificativas eram medíocres.

Agora vem um spoiler do final, já que não temos filme dele, no próximo parágrafo. 

Aquilo era tudo um experimento de uns caras poderosos. Ou seja, eles tinham várias daquelas cidades


do primeiro filme, e o experimento consistia em todos na cidade serem Divergentes, e livrar o mundo desse gene único, que acho que foi resultado de uma guerra que rolou a muito tempo, onde tentaram fazer uma dominação com base na segregação, sei lá, eu também não lembro muito bem, mas os poderosos chegaram à conclusão de que o mundo só teria paz se pegasse o povo, colocasse nessas cidades, falasse "Olha os Divergentes são proibidos", para terem cada vez mais divergentes (Seja lá por que isso aconteceria enquanto você mata os que são divergentes), e assim que a cidade tivesse um número de pessoas curadas, a verdade seria revelada, sei lá. Ou quando um divergente assumisse o poder. Gente, eu não lembro bem, e o fato é que isso realmente não faz diferença. A questão toda é que é uma justificativa terrível, mal feita, mais pensada, e é claramente resultado de uma autora que teve a ideia para uma sociedade INJUSTIFICÁVEL para iniciar uma saga, mas que não pensou como justificaria isso no final. 

É por isso que chega ser pecado comparar Divergente com Jogos Vorazes. A semelhança é fazem parte de um hype da época, mas Jogos Vorazes é movido por questões filosóficas que a própria autora crê e desenvolve em cima, questões que permeiam nossa sociedade até os dias atuais, e é por isso que seguimos com novos lançamentos de Jogos Vorazes, pois a sociedade segue dando motivos para pensarmos até onde vai sua manipulação e crueldade. Se Veronica Roth acreditasse no que escreve, quisesse passar uma mensagem com sua escrita, ou mesmo soubesse como fazer algo que entretivesse, ao invés de apenas revelar sua mediocridade, talvez Divergente não fosse tão ruim. Essa história segue algo semelhante a Maze Runner de James Dashner, nisso elas são bem mais semelhantes do que com Jogos Vorazes, nenhuma das duas acredita no que quer passar com sua história, e por isso não possuem uma justificativa plausível. Mesmo assim, Maze Runner sabe entreter, propondo desafios diferentes a cada livro, e uma dose dramática bem mais elaborada, mas o seu primeiro filme é o grande destaque (Em Divergente também, mas não dá pra comparar também, mesmo eu já tendo dito que prefiro Divergente, o primeiro filme de Maze Runner é mais instigante de fato).

Quando se escreve uma história sem alma, ela é uma casca do que poderia ser. Divergente poderia ser incrível, se no fundo, a autora acreditasse que o que ela estava escrevendo revelaria-nos algo. Não se escreve histórias de revolução se suas bases filosóficas para essa história simplesmente não existem. O que você quer nos contar com isso Veronica Roth? O ser humano é terrível? Sim, já sabemos, mas se quisermos ler sobre uma fantasia disso podemos ir até Jogos Vorazes que tem bases sólidas, tem alma, tem qualidade, e tem mensagem por trás, não é um simples entretenimento, isso sim gera reflexão. Jogos Vorazes não tem medo de discutir seus temas, pois acredita neles, e quer gerar reflexão sobre eles. Divergente é realmente só entretenimento e da pior qualidade. Você não vai ficar pensando por que a sociedade faz isso, você vai ficar pensando: Hm... bom, acabou. Vamos agora ler um outro livro. Seja ele qual for.

A única reflexão que este livro/filme nos gera é de como ele foi terrível, e como ele tenta ser algo que não é, e bem, podemos tirar algo disso: Não escreva sobre revolução se você não tem algo revolucionário a ser dito. Se você não deseja criar revolução de pensamento através disso. Os livros para entretenimento deve existir, mas não disfarce seu livro de entretenimento em uma mensagem, nós vamos perceber. 

 

 Nota final:

Meu carinho por Divergente, especialmente o Filme, e apenas o primeiro, continuam, e provavelmente durarão para sempre. É um filme que eu revisito vez ou outra, e verdadeiramente adoro, é como eu disse, ele tem um talento em gerar em você uma sociedade que você gostaria de ser incluído, entrar em um grupo, com pessoas como você, e a trama ao redor disso também é instigante. Mas bem, podia ser só isso. Nem tudo é pra gerar um reflexão além, e talvez todas as reflexões que precisássemos pudessem ser formadas com uma única história, de um único livro/filme. Nós não precisamos justificar se não temos justificativa.

