segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Percy Jackson e os Olimpianos (Season 2) - Temos uma evolução!

 

É isso mesmo, Percy Jackson e os Olimpianos teve uma evolução. Eu rezei todos os dias para que essa série ganhasse um mínimo rumo com a season 2, e isso aconteceu. Mas, apesar de todas as melhorias em comparação com a primeira temporada, tem uma coisinha ainda que era problema lá, e escracha uma problema aqui.

Essa temporada é muito mais emocionante, e não tem jeito, a primeira temporada é muito sem sal, eles fazem tudo sem emoção nenhuma, sem tompero, mas aqui isso pelo menos é resolvido. Os dois primeiros episódios são incrivelmente bons, e na minha opinião são realmente os melhores da temporada, mesmo assim, a temporada por si só é bem boa. Antes de vir para essa temporada eu resolvi assistir a primeira season novamente, e ela não é de todo ruim, e tem um grande motivo que posso perceber agora que contribuiu para eu ter odiado tanto ela da primeira vez, e é um problema aqui nessa também, o tempo. Na primeira temporada muita coisa emocionante é reduzida ao anticlímax, é ruim demais várias das cenas, vários dos monstros sendo tão facilmente combatidos, não parece ter perigo, e para piorar os episódios prometem, prometem, mas não chegam, acabam rápido demais quando poderiam ter mais tempo e desenvolver melhor.

Em todos os lugares só se fala de como Percy Jackson é a série mais popular do Disney+ de todos os tempos, então fica o questionamento: Por quê eles seguem poupando gastos? Afinal o problema de anticlímax com monstros na primeira, e de falta de tempo para desenvolvimento, tudo isso foi por falta da investimento financeiro, mas se a série na primeira se provou ser um sucesso, e nessa segue sendo ainda maior, por quê eles não investiram mais? Bom, a season 3 já está gravada e ainda será lançada este ano, o que me leva a crer que os gastos com essa nova temporada também deve ter sido semelhante. O que me preocupa. Será que teremos tempo suficiente?


Como eu dizia, a primeira temporada segue tendo os problemas dela, mas ao reassistir, notei, o tempo era um grande inimigo, mas justamente por ele ser inimigo, ver em maratona resolveu este problema. Eu tinha ali diante de mim todos os episódios para continuar me aventurando. Eu não sentia que esperava uma semana para assistir trinta minutos de algo com pouca emoção. Quando você assiste em sequência, Percy Jackson e os Olimpianos fica MUITO MELHOR. A falta de emoção de um dos episódios é suprida pelo próximo, e pelo próximo, e pelo próximo. O grande problema do Disney+ é esse lançamento semanal terrível. Eu acho muito escroto ter que esperar uma semana por um episódios de 30 minutos. Nessa season dois os episódios eram bons, mas ainda eram curtos. Eles tinham emoção, mas serem curtos tira a validação do ato de esperar uma semana por aquilo. Essa sensação é o anticlímax da temporada.

Bom, agora que temos todos os episódios, não tem o que reclamar. (Ok, claro que tem). A temporada é muito boa, e já inicia incrível, e eu juro, tive um ataque, um surto, com a cena que toca Mariah Carey, eles foram muito geniais, isso é a essência de Percy Jackson. Coisas do mundo real com coisas da ficção. Esse é o mais legal. Os dois primeiros episódios são impecáveis pois eles entregam muito disso, coisa que na primeira temporada é tão apressado que mal aparece.

Um ponto negativo é talvez a direção das cenas de ação, e em especial da batalha final. OKAY. Tem inúmeros momentos daquela batalha que são incríveis, e quando o Percy leva um espanco do Luke, e SANGRA, eu fiquei boquiaberto (gag), mas momentos antes disso, a cena parece mal dirigida sabe? Tem pontos bem dirigidos e pontos mal dirigidos, mas admito que a produção e direção fizeram milagre, pois se a série tivesse mais investimento, essa batalha teria sido muito melhor, pois é notório como ela está pobre de recursos, e é justamente nas cenas BEM DIRIGIDAS que isso é disfarçado. Juro, parece que duas pessoas dirigem esse episódio, mas não vou conferir, sorry. Fica no achismo mesmo.


