Eu li Amanhecer na Colheita (um livro que faz parte do universo de Jogos Vorazes) lá no lançamento, comprei na pré-venda, pois eu tinha condições, e que sensação especial é ter o seu próprio dinheiro para conseguir comprar um livro de algo que você ama na pré-venda, porém percebi que algumas reflexões sobre este livro só estão chegando a bater em mim neste momento.
Quando eu li ele me emocionei bastante, o que denota um grande talento da autora em nos deixar absortos na história ao ponto de, mesmo já sabendo do final, nos vincularmos, esquecermos, e nos surpreendermos e nos emocionarmos com ela.
Aqui vamos acompanhar Haymitch quando participou da sua edição de Jogos Vorazes, que agora me esqueci exatamente, mas acho que é a edição de número 50, e é um massacre quaternário (a cada 25 edições, acontece um massacre quaternário com regras únicas, especiais, diferentonas). Nessa edição o destaque será que ao invés de apenas 2 tributos de cada distrito, terão 4, duas meninas e dois meninos.
Quando a grandiosa Suzanne Collins nos disse lá atrás que não escreveria uma história de Jogos Vorazes a menos que ela tivesse algo a dizer, ela falava sério. Um tempo atrás ela nos apresentou o excepcional "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes", que na minha opinião é o melhor livro de todos, e lá ela queria discutir diversas coisas, mas seu objetivo principal certamente era nos mostrar que o sistema corrompe, o sistema faz das pessoas o que elas são. E não é sobre como o presidente Snow era inocente e se tornou um ditador, mas como uma criança traumatizada, adapta-se à sua realidade, em busca de um objetivo, desenvolve uma mania de grandeza, como o nosso sistema tira a humanidade das pessoas, ao ponto do oprimido tornar-se opressor. A discussão é ampla, mas o fato é: Snow não é um coitadinho, ele fez suas escolhas, ele sentiu o poder e gostou de estar no topo, e todos aqueles que acharam que este livro era uma romantização de um ditador, se enganaram, e àqueles que desistiram da leitura, meus pêsames, pois A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é o mais complexo e profundo livro de Suzanne Collins. Todos nesse mundo tem um passado terrível, mas Jogos Vorazes é sobre aqueles que não deixaram seu passado terrível vencer, e neste livro ela apresentou o outro lado da moeda.
Aqui, em Amanhecer na Colheita, nossa autora vem com uma história que é com certeza mais conhecida, afinal o Haymitch é muito recorrente nos livros de Jogos Vorazes, diferente de Snow, que é muito mais misterioso sobre tudo. Então nós definitivamente já conhecíamos grande parte dessa história, mas há sempre como se surpreender, e de fato, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes precisava vir antes desse, pois aqui temos grandes referências à icônica presença, à arrebatadora presença de Lucy Gray, nossa mocinha do livro anterior.
Suzanne Collins prometeu, ela não escreveria se não tivesse nada a falar, mas ela tinha. Em alguns momentos pode até parecer explícito demais. Pode parecer que ela está forçando apenas como justificativa, pelo modo que ela escancara como as coisas são feitas aqui. Mas assim como tivemos um choque com o modo que os Jogos eram conduzidos no livro anterior, desse para o de Katniss são 25 anos, então há muito chão para as coisas ficarem mais "maquiadas".