Apesar disso eu era muito fã. Me lembro de ficar parado, esperar o cinema abrir, para ser o primeiro a comprar o ingresso de Insurgente e poder receber um dos Pôsteres que eram dados aos primeiros da fila. Eu tenho esse Poster até hoje, e eu não odeio Insurgente, não odeio Convergente, reconheço que são bem ruins, mas o carinho continua, e eu com certeza reassistiria todos eles. Como um filme genérico funciona, mas eu não compraria os livros, talvez apenas o primeiro, que é realmente bom, assim como o filme. Veja, eu disse "bom", e não excelente. 

De toda forma, eram temos mais simples, a adolescência.


 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hamnet - A vida é como um palco

Nota: Este texto pode conter spoiler, se visto da perspectiva que analisa algumas questões do filme, enquanto faz reflexões em cima do que foi visto. Quando escrevi ele, eu não estava pensando em analisar visualmente, mas minhas considerações é que este filme é um espetáculo, e que o visual é definitivamente muito impactante. Eu agradeço a Chloé Zhao e sua equipe por isso. A seguir, reflexões, minhas, independente de se você considerar isso um Spoiler ou não.

 

 Eu já tinha a sensação de que este seria um daqueles filmes inesquecíveis, um daqueles que ficam na gente, e um daqueles que fica em mim. Adiei por muito tempo, estava esperando ter a chance desse filme vir para o cinema da minha cidade, mas quando finalmente percebi que não aconteceria, que foi hoje, decidi que o momento havia chegado. Acima destaquei uma imagem sublime, um frame logo do início do filme onde Agnes (Jessie Buckley) está deitada entre as raízes saltadas de uma árvore que mais parece com uma vagina. Quase como se o filme estivesse dando à luz à figura principal de toda essa história. Agnes é uma mulher que emana poesia, fruição. Seus conhecimentos, suas filosofias, o que ela carrega é profundo e lindo, e belo. Agnes está ali, prestes a ser dada a luz, saindo de um lugar intocável, para um mundo cruel.

Enquanto eu assistia a este filme desenvolvi dois questionamentos reflexivos, o primeiro era sobre qual seria o sentido da vida se você não a vive com integridade, se você não pode desposar dela. E isso muito se vem devido ao fato do personagem William, não poder ficar com os filhos. Ele era um homem muito livre que era até tratado por vagabundo, um homem que vivia pelas suas normas, e de repente uma família exigia que ele tornasse-se um "homem" na régua da sociedade, e nos olhos de Agnes, tudo que eu podia ver era "qual o sentido da vida se você não a vive", e por anos deveríamos estar assolados com esta dúvida terrível, o tempo todo, questionando-nos quando teremos um pouco de dignidade, quando finalmente viveremos uma vida integral, uma vida que nos permita deitar entre as raízes saltadas de uma árvore, uma vida que não nos obrigue a ficar distante daqueles que amamos, uma vida que não nos faça nos afastarmos, ou destruirmos aqueles que amamos.

Cidades surgem, que formam sistemas, que prometem dignidade, que prometem proteção, que te cobram em troca da saúde, da segurança, enquanto na verdade é tudo hipotético, nada disso é garantia, então por que nós as sustentamos? Se a vida é uma constante ameaça então por que simplesmente não vivemos a integralidade dessa ameaça até que no fim isto acabe? Há uma super romantização de como a vida deve ser levada, mas na verdade, é tudo uma mentira, mentiras inventadas há tanto tempo que nem ao menos sabemos quem foi (Eu escrevo sobre isso em meu livro de ficção que também não sei quanto tempo levarei para terminar).

Em Hamnet, William perde o filho, não pode nem ao menos se despedir enquanto ele ainda estava vivo, sua esposa Agnes não consegue aceitar que o "papel do homem" que William cumpria era tão violento, que não o permitiu viver os últimos momentos do filho, mas o culpa. É claro que ela odeia aquilo, mas o culpa por se submeter a isso e por não estar lá, e é a partir disso que surgem as reflexões que darão origem aos sentimentos da obra Hamlet de William. É onde William irá retratar como é seu luto, como é se sentir incapaz, e como no fim, apesar de tudo, fica um completo vazio.