Mas agora os grandes pontos altos (além dos dois primeiros episódios), são o desenvolvimento romântico de Annabeth e Percy, que estão a coisa mais linda e fofa do mundo, com a química absurda, que os atores conseguem expressar apenas com os olhares minuciosamente captados pela direção e eu estou obcecado; o divo icônico Tyson, que é muito fofo, impossível de ficar irritado com ele, coisinha mais linda de mãe; e especialmente, a DONA da temporada, a Clarisse. Gente, o que essa mulher fez nessa temporada é indescritível. Essa temporada é definitivamente superior, mas a simples presença de uma personagem complexa e bem escrita como a Clarisse, torna ela o destaque, faz ela roubar tudo. Não consigo pensar em segunda temporada e não pensar que a série é da MUSA Clarisse. Todo mundo arrasa, não me levem à mal (ok, todo mundo não, o Luke é um merda que só brilha quando tá espancando o Percy, só ali ele realmente parece uma ameaça), mas a Clarisse carrega essa temporada com louvor. Nas cenas que ela não está os outros personagens conseguem se desenvolver e se virar bem, mas com ela a história é outra, tudo é dela.

 


Enfim, não preciso acrescentar mais nada. Estou muito satisfeito com essa temporada, e MORRENDO DE ANSIEDADE para a próxima, pois vai adaptar meu livro favorito, A Maldição do Titã. Estou satisfeito, que mesmo com a Disney não liberando o dinheiro, as mudanças que a direção apresenta são muito certeiras em consertar as grandes reclamações que todos pontuaram da primeira temporada. É um alívio. É um grande alívio. E pra season um o que sobra? NADAAAA. Mentira, para não dizer que não sobrou nada, ainda temos o elenco fofinho bem pequenininhos, a coisa mais fofa do mundo, com vozinha de taquara rachada aos treze anos, cute cute. E UM VIVAAAAAA. Vencemos muito com essa temporada excelente. Meu sonho, pra deixar tudo melhor, 100%, seria a partir de agora a Disney lançar todos os episódios de uma vez, mas aí é utopia né, eles jamais fariam isso. Mas enfim. Que venha a season três, ihulll! 


 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Avatar: Fogo e Cinzas - Bilhões não entenderam da primeira vez, bilhões seguem sem entender da terceira.

 

Hoje farei uma coisa que nunca imaginei que faria: Falar de Avatar. Ou melhor, destrinchar Avatar. Uma hora que na minha opinião sempre foi superestimada, que meia parte dessa opinião continua, e isso é culpa das próprias escolhas do idealizador, James Cameron.

Em resumo falarei aqui sobre como eu odeio o primeiro filme e acho ele super entediante, mas depois que nós entramos nessas duas sequências, Caminho das Águas e Fogo e Cinzas, é possível notar como o primeira Avatar tem algo a oferecer, tem um diferencial, apesar isso, filmes de Ação não me agradam. E não é sobre ser um filme de guerra, acho que consigo digerir bem um filme de guerra, o problema é que Avatar são filmes de Ação. Eu acho que o primeiro, tudo bem, o segundo, tudo bem, mas a partir do terceiro já começa a ficar meio chato, e isso é triste, por quê o visual, os conceitos, tudo que é criado para esse universo é simplesmente colocado de lado pelo filme ser de ação. Obvio que grande parte do sucesso desse filme com o grande público é por ele ser um filme de sucesso. A gente sabe que as pessoas não estão acostumadas a ir no cinema para ver drama, suspense, a grande maioria vai pela Ação. Mas eu acho que a partir do quarto filme, o ideal seria repensar a estratégia, afinal, você já sabe que seu filme fará bilhões de bilheteria, o seu público está garantido. Muita gente falou mal de Avatar: Fogo e Cinzas, e nada adiantou, ele continuou fazendo bilhão em bilheteria, portanto você já tem o público.

