domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hamnet - A vida é como um palco

Nota: Este texto pode conter spoiler, se visto da perspectiva que analisa algumas questões do filme, enquanto faz reflexões em cima do que foi visto. Quando escrevi ele, eu não estava pensando em analisar visualmente, mas minhas considerações é que este filme é um espetáculo, e que o visual é definitivamente muito impactante. Eu agradeço a Chloé Zhao e sua equipe por isso. A seguir, reflexões, minhas, independente de se você considerar isso um Spoiler ou não.

 

 Eu já tinha a sensação de que este seria um daqueles filmes inesquecíveis, um daqueles que ficam na gente, e um daqueles que fica em mim. Adiei por muito tempo, estava esperando ter a chance desse filme vir para o cinema da minha cidade, mas quando finalmente percebi que não aconteceria, que foi hoje, decidi que o momento havia chegado. Acima destaquei uma imagem sublime, um frame logo do início do filme onde Agnes (Jessie Buckley) está deitada entre as raízes saltadas de uma árvore que mais parece com uma vagina. Quase como se o filme estivesse dando à luz à figura principal de toda essa história. Agnes é uma mulher que emana poesia, fruição. Seus conhecimentos, suas filosofias, o que ela carrega é profundo e lindo, e belo. Agnes está ali, prestes a ser dada a luz, saindo de um lugar intocável, para um mundo cruel.

Enquanto eu assistia a este filme desenvolvi dois questionamentos reflexivos, o primeiro era sobre qual seria o sentido da vida se você não a vive com integridade, se você não pode desposar dela. E isso muito se vem devido ao fato do personagem William, não poder ficar com os filhos. Ele era um homem muito livre que era até tratado por vagabundo, um homem que vivia pelas suas normas, e de repente uma família exigia que ele tornasse-se um "homem" na régua da sociedade, e nos olhos de Agnes, tudo que eu podia ver era "qual o sentido da vida se você não a vive", e por anos deveríamos estar assolados com esta dúvida terrível, o tempo todo, questionando-nos quando teremos um pouco de dignidade, quando finalmente viveremos uma vida integral, uma vida que nos permita deitar entre as raízes saltadas de uma árvore, uma vida que não nos obrigue a ficar distante daqueles que amamos, uma vida que não nos faça nos afastarmos, ou destruirmos aqueles que amamos.

Cidades surgem, que formam sistemas, que prometem dignidade, que prometem proteção, que te cobram em troca da saúde, da segurança, enquanto na verdade é tudo hipotético, nada disso é garantia, então por que nós as sustentamos? Se a vida é uma constante ameaça então por que simplesmente não vivemos a integralidade dessa ameaça até que no fim isto acabe? Há uma super romantização de como a vida deve ser levada, mas na verdade, é tudo uma mentira, mentiras inventadas há tanto tempo que nem ao menos sabemos quem foi (Eu escrevo sobre isso em meu livro de ficção que também não sei quanto tempo levarei para terminar).

Em Hamnet, William perde o filho, não pode nem ao menos se despedir enquanto ele ainda estava vivo, sua esposa Agnes não consegue aceitar que o "papel do homem" que William cumpria era tão violento, que não o permitiu viver os últimos momentos do filho, mas o culpa. É claro que ela odeia aquilo, mas o culpa por se submeter a isso e por não estar lá, e é a partir disso que surgem as reflexões que darão origem aos sentimentos da obra Hamlet de William. É onde William irá retratar como é seu luto, como é se sentir incapaz, e como no fim, apesar de tudo, fica um completo vazio.