Nesta cena, onde William da as suas falas no palco, contracenando com o ator que faz Hamlet, ele como o pai morto de Hamlet, um fantasma, que Paul Mescal chora e sorri, e uma outra reflexão surgiu, chorar e sorrir estão tão próximos um do outro quanto estão distantes. É algo que é preciso desenvolver melhor, mas a princípio, quando você chora você grasna, geme, soluça, grita, quando você ri, você sorri, grita, grasna, ronca. Quando está chorando tudo parece tão ridículo que de um momento para o outro você pode começar a sorrir. Essas atribuições de chorar e sorrir são algo que inventamos, tanto quanto a cidade, ou o papel do homem, tanto quanto os sistemas. Chorar e sorrir são humanos de modo que não há como separar, e não há por quê. Quando se está irritado você pode chorar, mas também sorrir. Chorar está para o sorrir não como a tristeza para a felicidade, os sentimentos não estão relacionados aos atos de chorar ou sorrir, os atos são espontâneos e particulares, os sentimentos são muito mais facilmente decifráveis. Quando eu estou triste eu choro, mas também posso chorar quando estou feliz. Chorar e sorrir estão lado a lado como dois irmãos gêmeos, como vida e morte, não são contrários, são iguais, mas com diferenças de perspectiva.

 

No fim, após aquelas cena super emocionante de Hamlet morrendo no palco, vemos no encerramento, a resposta para o luto de Agnes. Quando o Hamnet pergunta para a mãe sobre o futuro, já que ela tinha aquela clarividência de tocar nas mãos de alguém e ver seu futuro, ela diz que ele era forte, crescido, em Londres, trabalhando com o pai, William, no teatro, e a criança pergunta o que estava fazendo no teatro, e a mãe diz "O que você quer fazer", ele diz que quer ser um dos atores, com uma espada, enfrentando o oponente em cena.

 

 Para mim, eu achei que ela estivesse inventando, meio com a questão de que eu já tinha para mim que o filho iria morrer, isso, acredito é parte da sinopse (apesar de nada te preparar para a cena quando isso acontece), mas a verdade é que ela estava vendo de fato aquilo acontecer, pois a resolução para as perguntas de todos sobre para onde vamos quando a vida acaba, ela irá encontrar apenas mais para frente, na peça. Posso imaginar como ela ficou sem entender nada, quando sua intuição lhe disse aquilo, mas na realidade, seu filho agora estava morto, era, para ela, inacreditável. E então, no fim, enquanto assistia a peça do marido, ela vê o jovem ator interpretando Hamlet, e quanto o personagem morre no palco, atrás, a criança, Hamnet, está diante de um arco que leva para os fundos do palco, aquele era o fim da peça, bem como foi o fim do filme.

Como poderia Agnes enxergar no futuro do filho Hamnet, uma peça que nem poderia ocorrer se ele tivesse continuado vivo. De repente lá está ela, diante da resposta, e William também a encontrar. Hamnet não foi para o céu, ele apenas foi para o fundo do palco, para o backstage, esperar para interpretar o próximo papel, para onde todos os atores vão quando termina seu papel naquela peça. Como poderia vida e morte ser sequencial, e não complementos, iguais, mas diferentes, quando para Hamlet existir, precisou de Hamnet deixar este mundo? Algumas perguntas são muito difíceis, então é mais fácil alegorizar suas respostas. Um palco. Atores. Os fundos. Subimos e descemos do palco, trocamos de papel. O palco continua lá, esperando para nós subirmos novamente. 

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

It: Welcome to Derry - Os adultos não acreditam no inacreditável, a não ser que isso justifique seus preconceitos.

Eu assisti It: Welcome to Derry depois de muito tempo, isso tudo por preconceito. No fundo eu sentia que seria mais do mesmo do que vimos nos filmes, e para ser sincero não sou o maior fã dos filmes de It: A Coisa, então não esperava nada dessa série, mas neste fim de semana de carnaval eu não tinha nada mais para fazer, nada para ver, então decidi que daria uma chance, e como sempre, HBO nunca decepciona, e eles entregam sempre excelência, e eu estava completamente enganado.

