Hoje (05/05/25) eu fui passar o dia inteiro no cinema. Esse era um desejo profundo que eu tinha, porém, nunca foi o momento certo. Dessa vez, apesar dos pesares, foi o momento certo. Tinham três filmes que eu realmente queria ver em cartaz ao mesmo tempo e com horários perfeitamente convenientes para que eu os pudesse assistir sem perder parte alguma. Vou contar um pouco sobre cada um e falar o que achei.
#1 Homem com H
Comecei o meu dia com Homem com H, do Esmir Filho que é simplesmente uma das obras mais lindas que já vi na vida. Não é clubismo, não é favorecimento. É FATO. O filme inteiro é captado com tanta maestria, com um olhar artístico, que ao mesmo tempo agrada um público mais geral, fazendo um perfeito equilíbrio entre essas visões.
Sem me estender muito no conceito acima, vou falar de como este filme me fez chorar cerca de cinco vezes, sendo uma delas bem no início onde teoricamente não deveria ter nada de muito emotivo, mas que como já deixei bem claro, sou uma maria-mole, chorei mesmo assim.
Acho que essa aura inspiradora do filme, sobre como deixar de ser gente e passar a ser bicho é uma das coisas mais interessantes do filme.
Eu me lembro quando era criança e vi uma vez uma propaganda da Som Livre que era exibida na globo, tocando um trecho de uma música de Secos e Molhados, acompanhada das excêntricas apresentações de Ney Matogrosso. Lembro perfeitamente de como aquilo era hipnotizante. Imagine você simplesmente fazer a sua arte e não ter noção de como estes sentimentos que você libera no palco são capazes de atingir as outras pessoas e acionar nelas esta vontade de fazer magia assim como você? É isso. Foi o que eu vi. Aquilo foi a coisa mais mágica que eu já tinha visto, e isso por que era real. Eu já era apaixonado por Harry Potter, mas Secos e Molhados estava no mundo real.
Eu acho que eu ter desenvolvido uma fixação por sair na rua fantasiado ao longo do tempo, enquanto muitas pessoas sentem vergonha, possa ter vindo disso. Se fantasiar, fugir da normalidade. O que Ney Matogrosso faz aqui é quase como se ele quisesse que todos soubessem o que é fugir da normalidade, e de como ele, já fugia da normalidade por conta da sua sexualidade, agora exibia a todos que a fuga da normalidade é um objeto verdadeiramente encantador.
Quando eu vi aquela propaganda de Secos e Molhados eu me encantei, mas nada se comparou ao que senti, pouco tempo depois, quando meu Avô comprou para mim um CD deles, no camelô, e eu, parafraseando a grande diva Andressa Urach, eu tive um êxtase maior que o da cocaína, suponho.
#2 Thunderbolts*
Gravem bem este momento, pois esta deve ser uma das pouquíssimas vezes em que falarei bem de um filme de heróis, um filme da Marvel e derivados, e semelhantes.
Thunderbolts, admito, fui com expectativa acima da média. É raro eu criar expectativa para Marvel, e mais raro que isso é eu gastar o meio dinheiro indo ao cinema ver um filme da Marvel. Mas há um bom tempo eu vinha sendo bombardeado pelos trailers (e eu odeio ver trailers, mas neste caso, no cinema foi impossível evitar), e estes trailers, devo admitir, são bem instigantes. A vibe eletrizante do filme me lembrou Guardiões da Galáxia, Aves de Rapina, O Esquadrão Suicida, então sim, estava esperando isso. Estava esperando essa energia. Eu não recebi isso, porém não foi de todo mal.
A vibe sóbria do filme, com tons negros, acinzentada é algo muito interessante. Tudo parece meio sujo, e acho que combina com os personagens. Tem uma cena com Florence Pugh saindo pela janela do carro e dando um tiro em camburões que a perseguiam, que é simplesmente uma das captações de Florence mais lindas que já vi.
Outro ponto bastante positivo é este design meio VantaBlack do vilão, que é uma das coisas mais interessantes em escolhas de design que já vi. Eu adoro essa absolutize de cores. Em geral o filme abusa disso, e seu vilão é o exemplo perfeito. Essa corrupção negra que se estende por tudo é muito positiva. E aqui eu, mesmo estando esperando mais energético (até por quê é Marvel), recebi algo bastante diferente. Não temos uma grande batalha final, temos uma construção psicológica bastante inédita.
