quinta-feira, 21 de abril de 2022

Noite Passada em Soho ~ O perturbador mundo dos sonhos destroçados

 


Eu fui assistir a esse filme com um pouco de pé atrás. Algumas pessoas já haviam me falados coisas ruins sobre ele, o que me deixou frustrado, pois eu tinha a expectativa alta, mas é como dizem, não confie nos outros. Talvez o filme fale um pouco disso também, só que em um sentido muito mais pesado quanto uma simples opinião pessoal sobre um filme. De qualquer forma, Noite Passada em Soho (Last Night in Soho) foi um filme para mim, que é incrível, porém, sinto que o final pode decepcionar um pouco, principalmente na dramatização dos fatos, que parece exagerada. Ao mesmo tempo, entendo as referências à forma de filmagem de filmes antigos em cenas de violência ou de tontura, perseguição. Então mesmo que essa sequência de cenas no fim do filme seja um pouco estranha diante do direcionamento do resto do filme, eu compreendo, e aceito, e o filme não perde seu mérito.

Esse artigo contém spoilers.

Neste artigo eu irei compartilhar, sem poupar detalhes, todas as minhas observações que fiz durante o filme, as mensagens, da maneira que eu o interpretei. Independentemente da intenção dos autores, a minha interpretação será absoluta aqui.

Acho que Noite Passada em Soho, trás tantas nuances que é bem difícil comentar, pois do começo para o meio você tem uma interpretação, e do meio para o fim, essas interpretações de expandem para coisas muito mais sombrias, pesadas. Mas para facilitar, irei dividir aqui em camadas. Mesmo dividindo, talvez fique ainda um pouco complexo, principalmente se considerarmos que toda essa situação que ocorre no filme é devido à sensibilidade com o mundo espiritual que a personagem Eloise possui.

Admiração hipnótica?


Desde o início do filme uma pergunta ressoou para mim, "Como é ser um espectro na vida de outra pessoa?". Eu imaginei que o filme era muito mais sobre isso, a perda de identidade diante essa espécie de "admiração hipnótica" que se tem pelo modo de vida de outra pessoa (o filme prova-se ser muito além disso).

Em todo o primeiro momento do filme, quando Eloise é apresentada a Sandie, uma mulher linda, na moda, vivendo nos anos 60, época a qual Ellie tem bastante apreço, a garota sente-se influenciada a ser mais como a outra, seja pelo jeito despojado de Sandie, ou sua segurança em si mesma, algo naquela jovem loira atrai a atenção de Eloise. Uma espécie de admiração, quase como uma paixão, mas muito mais um apreço pela forma de portar-se, se ser, da outra. Isso fica tão evidente, quando todos os planos de Ellie são voltar logo para casa para ser uma mera observadora da vida daquela outra pessoa.

Eu facilmente traçaria uma alegoria às digital influencers da atualidade, que alimentam as redes sociais com suas memórias forjadas, apenas para que outras pessoas olhem, se imaginem como ela, desejem sê-la, a admirem, chegando até ao ponto de algumas dessas pessoas viverem para se tornar algo semelhante, mesmo sabendo que jamais poderão ser ela. Mudança de aparência, personalidade, moda.

Até que ponto a admiração é saudável?

Durante essa parte do filme comecei a me questionar, afinal, às vezes quando você quer ser alguém, admira alguém, nem sempre é inveja do que essa pessoa tem, mas talvez, uma paixão por essa pessoa. Eu posso dizer isso muito bem, e acho que principalmente, jovens LGBTQIA+ vão entender. O apreço que se tem por alguém, geralmente do mesmo sexo, que você pensa ser uma admiração, um vontade de querer ser como aquela pessoa, apenas para não admitir que está apaixonado.

Embora todas essa interpretações possíveis, o filme não segue exatamente para esse lado. Essa mudança do filme faz me lembrar de O Cisne Negro, onde a personagem principal quer tanto se aproximar da perfeição que toda a trama entra em um estado sobrenatural. Os dois filmes não tem muito a ver, mas essa mudança, e foco em elementos que parecem sobrenatural, pelo menos aqui em Noite Passada em Soho, é real, e torna-se o foco.

Antes de seguirmos até à sequência dos fatos, eu gostaria de falar sobre o fato da presença da mãe da Eloise estar presente com ela durante o início e até no final do filme. Se ela notasse que a presença da mãe dela não era um sinal ruim, e sim um bom, talvez tivesse saído daquela casa onde todas aquelas desgraças passaram a atormentá-la.