Sabe uma coisa que percebi em mim, quase sempre que eu julgo alguma coisa com tanto fervor, essa coisa acaba se revelando uma forte obsessão mais para a frente, por exemplo quando eu era mais novo e julgava homens se beijando, mas de repente homens se beijando são a coisa que eu mais adoro. E acho que já falei aqui em algum outro post, mas Melanie Martinez, Conan Gray, Sombr, todos artistas que eu julguei e depois passei a gostar muito, mas a lista é ainda maior. Há diversas coisas na minha vida que de primeira eu julgo, depois eu me torno obcecado. Bem, foi o caso de It: Welcome to Derry. Essa série não é apenas melhor que os filmes, ela é melhor que a sua principal concorrente do momento: Stranger Things. Enquanto Stranger Things se redirecionou após a primeira temporada, para ser uma série menos violenta, para fazer sucesso com o público infantil, HBO sabe o que tem em mãos, e sabe que ter crianças no elenco NÃO TORNA sua obra INFANTIL. Welcome to Derry é grotesca, profunda, ela usa seu tempo muito bem, coisa que vimos em Stranger Things na primeira temporada. Porém, há uma grande diferença, e como não repetir a mesma história dos filmes, se a história é obviamente sempre a mesma? A Coisa revivendo a cada 27 anos para matar criancinhas, bem, a resposta está na mão: crítica social.

O tópico que eu ressaltei no título dessa publicação já será explicado, pois agora precisa falar da temática de destaque de It: Welcome to Derry, sua crítica social. Essa crítica social é sobre a sociedade dos anos 60, mas também sobre a nossa atual, afinal, parece muito tempo, mas as coisas definitivamente continuam as mesmas, e aos poucos vemos um retrocesso. Aqui em It: Welcome to Derry vamos ver como o racismo é o verdadeiro vilão, ou melhor (ou pior), o capitalismo. O capitalismo comandado por homens brancos. De repente, nessa série, enquanto um palhaço estraçalha crianças, a coisa mais assustadora se torna homens brancos, e céus (!!) essa é realmente a coisa mais assustadora do mundo! Homens são assustadores, homens brancos são mais ainda, homens brancos e heterossexuais são duas vezes piores!

O tópico racial comanda a série nas entrelinhas, até o momento que ele é discutido diretamente, mesmo antes, ele já estava lá, e nós sabíamos. Mas fato é, por isso escolhi o título, os adultos não acreditam nas crianças, e como em toda série, ou filme, com crianças protagonistas, eles tratam o inacreditável como uma besteira infantil, afinal o inacreditável só é crível se isso justificar seus preconceitos. Então se na bíblia está dizendo que homossexuais devem morrer e ir pro inferno, é totalmente crível, e nesse momento, as escritas sem comprovação alguma, são aceitas pelos adultos, mas quando o assunto é UM PALHAÇO MATOU TRÊS CRIANÇAS E ESTÁ MANTENDO OUTRA NO ESGOTO, então não, não acreditamos nisso, claramente foi o homem negro que trabalha no local onde as crianças estavam.

O núcleo indígena é um destaque imenso, especialmente para desenvolver o contexto oculto de toda a trama, uma tentativa de dominação mundial, uma tentativa de dominação através do poder, o poder da Coisa, que entra em conflito com os conhecimentos indígenas que defendem uma herança secreta de manter a Coisa aprisionada em Derry em nome do bem do mundo. Esse núcleo nada sutilmente vai discutir como o governo desrespeitou e segue desrespeitando os conhecimentos indígenas, suas terras e tradições, mesmo quando isso é em defesa de toda a humanidade. Bem, não podemos dizer que isso é tão distante do que nós vivemos. Na série eles defendem o mundo de ser destruído pela Coisa, e no nosso mundo os ideais indígenas defendem o mundo dos avanços do agronegócio, destruições de ecossistemas inteiros, e aquecimento global.

