Quando eu estou triste eu volto para aqui, para escrever. Eu parei de divulgar. Antigamente, quando eu escrevia nesse blog, eu pensava em divulgar, talvez alguém lesse. Algumas pessoas liam, mas a verdade é que quando estou triste, triste mesmo, não consigo jogar, não consigo conversar, não consigo me distrair, só consigo escrever, e isso me deixa melhor. Escrever é conversar comigo mesmo, e é o que eu venho fazer aqui, falar comigo mesmo, portanto não preciso divulgar meus pensamentos. Se alguém ler, tudo bem, mas já não preciso mais.
Recentemente tudo que eu tenho assistido tem me deixado emotivo, triste mesmo. É como se eu já estive triste, e tudo ativa um gatilho que me deixa fisicamente destroçado.
Hoje assisti Meu Pé de Laranja-Lima.
Quando eu era mais novo, minha mãe falava sobre este livro, e como era um dos seus livros favoritos, e ela queria que eu lesse, mas crianças não querem ler, e honestamente, por que as pessoas indicam um livro desses para crianças? Se este livro está sendo vendido como infanto-juvenil, e nele contém a mesma história do filme, o que você quer passar para uma criança com ele?
Minha mãe dizia que era uma história linda, mas o que tem de lindo na história de um garoto que sofre, que apanha, que é isolado, perde as pessoas que o ama enquanto fala com um pé de laranja-lima, perdido em seus pensamentos.
O que mais me deixa triste nesse filme é que os adultos parece que esqueceram o que é ser criança, e quando uma criança está imaginando, brincando sozinha, tentando por um momento criar um mundo incrível em sua cabeça, os adultos falam que elas estão erradas. Qual o problema de utilizar a imaginação um pouco? Por isso tantas pessoas hoje em dia não tem um pingo de criatividade, por que tiveram sua imaginação reprimida. Por que se seu filho está brincando sozinho, falando sozinho, você se envergonha. As coisas mais maravilhosas vêm de falar consigo mesmo, no seu próprio mundo.
Talvez os adultos só simplesmente não aguentem uma criança vivendo em seu mundo perfeito de imaginação, por que no fundo eles gostariam de fazer o mesmo, mas não conseguem. Não podem. Deixe as crianças sonharem, enquanto podem, pelo amor de Deus!
Talvez tenha sido impressão minha, mas senti que muito do que o garoto faz é para chamar a atenção das pessoas ao redor. Ele até gosta de se aventurar com sua árvore, mas ele gostaria muito mais de um pai atencioso e carinhoso, uma mãe presente, irmãos parceiros, pessoas gentis ao seu redor. A prova é que ele abandona o seu pé de laranja-lima quando o personagem Portuga da para ele um pouco de atenção, carinho, importância, relevância, reconhecimento.
Crianças exigem tão pouco para se sentirem felizes, tão, tão pouco. Talvez seja o caso de entrar no mundo de fantasia de uma criança. Talvez um adulto não consiga mais fazer o seu próprio mundo, mas o Portuga, vê no garoto uma oportunidade de ter o gostinho de um mundo fantasioso e maravilhoso, e ali, na companhia de uma criança ele tem seus últimos momentos feliz, enquanto promove àquela criança também algumas experiências felizes.
Há grandes chances de eu ter feito um enorme desabafo com o que escrevi aqui, mas é o que penso. E hoje poucas crianças imaginam, pois os pais, desesperados por se livrarem delas, entregam um smartphone, com experiências que elas assistem ao invés de visualizarem.
5/5
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