Nesta cena, onde William da as suas falas no palco, contracenando com o ator que faz Hamlet, ele como o pai morto de Hamlet, um fantasma, que Paul Mescal chora e sorri, e uma outra reflexão surgiu, chorar e sorrir estão tão próximos um do outro quanto estão distantes. É algo que é preciso desenvolver melhor, mas a princípio, quando você chora você grasna, geme, soluça, grita, quando você ri, você sorri, grita, grasna, ronca. Quando está chorando tudo parece tão ridículo que de um momento para o outro você pode começar a sorrir. Essas atribuições de chorar e sorrir são algo que inventamos, tanto quanto a cidade, ou o papel do homem, tanto quanto os sistemas. Chorar e sorrir são humanos de modo que não há como separar, e não há por quê. Quando se está irritado você pode chorar, mas também sorrir. Chorar está para o sorrir não como a tristeza para a felicidade, os sentimentos não estão relacionados aos atos de chorar ou sorrir, os atos são espontâneos e particulares, os sentimentos são muito mais facilmente decifráveis. Quando eu estou triste eu choro, mas também posso chorar quando estou feliz. Chorar e sorrir estão lado a lado como dois irmãos gêmeos, como vida e morte, não são contrários, são iguais, mas com diferenças de perspectiva.

 

No fim, após aquelas cena super emocionante de Hamlet morrendo no palco, vemos no encerramento, a resposta para o luto de Agnes. Quando o Hamnet pergunta para a mãe sobre o futuro, já que ela tinha aquela clarividência de tocar nas mãos de alguém e ver seu futuro, ela diz que ele era forte, crescido, em Londres, trabalhando com o pai, William, no teatro, e a criança pergunta o que estava fazendo no teatro, e a mãe diz "O que você quer fazer", ele diz que quer ser um dos atores, com uma espada, enfrentando o oponente em cena.

 

 Para mim, eu achei que ela estivesse inventando, meio com a questão de que eu já tinha para mim que o filho iria morrer, isso, acredito é parte da sinopse (apesar de nada te preparar para a cena quando isso acontece), mas a verdade é que ela estava vendo de fato aquilo acontecer, pois a resolução para as perguntas de todos sobre para onde vamos quando a vida acaba, ela irá encontrar apenas mais para frente, na peça. Posso imaginar como ela ficou sem entender nada, quando sua intuição lhe disse aquilo, mas na realidade, seu filho agora estava morto, era, para ela, inacreditável. E então, no fim, enquanto assistia a peça do marido, ela vê o jovem ator interpretando Hamlet, e quanto o personagem morre no palco, atrás, a criança, Hamnet, está diante de um arco que leva para os fundos do palco, aquele era o fim da peça, bem como foi o fim do filme.

Como poderia Agnes enxergar no futuro do filho Hamnet, uma peça que nem poderia ocorrer se ele tivesse continuado vivo. De repente lá está ela, diante da resposta, e William também a encontrar. Hamnet não foi para o céu, ele apenas foi para o fundo do palco, para o backstage, esperar para interpretar o próximo papel, para onde todos os atores vão quando termina seu papel naquela peça. Como poderia vida e morte ser sequencial, e não complementos, iguais, mas diferentes, quando para Hamlet existir, precisou de Hamnet deixar este mundo? Algumas perguntas são muito difíceis, então é mais fácil alegorizar suas respostas. Um palco. Atores. Os fundos. Subimos e descemos do palco, trocamos de papel. O palco continua lá, esperando para nós subirmos novamente. 

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

It: Welcome to Derry - Os adultos não acreditam no inacreditável, a não ser que isso justifique seus preconceitos.

Eu assisti It: Welcome to Derry depois de muito tempo, isso tudo por preconceito. No fundo eu sentia que seria mais do mesmo do que vimos nos filmes, e para ser sincero não sou o maior fã dos filmes de It: A Coisa, então não esperava nada dessa série, mas neste fim de semana de carnaval eu não tinha nada mais para fazer, nada para ver, então decidi que daria uma chance, e como sempre, HBO nunca decepciona, e eles entregam sempre excelência, e eu estava completamente enganado.