A bíblia em suas um milhão de versões já justificou (e até segue justificando em alguns casos) a misoginia, lgbtqfobia, racismo (acho que segue justificando tudo isso ainda, confere?), uma bíblia que justificou assassinato de povos indígenas, e quem acredita na bíblia, acredita em um deus sem comprovação alguma dele, apesar disso tudo, é mais fácil crer em um deus que nunca se provou, do que nas coisas que uma criança diga a você. E é engraçado, afinal isso é reflexo da nossa realidade. Não precisamos ir longe, apenas tirarmos o palhaço alienígena psicopata. Crianças relatam violência e os adultos ignoram. Crianças demonstram não gostar de alguém, e o adulto não para para se perguntar por quê. Crianças são tratadas como sub-humanos pelos adultos, e é por isso que tudo que é trazido por elas é ignorado. Um dos dez mandamentos é que os filhos devem respeitar os pais, o contrário não precisa acontecer, e talvez por isso o mundo seja uma merda cheio de fudidos, pois um fudido faz um fudido, que faz um fudido, que faz um fudido.

 De repente percebo como este blog se tornou uma verdadeira carta de ódio ao mundo, onde em cada postagem eu critico algo contra a humanidade nojenta que viramos, ou que sempre fomos, e que não conseguimos melhorar. É quase como um incel faria, mas sem ser incel, apenas sendo um pouco niilista demais da conta, e diferente dos incels, eu tenho razão no que estou falando, eles são apenas ridículos haha ^^.

Destaque para a personagem de Taylour Paige que é com certeza a mais interessante, com a atuação impecável e a presença dessa mulher que é simplesmente avassaladora. A personagem na minha opinião mais bem escrita, e especialmente no início. Acho que depois algumas tramas ficam tão maiores e absurdas que esta personagem se torna mais uma mãe, uma simples mãe. Uma mãe como as outras, mas em defesa dela, talvez ela tenha se tornado uma mãe apenas quando a trata necessitava de uma mãe, e essa talvez fosse a única mãe de verdade.

Finalizando gostaria de dizer como HBO é muito boa em pegar clássicos e adaptar seu enredo para um discurso que não poderia ser feito anos atrás. Ninguém falava de racismo, homofobia, misoginia, não tão abertamente. Ninguém mostrava o quão grotesco são as violências que o homem branco hetero comete em nosso mundo, todos sabiam que ocorria, mas ninguém falava delas. HBO fez isso com a incrível, que sempre indico quando posso, Watchmen, fez com Lovecraft Country, e fez aqui com It: Welcome to Derry. Pessoas erradas em toda a história diriam, "Nossa HBO só sabe falar sobre isso", desculpe, se estiver achando tão ruim, revisite seus clássicos com pessoas brancas de destaque. O terror sempre foi crítica social, e agora nós precisamos de terror com pessoas negras, com homossexuais, e não é sobre eles sendo mortos, é sobre o que isso está nos dizendo. Muitas críticas superficiais foram feitas em THEM (que é da Prime Video) quando foi lançado, especialmente em sua segunda temporada, pois eu rebato. THEM não é sobre pessoas negras sendo mortas simplesmente, se você não consegue ver uma pessoa negra para além de seu papel, se você apenas consegue problematizar, não tem por que continuar assistindo obras de terror e dizendo que entendeu algo sobre ela. Não adianta assistir THEM e falar "Eu sei que é sobre racismo mas, precisava tanta violência?". Olhe ao seu redor, o mundo é muito pior com pessoas negras, e veja só temos uma série incrível com pessoas negras protagonizando, e elas não são apenas gados de abate, elas são o discurso completo da obra, elas são uma reflexão muito profunda, e THEM não se limita a uma camada simples do racismo em sua alegoria, especialmente em sua segunda temporada, de verdade, é grotesca, mas por trás daquilo existem discussões sobre o racismo que poucas obras farão.

É claro, este post não é sobre THEM, me estendi um pouco (hehe ':]), mas acho que deu para entender meu ponto. HBO, continue com seu trabalho excelente. E aqueles que criticam as pessoas negras finalmente com destaque em produções de terror, vocês deveriam se perguntar por que não fazem algo para alterar a realidade do mundo para que ele não precise ser tão cruelmente representado nas telas.