Quando falo tudo isso, tem a ver com o discurso anti-colonizador, anti-indígenas, anti-racista, anti-capital e ambientalista que o filme tenta propor, tenta apresentar aos espectadores, mas que estão lá apenas pela ação. Nós precisamos de consequências. Precisamos de uma classificação indicativa maior, precisamos de brutalidade, precisamos que a violência do processo colonizador seja exposta. Precisamos que não haja final feliz, e um quarto filme seria o momento de transição perfeito para isso, pois a resolução seria no quinto volume e último.

Perceba que a cada espaçamento entre os filmes de Avatar, mais o meio ambiente é atacado. Neste momento está havendo o boom das Inteligências Artificiais, um responsável pela crise ambiental, e que quanto mais tempo passa, mais o seu expoente de contribuição negativa irá aumentar.

Este filme fala de um planeta Terra que nós não vemos, mas que está destruído. Ele fala de um planeta lindo, fala sobre conectar-se com a natureza, e tudo isso, tudo que ele nos mostra é encantador, mas as cenas de ação quebram isso constantemente.

Sinto que enquanto faltar coragem para falar diretamente, de modo incisivo, de modo brutal, sobre colonização, sobre genocídio, nunca iremos encontrar o verdadeiro potencial de Avatar. Nossa população mundial não protege as terra indígenas, ou terra alguma. Nossa população não respeita o meio ambiente, não se importa com a tecnologia corrosiva, não interpreta, não vai além do básico. Se o discurso é indireto, básico, plano de fundo para cenas de ação que não representam grandes consequências (especialmente ao núcleo protagonista), então essa ameaça não é grande coisa assim. No fim eles vencem. No fim a natureza tá vencendo. Mas, não! A natureza não está vencendo!

 Varang

Varang é uma personagem que prometeu muito, mas acho que talvez todos tenhamos ido ao filme com uma expectativa, e ela entregou outra que é tão simbólica quanto a imaginada. Seu design é incrível, mas é terrivelmente triste que ela se limite a um personagem tão pouco importante a partir de certa parte do filme. Aqui ela cumpre a função de uma pessoa que luta pela sua própria destruição. Ela fica ao lado dos invasores. Ao mesmo tempo que ela rejeita a entidade que rege aquele mundo (que está mais para uma união, uma unidade total dos seres, das coisas que compõem, e não para uma deusa literalmente), ela não consegue viver sem seu Queue, aquela conexão neural que liga tudo em Pandora. Era de se esperar que alguém que tanto rejeita sua "criadora", arrumasse outras maneiras de levar a vida indo contra as regras daquele mundo, mas não, ela mantém o Queue, e tem até medo de perdê-lo, o que é irônico, pois ela se alia justamente àqueles que estão ali para destruir tudo que essa conexão representa. No fim, apesar de ela estar ao lado da destruição, ainda está ligada demais ao seu lado Na'vi, é algo que ela simplesmente não consegue tirar de si. Um paralelo a pessoas distantes dos movimentos de recorte de minoria, e que além disso lutam contra ele, mesmo se encaixando nestes grupos oprimidos pelas regras do colonizador.

 

Texto 


 Um problema que o filme apresenta para mim são as falhas em um texto que quer ser fácil para o grande público. Ele faz comparações com coisas do nosso mundo, que simplesmente não fazem parte da realidade dos Na'vi. O Jake, como um humano, cita coisas como "democracia" para os filhos, como se aquele povo soubesse o que esta palavra significa. É claro que várias coisas humanas podem ter sido comentadas com os filhos ao longo do tempo, mas duvido que o conceito de democracia tenha sido uma delas. Isso vai se estender também em como os personagens se comunicam, e isso inclui todos, mesmo os que não são filhos do Sully. Eles todos simplesmente parecem mais como humanos em pele de Na'vi, falam gírias, entre outras coisas que são muito incompatíveis. A personagem Neytiri é a única com sotaque, a única que segue se comunicando como um Na'vi deveria se comunicar, e isso é um problema desde o primeiro segundo filme.