Sabe uma coisa que percebi em mim, quase sempre que eu julgo alguma coisa com tanto fervor, essa coisa acaba se revelando uma forte obsessão mais para a frente, por exemplo quando eu era mais novo e julgava homens se beijando, mas de repente homens se beijando são a coisa que eu mais adoro. E acho que já falei aqui em algum outro post, mas Melanie Martinez, Conan Gray, Sombr, todos artistas que eu julguei e depois passei a gostar muito, mas a lista é ainda maior. Há diversas coisas na minha vida que de primeira eu julgo, depois eu me torno obcecado. Bem, foi o caso de It: Welcome to Derry. Essa série não é apenas melhor que os filmes, ela é melhor que a sua principal concorrente do momento: Stranger Things. Enquanto Stranger Things se redirecionou após a primeira temporada, para ser uma série menos violenta, para fazer sucesso com o público infantil, HBO sabe o que tem em mãos, e sabe que ter crianças no elenco NÃO TORNA sua obra INFANTIL. Welcome to Derry é grotesca, profunda, ela usa seu tempo muito bem, coisa que vimos em Stranger Things na primeira temporada. Porém, há uma grande diferença, e como não repetir a mesma história dos filmes, se a história é obviamente sempre a mesma? A Coisa revivendo a cada 27 anos para matar criancinhas, bem, a resposta está na mão: crítica social.

O tópico que eu ressaltei no título dessa publicação já será explicado, pois agora precisa falar da temática de destaque de It: Welcome to Derry, sua crítica social. Essa crítica social é sobre a sociedade dos anos 60, mas também sobre a nossa atual, afinal, parece muito tempo, mas as coisas definitivamente continuam as mesmas, e aos poucos vemos um retrocesso. Aqui em It: Welcome to Derry vamos ver como o racismo é o verdadeiro vilão, ou melhor (ou pior), o capitalismo. O capitalismo comandado por homens brancos. De repente, nessa série, enquanto um palhaço estraçalha crianças, a coisa mais assustadora se torna homens brancos, e céus (!!) essa é realmente a coisa mais assustadora do mundo! Homens são assustadores, homens brancos são mais ainda, homens brancos e heterossexuais são duas vezes piores!

O tópico racial comanda a série nas entrelinhas, até o momento que ele é discutido diretamente, mesmo antes, ele já estava lá, e nós sabíamos. Mas fato é, por isso escolhi o título, os adultos não acreditam nas crianças, e como em toda série, ou filme, com crianças protagonistas, eles tratam o inacreditável como uma besteira infantil, afinal o inacreditável só é crível se isso justificar seus preconceitos. Então se na bíblia está dizendo que homossexuais devem morrer e ir pro inferno, é totalmente crível, e nesse momento, as escritas sem comprovação alguma, são aceitas pelos adultos, mas quando o assunto é UM PALHAÇO MATOU TRÊS CRIANÇAS E ESTÁ MANTENDO OUTRA NO ESGOTO, então não, não acreditamos nisso, claramente foi o homem negro que trabalha no local onde as crianças estavam.

O núcleo indígena é um destaque imenso, especialmente para desenvolver o contexto oculto de toda a trama, uma tentativa de dominação mundial, uma tentativa de dominação através do poder, o poder da Coisa, que entra em conflito com os conhecimentos indígenas que defendem uma herança secreta de manter a Coisa aprisionada em Derry em nome do bem do mundo. Esse núcleo nada sutilmente vai discutir como o governo desrespeitou e segue desrespeitando os conhecimentos indígenas, suas terras e tradições, mesmo quando isso é em defesa de toda a humanidade. Bem, não podemos dizer que isso é tão distante do que nós vivemos. Na série eles defendem o mundo de ser destruído pela Coisa, e no nosso mundo os ideais indígenas defendem o mundo dos avanços do agronegócio, destruições de ecossistemas inteiros, e aquecimento global.

A bíblia em suas um milhão de versões já justificou (e até segue justificando em alguns casos) a misoginia, lgbtqfobia, racismo (acho que segue justificando tudo isso ainda, confere?), uma bíblia que justificou assassinato de povos indígenas, e quem acredita na bíblia, acredita em um deus sem comprovação alguma dele, apesar disso tudo, é mais fácil crer em um deus que nunca se provou, do que nas coisas que uma criança diga a você. E é engraçado, afinal isso é reflexo da nossa realidade. Não precisamos ir longe, apenas tirarmos o palhaço alienígena psicopata. Crianças relatam violência e os adultos ignoram. Crianças demonstram não gostar de alguém, e o adulto não para para se perguntar por quê. Crianças são tratadas como sub-humanos pelos adultos, e é por isso que tudo que é trazido por elas é ignorado. Um dos dez mandamentos é que os filhos devem respeitar os pais, o contrário não precisa acontecer, e talvez por isso o mundo seja uma merda cheio de fudidos, pois um fudido faz um fudido, que faz um fudido, que faz um fudido.