 

Aff capitalismo, até quando vou ter que vir aqui para criticar você? Só decepciona caralho.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Amanhecer na Colheita - Continuem com as pequenas revoluções


Eu li Amanhecer na Colheita (um livro que faz parte do universo de Jogos Vorazes) lá no lançamento, comprei na pré-venda, pois eu tinha condições, e que sensação especial é ter o seu próprio dinheiro para conseguir comprar um livro de algo que você ama na pré-venda, porém percebi que algumas reflexões sobre este livro só estão chegando a bater em mim neste momento.

Quando eu li ele me emocionei bastante, o que denota um grande talento da autora em nos deixar absortos na história ao ponto de, mesmo já sabendo do final, nos vincularmos, esquecermos, e nos surpreendermos e nos emocionarmos com ela.

Aqui vamos acompanhar Haymitch quando participou da sua edição de Jogos Vorazes, que agora me esqueci exatamente, mas acho que é a edição de número 50, e é um massacre quaternário (a cada 25 edições, acontece um massacre quaternário com regras únicas, especiais, diferentonas). Nessa edição o destaque será que ao invés de apenas 2 tributos de cada distrito, terão 4, duas meninas e dois meninos.

Quando a grandiosa Suzanne Collins nos disse lá atrás que não escreveria uma história de Jogos Vorazes a menos que ela tivesse algo a dizer, ela falava sério. Um tempo atrás ela nos apresentou o excepcional "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes", que na minha opinião é o melhor livro de todos, e lá ela queria discutir diversas coisas, mas seu objetivo principal certamente era nos mostrar que o sistema corrompe, o sistema faz das pessoas o que elas são. E não é sobre como o presidente Snow era inocente e se tornou um ditador, mas como uma criança traumatizada, adapta-se à sua realidade, em busca de um objetivo, desenvolve uma mania de grandeza, como o nosso sistema tira a humanidade das pessoas, ao ponto do oprimido tornar-se opressor. A discussão é ampla, mas o fato é: Snow não é um coitadinho, ele fez suas escolhas, ele sentiu o poder e gostou de estar no topo, e todos aqueles que acharam que este livro era uma romantização de um ditador, se enganaram, e àqueles que desistiram da leitura, meus pêsames, pois A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é o mais complexo e profundo livro de Suzanne Collins. Todos nesse mundo tem um passado terrível, mas Jogos Vorazes é sobre aqueles que não deixaram seu passado terrível vencer, e neste livro ela apresentou o outro lado da moeda.

Aqui, em Amanhecer na Colheita, nossa autora vem com uma história que é com certeza mais conhecida, afinal o Haymitch é muito recorrente nos livros de Jogos Vorazes, diferente de Snow, que é muito mais misterioso sobre tudo. Então nós definitivamente já conhecíamos grande parte dessa história, mas há sempre como se surpreender, e de fato, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes precisava vir antes desse, pois aqui temos grandes referências à icônica presença, à arrebatadora presença de Lucy Gray, nossa mocinha do livro anterior.

Suzanne Collins prometeu, ela não escreveria se não tivesse nada a falar, mas ela tinha. Em alguns momentos pode até parecer explícito demais. Pode parecer que ela está forçando apenas como justificativa, pelo modo que ela escancara como as coisas são feitas aqui. Mas assim como tivemos um choque com o modo que os Jogos eram conduzidos no livro anterior, desse para o de Katniss são 25 anos, então há muito chão para as coisas ficarem mais "maquiadas".


O tema da vez é principalmente a propaganda para as massas, e como ela foi certeira. Eu diria que
Suzanne é até um pouco à frente do tempo, mas tudo bem, ela apenas leu o cenário, como uma figura imersa em questões políticas, no avanço que a desinformação estaria nos tempos atuais. Ela fez este livro inspirado nos resultados das campanhas de Donald Trump, e sua estratégia de propagandas envolvendo Facebook e toda aquela bomba que estourou uns anos atrás. A fake news. E gente, como é uma visão perfeita do mundo em que vivemos. Na verdade não há mistério, Suzanne escreve sobre o que já ocorreu muitas vezes, como no próprio fascismo alemão, a propagando política vende a violência como banalidade, orgulhosamente. E veja a situação dos Estados Unidos na atualidade, campos de concentração, sequestros, desaparecimentos, crianças arrancadas dos pais, absolutamente tudo que sempre foi considerado condenável está ocorrendo diante de nossos olhos, e lembram-se do velho discurso que nós costumávamos dizer de que "Se o Nazismo fosse nos tempos atuais, como toda a mídia, não teria ido tão longe, pois todos nós saberíamos imediatamente e o mundo não permitiria". Bem, os Estados Unidos está indo longe demais, em seu país e nos outros (Israel X Palestina), e mesmo com toda a mídia, nós não fazemos nada. E apesar de tudo isso, Donald Trump é um herói nacional para grande parte de sua população. Os Estados Unidos vende-se como uma grande nação, aberta para os fudidos que queiram vir construir seu sonho, depois de usá-los por anos para alavancar sua economia escravocrata com a mão de obra, não é nem barata, miserável, agora os fudidos viram suas criações de cativeiro. Os Estados Unidos são os heróis intocáveis apesar de tudo, por sua propaganda, sua história inteira é em cima disso, e isso, esse livro vai escancarar.