Porém, a realidade encantadora da vida de Sandie, que é usada para conquistar a atenção de Eloise, abafa tal pensamento, algo que ela só percebe no fim, quando sua mãe volta a acompanhá-la.

A humilhante realidade

Chegamos ao ponto do filme onde Soho revela sua verdadeira face. A fábula colorida e vibrante dos anos 60 cai diante do colo de Eloise tanto quanto de Sandie, que encontra-se no meio de violência, drogas, vícios, prostituição, sexo. Soho que parecia um conto de fadas se torna um pesadelo.

Como o mundo pode destruir os sonhos de uma jovem mulher sonhadora, falando sobre o filme, é claro, pois sabemos muito bem que o mundo é capaz de destruir os sonhos de qualquer um. Mas diante da situação, Sandie acaba envolvidade em uma Soho que quer dela apenas a sua beleza, o seu corpo, mas não deseja ouvir os sonhos, e se os escuta, não os deseja. Soho mostra-se um lugar perfeito para destruir todos aqueles que não sabem exatamente como o mundo funciona.

O que me leva a um outro ponto, o que a prostituição impõem às mulheres.

Por que prostituição é uma opção, no mundo real mesmo? Por que sempre houve essa submissão de desejos, onde uma mulher tem sempre a opção de tornar-se objeto sexual para homens? Ninguém jamais pensaria em se prostituir se os homens não fossem sádicos o bastante para pagarem por uma relação íntima carnal. É algo tão feral imaginar que algo como isso vem desde muito, muito tempo atrás, e que se estabiliza até hoje em dia, e torna-se cada vez mais fácil vender o seu corpo. O mais interessante em pensar sobre isso, em relação aos dias de hoje, é que as pessoas estão começando a naturalizar algo que de forma alguma deveria ser normal, mas que se está começando a pensar assim, por que a prostituição já está como fonte de trabalho há tanto tempo, que era de se esperar.

Quando falo de prostituição, falo também da prostituição digital. Essa venda, essa exposição do corpo, essa imposição de desejos sobre o corpo constante, a alimentação de vozes anônimas da internet, parece que tudo isso, a naturalização de tudo isso começa a despertar o desejo, até em que nunca desejou se mostrar, por soltar trechos nus de seu corpo anonimamente na internet, como alguém que joga pães para pombos nojentos em uma praça.

Essa relação de satisfação por ser admirada, desejada até, foi naturalizada, e a prostituição hoje em dia está caminhando para um pouco tão normal que nem sabemos se é possível chamar assim mais. Mas e as consequências?

Em Noite Passada em Soho, após entrar neste mundo, a personagem da Sandie vê-se rendida, onde a recompensa são seus próprios sonhos, amarrados num topo de uma árvore muito alta, onde a única forma de alcançar é escalar, não sei, talvez na pilha de corpos de homens mortos que ela mesma tenha que matar.

A morte da alma

Sandie torna-se uma assassina, e é quase que injusto julgá-la. Tudo o que ela fez foi confiar em um homem que a prometeu a vida, mas tudo o que a oferecia de verdade era a morte. A morte da alma pode ser cruel, pode ser sem volta. Mesmo que Sandie resolva se livrar os demônios que entraram em sua vida após ela oferecer sua vida ao diabo, os sonhos que ele amarrou no topo de uma árvore bem alta, bem, estes sonhos já se foram.

É como dizem, sonhos só estão vivos em pessoas com almas. As pessoas sem almas vagam perdidas, buscando passar o tempo. Buscando passar muito tempo, tanto tempo, fingindo esquecer onde deixou sua alma, afinal, se lembrar é doloroso.

No final o filme mesmo parece colocar os estupradores de alma de Sandie como os mocinhos, os merecedores de alguma ajuda ou perdão. Como os homens são fracos não é? Eles se sentem no direito de destruir a vida de uma mulher, eles em momento algum pensaram "talvez ser prostituta não seja exatamente o sonho da vida dela", mas no final, temos homens implorando por misericórdia, a misericórdia de uma mulher. NÃO!

Eloise, mesmo apavorada, ela entende, e nesse ponto não sabemos se qualquer pessoa seria capaz de aceitar os motivos, ou compreender, mas Ellie viveu no corpo de Sandie, ela presenciou, ela sentiu todos os fragmentos de alma despedaçados que vagavam naquele quarto, todos eles se repartindo um a um. É bem mais fácil entender o ponto dos outros quando se está na pele deles.