 De repente percebo como este blog se tornou uma verdadeira carta de ódio ao mundo, onde em cada postagem eu critico algo contra a humanidade nojenta que viramos, ou que sempre fomos, e que não conseguimos melhorar. É quase como um incel faria, mas sem ser incel, apenas sendo um pouco niilista demais da conta, e diferente dos incels, eu tenho razão no que estou falando, eles são apenas ridículos haha ^^.

Destaque para a personagem de Taylour Paige que é com certeza a mais interessante, com a atuação impecável e a presença dessa mulher que é simplesmente avassaladora. A personagem na minha opinião mais bem escrita, e especialmente no início. Acho que depois algumas tramas ficam tão maiores e absurdas que esta personagem se torna mais uma mãe, uma simples mãe. Uma mãe como as outras, mas em defesa dela, talvez ela tenha se tornado uma mãe apenas quando a trata necessitava de uma mãe, e essa talvez fosse a única mãe de verdade.

Finalizando gostaria de dizer como HBO é muito boa em pegar clássicos e adaptar seu enredo para um discurso que não poderia ser feito anos atrás. Ninguém falava de racismo, homofobia, misoginia, não tão abertamente. Ninguém mostrava o quão grotesco são as violências que o homem branco hetero comete em nosso mundo, todos sabiam que ocorria, mas ninguém falava delas. HBO fez isso com a incrível, que sempre indico quando posso, Watchmen, fez com Lovecraft Country, e fez aqui com It: Welcome to Derry. Pessoas erradas em toda a história diriam, "Nossa HBO só sabe falar sobre isso", desculpe, se estiver achando tão ruim, revisite seus clássicos com pessoas brancas de destaque. O terror sempre foi crítica social, e agora nós precisamos de terror com pessoas negras, com homossexuais, e não é sobre eles sendo mortos, é sobre o que isso está nos dizendo. Muitas críticas superficiais foram feitas em THEM (que é da Prime Video) quando foi lançado, especialmente em sua segunda temporada, pois eu rebato. THEM não é sobre pessoas negras sendo mortas simplesmente, se você não consegue ver uma pessoa negra para além de seu papel, se você apenas consegue problematizar, não tem por que continuar assistindo obras de terror e dizendo que entendeu algo sobre ela. Não adianta assistir THEM e falar "Eu sei que é sobre racismo mas, precisava tanta violência?". Olhe ao seu redor, o mundo é muito pior com pessoas negras, e veja só temos uma série incrível com pessoas negras protagonizando, e elas não são apenas gados de abate, elas são o discurso completo da obra, elas são uma reflexão muito profunda, e THEM não se limita a uma camada simples do racismo em sua alegoria, especialmente em sua segunda temporada, de verdade, é grotesca, mas por trás daquilo existem discussões sobre o racismo que poucas obras farão.

É claro, este post não é sobre THEM, me estendi um pouco (hehe ':]), mas acho que deu para entender meu ponto. HBO, continue com seu trabalho excelente. E aqueles que criticam as pessoas negras finalmente com destaque em produções de terror, vocês deveriam se perguntar por que não fazem algo para alterar a realidade do mundo para que ele não precise ser tão cruelmente representado nas telas.

 

Aff capitalismo, até quando vou ter que vir aqui para criticar você? Só decepciona caralho.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Amanhecer na Colheita - Continuem com as pequenas revoluções


Eu li Amanhecer na Colheita (um livro que faz parte do universo de Jogos Vorazes) lá no lançamento, comprei na pré-venda, pois eu tinha condições, e que sensação especial é ter o seu próprio dinheiro para conseguir comprar um livro de algo que você ama na pré-venda, porém percebi que algumas reflexões sobre este livro só estão chegando a bater em mim neste momento.