O filme não tem algo de muito inovador em sua direção, e eu acho que isso o beneficiaria bastante, o tornaria mais interessante, MUITO MAIS. Eu acho que o faria um belo exemplo. Mas sei lá, parece que todos os filmes da Marvel tentam se bastar pelo hype, fanbase, cenas de ação, cenas engraçadinhas, e se esquecem que há uma possibilidade de fazer um cinema artístico mesmo sendo tudo isso, como nos filmes de exemplo que citei no início. Este filme, entretanto me lembra a ótima experiência que tive com Eternos, porém como ele não explora tão bem quanto a direção, fica inferior a ele, para mim. Ainda sim, este será um daqueles poucos, que entram para a minha seleta lista de Filmes Tragáveis da Marvel, Heróis e Derivados, e Semelhantes.
#3 Until Dawn
Aqui eu já não posso dizer o mesmo. Until Dawn eu na verdade não tinha expectativa, pois vi os trailers e não estava entendendo NADA DA PROPOSTA. Afinal, se você diz que é Until Dawn, então espera-se que se trate de Until Dawn, e nos trailers tinha um assassino slasher, e looping, e eu fiquei bastante confuso. Não fui com expectativa negativa, na verdade, fui curioso, pois eles não queriam dizer exatamente do que se tratava o filme nos trailers, quase como um segredo, um trailer de confusão, e imaginei que tudo se explicaria no filme. Tudo se explica, mas é BEM RUIM.
Eles decidiram fazer uma salada mista de frutas podres neste filme, juntando todas as ideias estúpidas que lançaram na mesa, e NÃO FICOU NADA BOM. Eles pegaram uma base do que é o jogo Until Dawn, e não se desprenderam de outras que CLARAMENTE SÓ FUNCIONAM NO JOGO, por que queriam fazer uma homenagem, mas se tornou T O S C O.
As justificativas que eles arrumam para explicar a salada mista de "monstros", que mais parece o live action do Scooby-Doo 2 (me perdoe Live Action do Scooby-Doo 2 por te massacrar tão cruelmente com esta comparação), são simplesmente a coisa mais ridícula do mundo, e naquele ponto, explicar não torna o seu filme mais inteligente, sério mesmo.
Vocês tinham uma história interessante, não precisava seguir a história do jogo, mas também não precisava distorcê-la completamente apenas para surpreender o público com algo absolutamente inesperado. Isso destruiu completamente, mas por sorte, a história do jogo segue intacta para jogarmos quando quisermos, e honestamente esse filme não mancha ela.
Aparentemente, eles queriam apresentar Until Dawn para novos jogadores, mas sem entregar demais da história, colocar pontos que eles identificassem no jogo como referências.
A ÚNICA coisa positiva deste filme, sério, é tipo uma cena de um minuto que referencia a uma cena bem semelhante do jogo, onde a protagonista (que é uma chata, diga-se de passagem) está escondida, e um dos monstros fica bem ao lado dela. Esta sequência é interessante, e deixa um gosto amargo, por quê se este fosse um filme sobre os Wendigos, a maldição que os causa, e enfim, SIMPLESMENTE uma versão da história do jogo, só que para as telas, seria bom, mas eles decidiram que não.
Filmes de Looping Temporal são entediantes por que fica difícil se apegar aos personagens, e nesse aqui é BEM RUIM MESMO, por quê mesmo tendo todos os riscos, depois de tudo fica óbvio que nada vai acontecer, afinal PASSAMOS O FILME INTEIRO tendo mortes pros personagens, então por quê matá-los.
Until Dawn é angustiante, assustador, o risco é real, e aqui esse risco simplesmente não acontece. E DESTAQUE para um ponto que quebra totalmente a experiência do filme (que já não era tão boa), a ideia idiota dos personagens SIMPLESMENTE EXPLODIREM em um ponto da trama. Nossa, me senti um imbecil por ter gastado para ver isso.
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Enfim, foi divertido passar o dia no cinema, mas o último filme foi entediante demais, então espero, da próxima vez, que o meu último filme seja uma ótima experiência.



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