O tema da vez é principalmente a propaganda para as massas, e como ela foi certeira. Eu diria que
Suzanne é até um pouco à frente do tempo, mas tudo bem, ela apenas leu o cenário, como uma figura imersa em questões políticas, no avanço que a desinformação estaria nos tempos atuais. Ela fez este livro inspirado nos resultados das campanhas de Donald Trump, e sua estratégia de propagandas envolvendo Facebook e toda aquela bomba que estourou uns anos atrás. A fake news. E gente, como é uma visão perfeita do mundo em que vivemos. Na verdade não há mistério, Suzanne escreve sobre o que já ocorreu muitas vezes, como no próprio fascismo alemão, a propagando política vende a violência como banalidade, orgulhosamente. E veja a situação dos Estados Unidos na atualidade, campos de concentração, sequestros, desaparecimentos, crianças arrancadas dos pais, absolutamente tudo que sempre foi considerado condenável está ocorrendo diante de nossos olhos, e lembram-se do velho discurso que nós costumávamos dizer de que "Se o Nazismo fosse nos tempos atuais, como toda a mídia, não teria ido tão longe, pois todos nós saberíamos imediatamente e o mundo não permitiria". Bem, os Estados Unidos está indo longe demais, em seu país e nos outros (Israel X Palestina), e mesmo com toda a mídia, nós não fazemos nada. E apesar de tudo isso, Donald Trump é um herói nacional para grande parte de sua população. Os Estados Unidos vende-se como uma grande nação, aberta para os fudidos que queiram vir construir seu sonho, depois de usá-los por anos para alavancar sua economia escravocrata com a mão de obra, não é nem barata, miserável, agora os fudidos viram suas criações de cativeiro. Os Estados Unidos são os heróis intocáveis apesar de tudo, por sua propaganda, sua história inteira é em cima disso, e isso, esse livro vai escancarar.
Nós somos aqui surpreendidos, pois diferente de Katniss que aceita seu papel e vira quase como apenas mais uma (no primeiro livro), aqui temos Haymitch que é lançado em uma confusão que acarreta em sua seleção como tributo pelo distrito 12. Os detalhes dessa confusão são ocultados pela mídia, mascarados, refilmados, tudo vira um grande teatro, mas vender ao povo que a capital está controlando, que ninguém está se revoltando, que todos aceitam seu destino pois é assim que as coisas são. E quando nós vemos esse ponto de visto, quando Haymitch adentra nisso, então tudo passa a ser sobre isso, como a capital está o tempo todo mascarando.
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| Autora dos livros, Suzanne Collins |
Lá atrás, com Lucy Gray, no livro da Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, ela também é uma revolucionária, uma pequena, fator esse que também contribui para ela ser apagada da história, completamente (exceto da mente de Snow), e aqui em Amanhecer na Colheita, mesmo com a revolução não se concretizando, temos vários personagens que saem dessa história com as sequelas de uma pequena revolução. Personagens estes que seguem vivos, são eles que iniciam, e que continuam seu projeto para derrubar a capital 25 anos mais pra frente. A revolução não aconteceu por causa de Katniss Everdeen. No livro sobre Snow, nos é dito que os Gaios Tagarelas começaram a procriar com as fêmeas de Tordo, e os filhos que nasciam eram uma mistura entre o Tordo e o Gaio, ele repetia, mas não era controlado pela capital, ele falava, mas fora de controle, e por isso ele precisava ser eliminado. Se você deixa um revolucionário vivo, então ele vai continuar falando, sua mensagem vai continuar viva. Se o revolucionário passa sua mensagem, então já há uma geração inteira de revolucionários para que você precise eliminar. O problema já era antigo, e aqui nós temos um grande feito, mas a capital erra quando ela apenas pune aqueles envolvidos na micro revolução, punir traumatiza, mas não existe traumatizado que em um sopro de coragem não se torne um vingativo revolucionário, e o resultado vamos encontrar nos livros de Katniss Everdeen.