Quando eu li ele me emocionei bastante, o que denota um grande talento da autora em nos deixar absortos na história ao ponto de, mesmo já sabendo do final, nos vincularmos, esquecermos, e nos surpreendermos e nos emocionarmos com ela.

Aqui vamos acompanhar Haymitch quando participou da sua edição de Jogos Vorazes, que agora me esqueci exatamente, mas acho que é a edição de número 50, e é um massacre quaternário (a cada 25 edições, acontece um massacre quaternário com regras únicas, especiais, diferentonas). Nessa edição o destaque será que ao invés de apenas 2 tributos de cada distrito, terão 4, duas meninas e dois meninos.

Quando a grandiosa Suzanne Collins nos disse lá atrás que não escreveria uma história de Jogos Vorazes a menos que ela tivesse algo a dizer, ela falava sério. Um tempo atrás ela nos apresentou o excepcional "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes", que na minha opinião é o melhor livro de todos, e lá ela queria discutir diversas coisas, mas seu objetivo principal certamente era nos mostrar que o sistema corrompe, o sistema faz das pessoas o que elas são. E não é sobre como o presidente Snow era inocente e se tornou um ditador, mas como uma criança traumatizada, adapta-se à sua realidade, em busca de um objetivo, desenvolve uma mania de grandeza, como o nosso sistema tira a humanidade das pessoas, ao ponto do oprimido tornar-se opressor. A discussão é ampla, mas o fato é: Snow não é um coitadinho, ele fez suas escolhas, ele sentiu o poder e gostou de estar no topo, e todos aqueles que acharam que este livro era uma romantização de um ditador, se enganaram, e àqueles que desistiram da leitura, meus pêsames, pois A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é o mais complexo e profundo livro de Suzanne Collins. Todos nesse mundo tem um passado terrível, mas Jogos Vorazes é sobre aqueles que não deixaram seu passado terrível vencer, e neste livro ela apresentou o outro lado da moeda.

Aqui, em Amanhecer na Colheita, nossa autora vem com uma história que é com certeza mais conhecida, afinal o Haymitch é muito recorrente nos livros de Jogos Vorazes, diferente de Snow, que é muito mais misterioso sobre tudo. Então nós definitivamente já conhecíamos grande parte dessa história, mas há sempre como se surpreender, e de fato, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes precisava vir antes desse, pois aqui temos grandes referências à icônica presença, à arrebatadora presença de Lucy Gray, nossa mocinha do livro anterior.

Suzanne Collins prometeu, ela não escreveria se não tivesse nada a falar, mas ela tinha. Em alguns momentos pode até parecer explícito demais. Pode parecer que ela está forçando apenas como justificativa, pelo modo que ela escancara como as coisas são feitas aqui. Mas assim como tivemos um choque com o modo que os Jogos eram conduzidos no livro anterior, desse para o de Katniss são 25 anos, então há muito chão para as coisas ficarem mais "maquiadas".


O tema da vez é principalmente a propaganda para as massas, e como ela foi certeira. Eu diria que
Suzanne é até um pouco à frente do tempo, mas tudo bem, ela apenas leu o cenário, como uma figura imersa em questões políticas, no avanço que a desinformação estaria nos tempos atuais. Ela fez este livro inspirado nos resultados das campanhas de Donald Trump, e sua estratégia de propagandas envolvendo Facebook e toda aquela bomba que estourou uns anos atrás. A fake news. E gente, como é uma visão perfeita do mundo em que vivemos. Na verdade não há mistério, Suzanne escreve sobre o que já ocorreu muitas vezes, como no próprio fascismo alemão, a propagando política vende a violência como banalidade, orgulhosamente. E veja a situação dos Estados Unidos na atualidade, campos de concentração, sequestros, desaparecimentos, crianças arrancadas dos pais, absolutamente tudo que sempre foi considerado condenável está ocorrendo diante de nossos olhos, e lembram-se do velho discurso que nós costumávamos dizer de que "Se o Nazismo fosse nos tempos atuais, como toda a mídia, não teria ido tão longe, pois todos nós saberíamos imediatamente e o mundo não permitiria". Bem, os Estados Unidos está indo longe demais, em seu país e nos outros (Israel X Palestina), e mesmo com toda a mídia, nós não fazemos nada. E apesar de tudo isso, Donald Trump é um herói nacional para grande parte de sua população. Os Estados Unidos vende-se como uma grande nação, aberta para os fudidos que queiram vir construir seu sonho, depois de usá-los por anos para alavancar sua economia escravocrata com a mão de obra, não é nem barata, miserável, agora os fudidos viram suas criações de cativeiro. Os Estados Unidos são os heróis intocáveis apesar de tudo, por sua propaganda, sua história inteira é em cima disso, e isso, esse livro vai escancarar.

