sábado, 9 de abril de 2022

Ainda estou aqui - Romance com potencial desperdiçado

 


Então vou falar sobre mais um filme de romance. Diferente de alguns outros, ele é bem interessante. Para ser sincero, raramente filmes de romance me mantém tão preso a eles, e esse aqui pode até se tornar algo genérico com o decorrer da trama, mas tem um dos inícios mais instigantes que já assisti.

Vou começar falando sobre o principal defeito do filme, ele tem um fenômeno paranormal. Não seria um problema se fosse bem executado, como acontece em "Se eu ficar", mas aqui nesse filme, isso faz ele se tornar uma obra bem inferior.

A beleza do filme está talvez nos primeiros 20 ou 30 minutos. O início artístico do filme, perder essa técnica, perder os olhares bem apontados do início, faz a qualidade cair muito do meio para o final, sinceramente, ainda mais quando executa mal o paranormal. O filme perdeu a oportunidade de ser um filme extremamente artístico. Ele tem tantos detalhes que não estão lá por acaso, e esses detalhes vão sendo abandonados. O paranormal e o romance acabam se tornando genéricos e voltados para a popularização do filme. Outro detalhe que contribui é a trama adolescente, sendo que os personagens são muito profundos e maduros, não parecem adolescente, e essa trama parece ser forçada apenas, novamente para popularizar o filme.

Na primeira cena do "passado" a Tessa sai para caminhar e fotografar, pois ela ama o "a luz da manhã",


e quando ela chega no farol, fotografa justamente aquele garoto que viria a se tornar uma luz em sua vida, algo que abre os olhares dela, que muda forma que ela fotografa.

Algo interessante a se reparar é que parece ser um trocadilho com o apelido do Skylar, Sky, em todas as cenas com ele é importante reparar no céu.

A primeira cena é a manhã, um primeiro raiar do dia, o primeiro momento, é quando tudo começa. A maioria das cenas são quentes, no pôr do sol, alaranjado, aconchegantes. Quando o Skylar está irritado sempre está tendo uma tempestade. Quando a Tessa está contando detalhes do passado triste dela, sempre está de noite.

Há um momento onde o Skylar e a Tessa estão na praia, e o céu está nublado, e quando se beijam, tudo aquilo é esquecido, começa uma chuva de fogos de artifício, como se estivesse indicando que mesmo com as chateações na cabeça do Skylar, a garota podia fazer ele explodir de outra emoções.

Tudo o que estou falando é só para indicar a minha revolta quanto a parte artística do filme. Toda a delicadeza das cenas, tudo isso se perde do meio para o final, e ao reforçar as cenas de paranormal, principalmente quando não são de maneiras sutis. O grande acerto de "Se eu ficar" é a sutileza nas cenas paranormais, o que não acontece aqui. Elas são influentes demais na trama, não afetam só a Tessa, afetam tudo ao redor dela.

A escolha da trilha sonora em alguns momentos também é muito ruim. Se o filme quisesse fazer algo artístico mesmo, ele apostaria em trilhas sonoras que não fossem cantadas, que não tivessem sido selecionadas para aqueles momentos, apenas para ilustrar. Eles fariam suas próprias trilhas e intensificariam a beleza das cenas, os olhares profundos da câmera, referenciando a captação de momentos únicos que a Tessa faz com sua câmera. Mas novamente, o filme quer se vender para o público geral. Ele quer ser consumido por adolescentes.

Com uma ressalva para a música que ela escolhe na caixa de fitas, aquela não é algo aleatório, faz sentido estar na cena.

Tem personagens maduros e complexos, um início muito bem feito, mas quer se vender. Por quê Netflix? Por quê? Não tinha a menor necessidade.

De qualquer forma, esse é o fim de uma crítica formal sobre esse filme, e agora farei apenas algumas observações pessoais.

A minha cena favorita desse filme é boba, é quando ele interrompe a risadinha dela com um beijo, eu sinto que me identifiquei com esse personagem. A verdade é que eu sinto que é algo que eu faria, e que na verdade eu já fiz, isso talvez tenha me trazido boas lembranças. Eu acho que um beijo inesperado é uma das melhores coisas, óbvio, quando há uma química rolando, não to falando de assédio aqui.

Interessante também a cena quando eles estão discutindo na galeria, onde é tudo silencioso enquanto a cena está dentro da galeria, e quando vai para eles, tem um apito de trem, acho, dividindo espaço com a gritaria deles dois. De certa forma, eu entendo ela, aquilo é um presente, não é uma fotografia aleatória, era especial para ela, e ela está dando para ele, ela não quer vender. E esse filme tem cenas de simplicidade como essa, novamente, potencial desperdiçado.

Um cena simples, que já citei, é a da caixa de fitas. É interessante como eles falam sobre as fitas, e é interessante como o lance retrô e pessoal está envolto no filme. Tanto nas fitas que são algo íntimo,


especial, uma seleção única de músicas de amor, algo que uma pessoa deu para a outra como demonstração de sua paixão, tanto como a Tessa usa sua câmera antiga, com filme, para captar as imagens, da maneira dela, e ela tem os momentos dela com seu quarto escuro, revelando cada uma de suas fotos. É uma simplicidade, nostálgica, que faz até mal quando você para para reparar que esta simplicidade, esta intimidade, ao presentear, ao fotografar, ao apreciar os momentos, isso tudo está cada vez mais se perdendo.

E como eu disse. O filme tem um potencial tão grande nos detalhes que trás, porém, ele perde essa riqueza quando quer trazer cenas populares, músicas aleatórias para cenas. Quando explica demais situações, quando insere diálogos quando poderia dar oportunidades a encenações silenciosas e bem feitas. É um potencial desperdiçado. Eu não me surpreenderia se soubesse que a direção mudou do começo para o meio e o fim. São momentos completamente distintos do filme.

Acho que dá até para dizer que o filme, ao se afastar do lado íntimo e retrô, simplista e artisticamente calculado que ele apresenta no início, retorna às origens do clichê adolescente atual. É praticamente como tudo hoje em dia. Instantâneo, repetitivo, igual, sem detalhe, sem carinho. Seria errado avaliar este filme tão mal quando ele perde seu lado artístico para refletir a nossa realidade?


3/5



Sem comentários:

Enviar um comentário

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO. Recentem...