Definitivamente não estou aqui defendendo homicídio, mas uma mulher teve sua alma dilacerada por todos aqueles homens, e tudo o que ela fez foi tirar a alma deles também. Me parece uma troca justa.

É por isso que volto ao ponto da prostituição, e como absolutamente ninguém gostaria de estar nessa. E mesmo com toda essa normalização da exposição virtual, ainda assim, ainda há motivos. Um dia, essa criança teve um sonho, ser uma grande cantora em Londres, e que ela só alcançaria daquela maneira, talvez se a dissessem que ela nunca alcançaria, talvez a oferecessem essa maneira de todo jeito, ela aceitaria possivelmente, afinal, ela já estava ali, ela já não tinha mais seus sonhos, então onde mais ela iria para se reconfortar?


Considerações finais

Eu encerro com as minhas considerações finais, apenas querendo dizer que em momento algum esse texto trata-se de uma crítica a quem se prostitui, jamais, é uma crítica à prostituição, e principalmente ao mundo dos homens onde vivemos, homens nojentos, grotescos, que criaram uma rede de "prazer" para eles, onde depositam suas frustações ao preço da vida de outras pessoas. Não há sequer uma pessoa com um pingo de humanidade que apoie a prostituição, e coisas semelhantes. Todo esse império nojento, capitalista, que começa em algo até bem simples, evoluiu, e estamos aqui falando de tráfico infantil, de mulheres, de pessoas, de órgãos, e sabemos um tudo isso está relacionado. A verdade que todo esse mundo nojento é muito mais sobre o dinheiro que os homens recebem do que sobre o prazer. O prazer de destruir a vida das pessoas. Pessoas cruéis, que não são humanas, elas se aproveitam das outras, ela usam, vendem as outras. Como alguém pode não ter um único pingo de sensibilidade, de humanidade? Como alguém consegue viver em um mundo de morte como esses e não sentir nada.

Novamente, não é sobre quem se prostitui, é sobre todo o mundo sombrio que a maior parte das pessoas sabe que existe, mas não se importa enquanto não o atinge.

Noite Passada em Soho, definitivamente não é sobre tudo isso, mas com assuntos assim tão pesados sendo tratados, há de levantar a reflexão. Onde estão escondidos os homens que devoram as almas das pessoas e nunca são punidos?

5/5



quarta-feira, 20 de abril de 2022

O Segredo Além do Jardim

 Eu prometi, eu prometi fazer um post dedicado a Metal Lords, e ele vai rolar, afinal, foi um filme que me agradou incrivelmente, mas estou dando um tempo, pois quero reassistí-lo para anotar tudo o que eu quero falar sobre aquela maravilha. Nesse meio tempo, acabou de eu assistir, junto de um amigo, Over The Garden Wall, ou O Segredo Além do Jardim.

Esta animação já estava na minha lista de prioridades há muito, muito tempo, e para a minha surpresa, meu amigo me chamou para assistir com ele, pois eu não tinha acesso ao HBO MAX. É uma animação tão antiga, e eu juro, quem revela spoiler disso merece coisas dolorosas, das quais não vou citar, mas é o seguinte, eu falarei spoiler talvez, mas só pro final, e avisarei.


O Segredo Além do Jardim, que nos faz acompanhar esses irmãos estranhos, mas fofos demais, juntos de seu sapo e uma passarinha, em uma jornada em busca de encontrar o caminho de casa. A premissa é simples, e curiosa. Os episódios são curtinhos, 10 minutos, e apenas 10 episódios, e mesmo assim, a trata caminha diretamente para onde ela quer chegar, e nesse caso, embora linear e sem enrolar, eu não posso dizer que a trama desse desenho é "linear" de fato. Se tem algo que não é, é linear.
Todo tipo de criatura e situação bizarra que aparece, que me faz questionar se o público-alvo em algum momento foi infantil. Embora a linguagem seja infantil, e as situações não sejam tão apavorantes, pois já imaginamos que os protagonistas (de um desenho infantil) não irão morrer, ainda sim, todo o clima, ambientação, tudo é feito de forma apavorante, e com maestria.


Eu estou falando demais, enrolando demais, mas é que de fato, o desenho entrega absolutamente tudo. Ele se propõem a ter dois irmãos procurando o caminho para casa, e no fim das contas é isso o que eles fazem. Todos os 10 episódios são sobre eles procurando uma forma de voltar para casa. E eles se desentendem, pois são diferentes, e por serem de pais diferentes, um dos irmãos parece não entender completamente o outro. E mesmo com todos os problema, eles se unem para encontrar o caminho, e acabam até ajudando as pessoas que encontraram durante sua busca.