Como já deu para perceber, nosso mundo é uma bagunça, as pessoas não estudam a história e a repetem. Bom, finalmente chegamos a algo inédito, algo que só existia na ficção científica, a Inteligência Artificial. Esse discurso de pequenas revoluções é um perigo, e no fundo uma grande inutilidade diante da alienação proposta pelo capitalismo, vimos isso como o veganismo, que propõe um mundo como pelo menos uma redução do consumo animal, mas que claro, afeta os lucros do capitalismo, portanto não entra em vigor, apesar disso os agentes da causa continuam, é uma micro revolução em nome da proteção não apenas dos animais, mas do planeta. Agora, diante da inteligência artificial, não utilizar ela é uma micro revolução. A inteligência artificial é uma brincadeira, ela é
divertida, ela oferece um resultado rápido para algo que leva muito tempo, mas ela também te emburrece, te atrasa, te afasta da experiência e da reflexão, e novamente isso é lucrativo para o capitalismo. Quanto mais burro você é, melhor. Então agora a inteligência artificial está em tudo. Ela era legal quando decidia o algoritmo do Spotify, do Youtube, mas agora todas as redes sociais tem uma inteligência artificial que TE USA para se aperfeiçoar. Produtos que chegaram gratuitamente, te usaram e agora são pagos, pois se aperfeiçoaram graças a você, como é caso do MidJourney, Suno, Chat GPT, mas o pior são as inteligências artificiais que programam, que hackeiam, que invadem sua vida. Você não tem acesso a essas IA's, mas elas estão cada vez melhores. Tudo isso, a custo de uma causa que o veganismo já vinha lutando lá atrás, a custo do planeta. A inteligência artificial, a tecnologia do momento, usa muita água, e detalhe muito importante, todos os outros responsáveis pelo aquecimento global CONTINUAM EM VIGOR, absolutamente nada foi mudado nesse quesito, estamos apenas pioram. E essa tecnologia precisa de minérios, terras raras, para se aperfeiçoar, motivo, aliás, pelo qual os Estados Unidos invadiu a Venezuela. Quanto tempo até o Brasil ser o próximo. Há alguns anos acompanhamos os Europeus invadirem o mundo inteiro, pois haviam esgotado seus recursos naturais, agora estamos vendo isso acontecer novamente, e apesar da falsa politicamente, nada nos protege, o mundo continua sendo dos poderosos. Estados Unidos continuam fazendo o que sempre fizeram, e de repente os Europeus se tornaram até os bonzinhos que também estão sendo ameaçados, mas não se engane, afinal eles estão apenas se protegendo, e aliás, o povo branco dos Estados Unidos, nada mais são que europeus que criaram um forte vínculo nacionalista com o seu "Novo Mundo".
O livro Amanhecer na Colheita se faz sim, mais presente do que nunca, pois estas pequenas revoluções, seja qual for, que nós implementamos nas nossas vidas, são responsáveis por este mundo ainda não ter colapsado. Nós não permitimos que eles façam tudo, apesar de eles tentarem, e a mensagem deste livro é clara e emocionante: mesmo que te tirem tudo, mantenha-se firme, mantenha-se no que acredita, pois um dia o que é deles irá chegar.
Nota: Perdão pelo imenso texto sobre IA, EUA, etc, é só por que é mais uma leitura que consigo fazer após uma série de reflexões que vim tendo. Continuem suas pequenas revoluções, mesmo que ela seja, sei lá, não ir à academia diante da sociedade da exposição que INSISTE que você faça academia em troca da "sua melhor versão". Estou sendo totalmente hipócrita aqui, eu odeio academia, mas estou indo neste momento, eu realmente quero ser adorado na internet por ter um corpo, já que ter todo este conhecimento reflexivo depositado neste blog não está exatamente fazendo algo por mim neste mundo escroto, e apesar disso eu insisto que não vá na academia, não seja fraco como eu. Eu uso a IA às vezes também, e apesar disso insisto, não faça como eu. Eu estou fazendo o melhor para parar com a IA o máximo que dá. E eu NÃO, NÃO vou comprar o seu maldito produto que você está anunciando INCANSAVELMENTE EM TODAS AS BRECHAS DA PORRA DO BIG BROTHER BRASIL. YAY! PEQUENAS REVOLUÇÕES PORRA! É DISSO QUE ESTOU FALANDO. Enfim, vamos fazer o que podemos. Uma delas é escrever em um blog enquanto todos gravam no tiktok. Vejo vocês na próxima. Sigam firmes.




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