Nós somos aqui surpreendidos, pois diferente de Katniss que aceita seu papel e vira quase como apenas mais uma (no primeiro livro), aqui temos Haymitch que é lançado em uma confusão que acarreta em sua seleção como tributo pelo distrito 12. Os detalhes dessa confusão são ocultados pela mídia, mascarados, refilmados, tudo vira um grande teatro, mas vender ao povo que a capital está controlando, que ninguém está se revoltando, que todos aceitam seu destino pois é assim que as coisas são. E quando nós vemos esse ponto de visto, quando Haymitch adentra nisso, então tudo passa a ser sobre isso, como a capital está o tempo todo mascarando.

Autora dos livros, Suzanne Collins
Eu não quero dar spoilers, mas vou falar o que já está claro, Haymitch vai sim vencer os Jogos Vorazes, e não é como nós esperamos, e assim como Katniss começa uma revolução, Haymitch se envolve aqui nesse livro em uma armação que tenta ser o início da revolução. A gente sabe, de algum jeito isso vai dar errado, afinal a revolução só acontece de fato lá nos Jogos Vorazes de Katniss, 25 anos depois, os detalhes estão no livro, mas gostaria de pontuar como este livro faz a gente acreditar que algo vai acontecer, para no fim não acontecer, como mencionei, e que apesar disso, ele nos deixa uma lição: as pequenas revoluções são importantes.

Lá atrás, com Lucy Gray, no livro da Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, ela também é uma revolucionária, uma pequena, fator esse que também contribui para ela ser apagada da história, completamente (exceto da mente de Snow), e aqui em Amanhecer na Colheita, mesmo com a revolução não se concretizando, temos vários personagens que saem dessa história com as sequelas de uma pequena revolução. Personagens estes que seguem vivos, são eles que iniciam, e que continuam seu projeto para derrubar a capital 25 anos mais pra frente. A revolução não aconteceu por causa de Katniss Everdeen. No livro sobre Snow, nos é dito que os Gaios Tagarelas começaram a procriar com as fêmeas de Tordo, e os filhos que nasciam eram uma mistura entre o Tordo e o Gaio, ele repetia, mas não era controlado pela capital, ele falava, mas fora de controle, e por isso ele precisava ser eliminado. Se você deixa um revolucionário vivo, então ele vai continuar falando, sua mensagem vai continuar viva. Se o revolucionário passa sua mensagem, então já há uma geração inteira de revolucionários para que você precise eliminar. O problema já era antigo, e aqui nós temos um grande feito, mas a capital erra quando ela apenas pune aqueles envolvidos na micro revolução, punir traumatiza, mas não existe traumatizado que em um sopro de coragem não se torne um vingativo revolucionário, e o resultado vamos encontrar nos livros de Katniss Everdeen.