De qualquer forma, minhas considerações finais é que esse desenho deve ser visto por mais pessoas. Ele é muito bem feito, muito divertido para o público adulto também, uma beleza. Seria até estranho dizer, mas ele é reconfortante no desconforto, e isso é algo que parece muito difícil.

Agora vou falar algumas coisas mais profundas que podem ser spoiler, e algumas até serão, então, não continue lendo esse artigo. Até mais!


É impressionante como uma trama bem construída é notável e faz total diferença em uma produção. Quando você produz algo com começo, meio e fim, você impõem limites, você não se propõem a enrolar a trama, a estender algo que já poderia ser finalizado antes. E é o que acontece aqui em Over The Garden Wall.
Tudo que é proposto, tem seu desenvolvimento e sua finalização, e mais interessante, não é deixado tudo para o final.
Uma coisa simples é explicar tudo como um sonho, um delírio, ou uma esquizofrenia paranoica de um personagem, a gente já viu milhares de teorias por aí que transformam literalmente qualquer história de fantasia em um sonho, ou coisa semelhante, vivido pelo protagonista. Neste caso, podemos dizer que esse recurso é utilizado, mas não exatamente.
Como vemos no final, toda aquela jornada parece ter se passado nos poucos segundos em que os irmãos caíram no lago atrás do cemitério, que se não me engano tem "Garden" no nome, algo do tipo, o que faz todo sentido para o nome da série.


O que eu imagino que tenha acontecido com os irmãos, é que quando falam de "encontrar o caminho de casa", é por que estão vivendo uma experiência de quase morte, em um mundo fantasioso, místico, uma dimensão real, entre a vida e a morte. Algo que parece comprovar, para mim, é justamente eles surgirem DO NADA no primeiro capítulo. Em um momento estava rolando algo e do nada os meninos surgem. Eles se perderam de seus corpos, mas se ficarem ali morreram, precisam encontrar o caminho de suas casas.A prova de que a experiência foi em um plano real é nos objetos que eles trazem do mundo mágico para a terra.


Eu não pesquisei muito depois de assistir, mas talvez tenha algum significado por trás de cada episódio, ou se não, eram apenas aventuras aleatórias, o que duvido muito, visto que a trama é perfeitamente finalizada.


O que posso dizer, na minha opinião pessoal, é que é uma obra-prima. Me inspirou muito, e principalmente a trabalhar cenários. O clima da série é muito agradável e muito lindo. Como eu disse, reconfortantemente desconfortável. É estranho falar desse desenho, pois eu acho que todo mundo já viu, pois é antigo até, mas como foi algo pessoal, e como este blog não é profissional, eu acho que eu precisava falar, para registrar mesmo, essa foi uma experiência maravilhosa.



5/5



sábado, 9 de abril de 2022

Ainda estou aqui - Romance com potencial desperdiçado

 


Então vou falar sobre mais um filme de romance. Diferente de alguns outros, ele é bem interessante. Para ser sincero, raramente filmes de romance me mantém tão preso a eles, e esse aqui pode até se tornar algo genérico com o decorrer da trama, mas tem um dos inícios mais instigantes que já assisti.

Vou começar falando sobre o principal defeito do filme, ele tem um fenômeno paranormal. Não seria um problema se fosse bem executado, como acontece em "Se eu ficar", mas aqui nesse filme, isso faz ele se tornar uma obra bem inferior.

A beleza do filme está talvez nos primeiros 20 ou 30 minutos. O início artístico do filme, perder essa técnica, perder os olhares bem apontados do início, faz a qualidade cair muito do meio para o final, sinceramente, ainda mais quando executa mal o paranormal. O filme perdeu a oportunidade de ser um filme extremamente artístico. Ele tem tantos detalhes que não estão lá por acaso, e esses detalhes vão sendo abandonados. O paranormal e o romance acabam se tornando genéricos e voltados para a popularização do filme. Outro detalhe que contribui é a trama adolescente, sendo que os personagens são muito profundos e maduros, não parecem adolescente, e essa trama parece ser forçada apenas, novamente para popularizar o filme.

Na primeira cena do "passado" a Tessa sai para caminhar e fotografar, pois ela ama o "a luz da manhã",


e quando ela chega no farol, fotografa justamente aquele garoto que viria a se tornar uma luz em sua vida, algo que abre os olhares dela, que muda forma que ela fotografa.

Algo interessante a se reparar é que parece ser um trocadilho com o apelido do Skylar, Sky, em todas as cenas com ele é importante reparar no céu.