Nós somos aqui surpreendidos, pois diferente de Katniss que aceita seu papel e vira quase como apenas mais uma (no primeiro livro), aqui temos Haymitch que é lançado em uma confusão que acarreta em sua seleção como tributo pelo distrito 12. Os detalhes dessa confusão são ocultados pela mídia, mascarados, refilmados, tudo vira um grande teatro, mas vender ao povo que a capital está controlando, que ninguém está se revoltando, que todos aceitam seu destino pois é assim que as coisas são. E quando nós vemos esse ponto de visto, quando Haymitch adentra nisso, então tudo passa a ser sobre isso, como a capital está o tempo todo mascarando.

Autora dos livros, Suzanne Collins
Eu não quero dar spoilers, mas vou falar o que já está claro, Haymitch vai sim vencer os Jogos Vorazes, e não é como nós esperamos, e assim como Katniss começa uma revolução, Haymitch se envolve aqui nesse livro em uma armação que tenta ser o início da revolução. A gente sabe, de algum jeito isso vai dar errado, afinal a revolução só acontece de fato lá nos Jogos Vorazes de Katniss, 25 anos depois, os detalhes estão no livro, mas gostaria de pontuar como este livro faz a gente acreditar que algo vai acontecer, para no fim não acontecer, como mencionei, e que apesar disso, ele nos deixa uma lição: as pequenas revoluções são importantes.

Lá atrás, com Lucy Gray, no livro da Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, ela também é uma revolucionária, uma pequena, fator esse que também contribui para ela ser apagada da história, completamente (exceto da mente de Snow), e aqui em Amanhecer na Colheita, mesmo com a revolução não se concretizando, temos vários personagens que saem dessa história com as sequelas de uma pequena revolução. Personagens estes que seguem vivos, são eles que iniciam, e que continuam seu projeto para derrubar a capital 25 anos mais pra frente. A revolução não aconteceu por causa de Katniss Everdeen. No livro sobre Snow, nos é dito que os Gaios Tagarelas começaram a procriar com as fêmeas de Tordo, e os filhos que nasciam eram uma mistura entre o Tordo e o Gaio, ele repetia, mas não era controlado pela capital, ele falava, mas fora de controle, e por isso ele precisava ser eliminado. Se você deixa um revolucionário vivo, então ele vai continuar falando, sua mensagem vai continuar viva. Se o revolucionário passa sua mensagem, então já há uma geração inteira de revolucionários para que você precise eliminar. O problema já era antigo, e aqui nós temos um grande feito, mas a capital erra quando ela apenas pune aqueles envolvidos na micro revolução, punir traumatiza, mas não existe traumatizado que em um sopro de coragem não se torne um vingativo revolucionário, e o resultado vamos encontrar nos livros de Katniss Everdeen.