 
Trago tudo isso para falar de um outro assunto, para finalizar. Um assunto que assola a atualidade.
Como já deu para perceber, nosso mundo é uma bagunça, as pessoas não estudam a história e a repetem. Bom, finalmente chegamos a algo inédito, algo que só existia na ficção científica, a Inteligência Artificial. Esse discurso de pequenas revoluções é um perigo, e no fundo uma grande inutilidade diante da alienação proposta pelo capitalismo, vimos isso como o veganismo, que propõe um mundo como pelo menos uma redução do consumo animal, mas que claro, afeta os lucros do capitalismo, portanto não entra em vigor, apesar disso os agentes da causa continuam, é uma micro revolução em nome da proteção não apenas dos animais, mas do planeta. Agora, diante da inteligência artificial, não utilizar ela é uma micro revolução. A inteligência artificial é uma brincadeira, ela é

divertida, ela oferece um resultado rápido para algo que leva muito tempo, mas ela também te emburrece, te atrasa, te afasta da experiência e da reflexão, e novamente isso é lucrativo para o capitalismo. Quanto mais burro você é, melhor. Então agora a inteligência artificial está em tudo. Ela era legal quando decidia o algoritmo do Spotify, do Youtube, mas agora todas as redes sociais tem uma inteligência artificial que TE USA para se aperfeiçoar. Produtos que chegaram gratuitamente, te usaram e agora são pagos, pois se aperfeiçoaram graças a você, como é caso do MidJourney, Suno, Chat GPT, mas o pior são as inteligências artificiais que programam, que hackeiam, que invadem sua vida. Você não tem acesso a essas IA's, mas elas estão cada vez melhores. Tudo isso, a custo de uma causa que o veganismo já vinha lutando lá atrás, a custo do planeta. A inteligência artificial, a tecnologia do momento, usa muita água, e detalhe muito importante, todos os outros responsáveis pelo aquecimento global CONTINUAM EM VIGOR, absolutamente nada foi mudado nesse quesito, estamos apenas pioram. E essa tecnologia precisa de minérios, terras raras, para se aperfeiçoar, motivo, aliás, pelo qual os Estados Unidos invadiu a Venezuela. Quanto tempo até o Brasil ser o próximo. Há alguns anos acompanhamos os Europeus invadirem o mundo inteiro, pois haviam esgotado seus recursos naturais, agora estamos vendo isso acontecer novamente, e apesar da falsa politicamente, nada nos protege, o mundo continua sendo dos poderosos. Estados Unidos continuam fazendo o que sempre fizeram, e de repente os Europeus se tornaram até os bonzinhos que também estão sendo ameaçados, mas não se engane, afinal eles estão apenas se protegendo, e aliás, o povo branco dos Estados Unidos, nada mais são que europeus que criaram um forte vínculo nacionalista com o seu "Novo Mundo".

O livro Amanhecer na Colheita se faz sim, mais presente do que nunca, pois estas pequenas revoluções, seja qual for, que nós implementamos nas nossas vidas, são responsáveis por este mundo ainda não ter colapsado. Nós não permitimos que eles façam tudo, apesar de eles tentarem, e a mensagem deste livro é clara e emocionante: mesmo que te tirem tudo, mantenha-se firme, mantenha-se no que acredita, pois um dia o que é deles irá chegar.


Nota: Perdão pelo imenso texto sobre IA, EUA, etc, é só por que é mais uma leitura que consigo fazer após uma série de reflexões que vim tendo. Continuem suas pequenas revoluções, mesmo que ela seja, sei lá, não ir à academia diante da sociedade da exposição que INSISTE que você faça academia em troca da "sua melhor versão". Estou sendo totalmente hipócrita aqui, eu odeio academia, mas estou indo neste momento, eu realmente quero ser adorado na internet por ter um corpo, já que ter todo este conhecimento reflexivo depositado neste blog não está exatamente fazendo algo por mim neste mundo escroto, e apesar disso eu insisto que não vá na academia, não seja fraco como eu. Eu uso a IA às vezes também, e apesar disso insisto, não faça como eu. Eu estou fazendo o melhor para parar com a IA o máximo que dá. E eu NÃO, NÃO vou comprar o seu maldito produto que você está anunciando INCANSAVELMENTE  EM TODAS AS BRECHAS DA PORRA DO BIG BROTHER BRASIL. YAY! PEQUENAS REVOLUÇÕES PORRA! É DISSO QUE ESTOU FALANDO. Enfim, vamos fazer o que podemos. Uma delas é escrever em um blog enquanto todos gravam no tiktok. Vejo vocês na próxima. Sigam firmes. 

Mentiras que Contamos

Eu li este livro já tem um bom tempo. Pra falar a verdade não me recordo exatamente se foi em 2024 ou 2025, mas hoje, em 2026 eu assisti ao ...