A primeira cena é a manhã, um primeiro raiar do dia, o primeiro momento, é quando tudo começa. A maioria das cenas são quentes, no pôr do sol, alaranjado, aconchegantes. Quando o Skylar está irritado sempre está tendo uma tempestade. Quando a Tessa está contando detalhes do passado triste dela, sempre está de noite.

Há um momento onde o Skylar e a Tessa estão na praia, e o céu está nublado, e quando se beijam, tudo aquilo é esquecido, começa uma chuva de fogos de artifício, como se estivesse indicando que mesmo com as chateações na cabeça do Skylar, a garota podia fazer ele explodir de outra emoções.

Tudo o que estou falando é só para indicar a minha revolta quanto a parte artística do filme. Toda a delicadeza das cenas, tudo isso se perde do meio para o final, e ao reforçar as cenas de paranormal, principalmente quando não são de maneiras sutis. O grande acerto de "Se eu ficar" é a sutileza nas cenas paranormais, o que não acontece aqui. Elas são influentes demais na trama, não afetam só a Tessa, afetam tudo ao redor dela.

A escolha da trilha sonora em alguns momentos também é muito ruim. Se o filme quisesse fazer algo artístico mesmo, ele apostaria em trilhas sonoras que não fossem cantadas, que não tivessem sido selecionadas para aqueles momentos, apenas para ilustrar. Eles fariam suas próprias trilhas e intensificariam a beleza das cenas, os olhares profundos da câmera, referenciando a captação de momentos únicos que a Tessa faz com sua câmera. Mas novamente, o filme quer se vender para o público geral. Ele quer ser consumido por adolescentes.

Com uma ressalva para a música que ela escolhe na caixa de fitas, aquela não é algo aleatório, faz sentido estar na cena.

Tem personagens maduros e complexos, um início muito bem feito, mas quer se vender. Por quê Netflix? Por quê? Não tinha a menor necessidade.

De qualquer forma, esse é o fim de uma crítica formal sobre esse filme, e agora farei apenas algumas observações pessoais.

A minha cena favorita desse filme é boba, é quando ele interrompe a risadinha dela com um beijo, eu sinto que me identifiquei com esse personagem. A verdade é que eu sinto que é algo que eu faria, e que na verdade eu já fiz, isso talvez tenha me trazido boas lembranças. Eu acho que um beijo inesperado é uma das melhores coisas, óbvio, quando há uma química rolando, não to falando de assédio aqui.

Interessante também a cena quando eles estão discutindo na galeria, onde é tudo silencioso enquanto a cena está dentro da galeria, e quando vai para eles, tem um apito de trem, acho, dividindo espaço com a gritaria deles dois. De certa forma, eu entendo ela, aquilo é um presente, não é uma fotografia aleatória, era especial para ela, e ela está dando para ele, ela não quer vender. E esse filme tem cenas de simplicidade como essa, novamente, potencial desperdiçado.

Um cena simples, que já citei, é a da caixa de fitas. É interessante como eles falam sobre as fitas, e é interessante como o lance retrô e pessoal está envolto no filme. Tanto nas fitas que são algo íntimo,


especial, uma seleção única de músicas de amor, algo que uma pessoa deu para a outra como demonstração de sua paixão, tanto como a Tessa usa sua câmera antiga, com filme, para captar as imagens, da maneira dela, e ela tem os momentos dela com seu quarto escuro, revelando cada uma de suas fotos. É uma simplicidade, nostálgica, que faz até mal quando você para para reparar que esta simplicidade, esta intimidade, ao presentear, ao fotografar, ao apreciar os momentos, isso tudo está cada vez mais se perdendo.

E como eu disse. O filme tem um potencial tão grande nos detalhes que trás, porém, ele perde essa riqueza quando quer trazer cenas populares, músicas aleatórias para cenas. Quando explica demais situações, quando insere diálogos quando poderia dar oportunidades a encenações silenciosas e bem feitas. É um potencial desperdiçado. Eu não me surpreenderia se soubesse que a direção mudou do começo para o meio e o fim. São momentos completamente distintos do filme.

Acho que dá até para dizer que o filme, ao se afastar do lado íntimo e retrô, simplista e artisticamente calculado que ele apresenta no início, retorna às origens do clichê adolescente atual. É praticamente como tudo hoje em dia. Instantâneo, repetitivo, igual, sem detalhe, sem carinho. Seria errado avaliar este filme tão mal quando ele perde seu lado artístico para refletir a nossa realidade?


3/5



Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO. Recentem...