 
Trago tudo isso para falar de um outro assunto, para finalizar. Um assunto que assola a atualidade.
Como já deu para perceber, nosso mundo é uma bagunça, as pessoas não estudam a história e a repetem. Bom, finalmente chegamos a algo inédito, algo que só existia na ficção científica, a Inteligência Artificial. Esse discurso de pequenas revoluções é um perigo, e no fundo uma grande inutilidade diante da alienação proposta pelo capitalismo, vimos isso como o veganismo, que propõe um mundo como pelo menos uma redução do consumo animal, mas que claro, afeta os lucros do capitalismo, portanto não entra em vigor, apesar disso os agentes da causa continuam, é uma micro revolução em nome da proteção não apenas dos animais, mas do planeta. Agora, diante da inteligência artificial, não utilizar ela é uma micro revolução. A inteligência artificial é uma brincadeira, ela é

divertida, ela oferece um resultado rápido para algo que leva muito tempo, mas ela também te emburrece, te atrasa, te afasta da experiência e da reflexão, e novamente isso é lucrativo para o capitalismo. Quanto mais burro você é, melhor. Então agora a inteligência artificial está em tudo. Ela era legal quando decidia o algoritmo do Spotify, do Youtube, mas agora todas as redes sociais tem uma inteligência artificial que TE USA para se aperfeiçoar. Produtos que chegaram gratuitamente, te usaram e agora são pagos, pois se aperfeiçoaram graças a você, como é caso do MidJourney, Suno, Chat GPT, mas o pior são as inteligências artificiais que programam, que hackeiam, que invadem sua vida. Você não tem acesso a essas IA's, mas elas estão cada vez melhores. Tudo isso, a custo de uma causa que o veganismo já vinha lutando lá atrás, a custo do planeta. A inteligência artificial, a tecnologia do momento, usa muita água, e detalhe muito importante, todos os outros responsáveis pelo aquecimento global CONTINUAM EM VIGOR, absolutamente nada foi mudado nesse quesito, estamos apenas pioram. E essa tecnologia precisa de minérios, terras raras, para se aperfeiçoar, motivo, aliás, pelo qual os Estados Unidos invadiu a Venezuela. Quanto tempo até o Brasil ser o próximo. Há alguns anos acompanhamos os Europeus invadirem o mundo inteiro, pois haviam esgotado seus recursos naturais, agora estamos vendo isso acontecer novamente, e apesar da falsa politicamente, nada nos protege, o mundo continua sendo dos poderosos. Estados Unidos continuam fazendo o que sempre fizeram, e de repente os Europeus se tornaram até os bonzinhos que também estão sendo ameaçados, mas não se engane, afinal eles estão apenas se protegendo, e aliás, o povo branco dos Estados Unidos, nada mais são que europeus que criaram um forte vínculo nacionalista com o seu "Novo Mundo".

O livro Amanhecer na Colheita se faz sim, mais presente do que nunca, pois estas pequenas revoluções, seja qual for, que nós implementamos nas nossas vidas, são responsáveis por este mundo ainda não ter colapsado. Nós não permitimos que eles façam tudo, apesar de eles tentarem, e a mensagem deste livro é clara e emocionante: mesmo que te tirem tudo, mantenha-se firme, mantenha-se no que acredita, pois um dia o que é deles irá chegar.


Nota: Perdão pelo imenso texto sobre IA, EUA, etc, é só por que é mais uma leitura que consigo fazer após uma série de reflexões que vim tendo. Continuem suas pequenas revoluções, mesmo que ela seja, sei lá, não ir à academia diante da sociedade da exposição que INSISTE que você faça academia em troca da "sua melhor versão". Estou sendo totalmente hipócrita aqui, eu odeio academia, mas estou indo neste momento, eu realmente quero ser adorado na internet por ter um corpo, já que ter todo este conhecimento reflexivo depositado neste blog não está exatamente fazendo algo por mim neste mundo escroto, e apesar disso eu insisto que não vá na academia, não seja fraco como eu. Eu uso a IA às vezes também, e apesar disso insisto, não faça como eu. Eu estou fazendo o melhor para parar com a IA o máximo que dá. E eu NÃO, NÃO vou comprar o seu maldito produto que você está anunciando INCANSAVELMENTE  EM TODAS AS BRECHAS DA PORRA DO BIG BROTHER BRASIL. YAY! PEQUENAS REVOLUÇÕES PORRA! É DISSO QUE ESTOU FALANDO. Enfim, vamos fazer o que podemos. Uma delas é escrever em um blog enquanto todos gravam no tiktok. Vejo vocês na próxima. Sigam firmes. 

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO. Recentem...