O Coronel novamente executa o mesmo papel nesse filme, mas finalmente lhe é dito algo muito interessante, pelo Jake, que o diz que ele não vive mais em um corpo humano, ele não é mais humano, ele recebeu a chance de se libertar de toda a corrupção que ser humano significa. Ele não precisa lutar para que um povo que se destruiu seja salvo. Essa é uma regra básica da evolução, se você não se adapta, você morre. O objetivo dos humanos neste mundo é adaptar-se, tornarem-no possível para a vida humana, mas o ar é um veneno. A evolução fornece aos humanos um cérebro capaz de fazê-los buscar um novo mundo para viver, porém isso é apesar atrasar a própria extinção: evolução não tem a ver com as coisas que você pode fazer para salvar sua espécie, mesmo que em outro mundo, é até que ponto o seu mundo permite que sua espécie sobreviva para evoluir. Para os humanos, isso já acabou. Se você não pode salvar o seu mundo, e se você implica a outros mundos o exato mesmo tratamento, isso não é um sinal de maior evolução, significa que nada foi mudado, e seu mundo estava certo quando se tornou hostil para sua habitação. Você acabou, apesar desse esforço para manter-se vivo.

O futuro da humanidade, como eu visualizo para o último filme de Avatar, é a extinção. Pois não se trata de corpo, é espírito, e eles jamais poderão tornar-se "avatares" para viver naquele mundo, isso não seria evoluir, seria ameaçar aquele mundo. A evolução só pode ser proporcionada àqueles que fazem o seu mundo resistir. É por isso que chegamos até aqui como humanidade, e por isso que seremos os responsáveis pelo fim da vida neste planeta, pois evoluir o corpo não eleva o espírito. Para a tristeza dos espectadores de Avatar, nós nem ao menos temos tecnologia para encontrar outro planeta, sair deste e tentar a sorte no exterior, no vazio, e como o público do filme não enxerga o óbvio do discurso, e sim as cenas de ação, embora já seja tarde demais, logo mais será ainda mais tarde.



 Nota final:

Acho o máximo como Sigourney Weaver interpreta uma adolescente aqui. É claro, em que outro filme ela, uma idosa, poderia interpretar uma adolescente? E isso torna essa experiência um pouco mais próxima da magia para mim. 


 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

IPromisedYouTheMoon - Eu... Isso não é um pedido de desculpas!

 Bom. Isso não é um pedido de desculpas ao Oh-aew. Mas com certeza um vai se foder Teh. Vai se foder Teh por estragar tudo e deixar as coisas mais difíceis para mim. Terá spoilers.


 Como vou começar a falar sobre isso? Bom. Dessa vez eu vou deixar o resumo um pouco pra depois para poder fazer algo que não fiz na última, e como esta é a parte dois, a segunda temporada, é bom pontuar algo que acho extremamente importante para a qualidade dessa produção, e também de outras produções desse diretor/criador. Aqui nessa segunda temporada temos um outro diretor, mas Naruebet Kuno segue na produção. A diferença é possível de notar, mas o novo diretor Tossaphon Riantong, faz um excelente trabalho em continuar o trabalho do primeiro, do idealizador da primeira temporada, e da série. Então aqui vão alguns comentários válidos para a primeira parte e que também funcionam para esta segunda, visto que o novo diretor aplica bem os conceitos do diretor da parte um.

Eu acho que ele é um mestre em manter a câmera nos personagens e deixar com que o tempo corra. Momentos de silêncio, momentos de olhares que duram uma eternidade, e fazendo isso de modo bem feito. Obvio que em alguns momento você quer esganar os personagens por eles apenas olharem e não falarem o que sentem, o que pensam, mas é muito curioso e delicioso a forma como o diretor faz isso. Eu acho que vaze cada segundo desses episódios que duram uma hora, às vezes mais de uma hora, por esses momentos naturalistas do vento batendo, da respiração, do olhar. Eu não pareço estar vendo uma série, eu estou vendo algo real, pessoas tendo o tempo real para pensar e responder, diferente de outro dorama que vi recentemente e tive o desgosto de ver (Semantic Error), que mais parecia uma malhação (mas, claro, muito pior pois era coreana). Nada contra malhação, mas os diálogos são atropelados.

Novamente esse diretor pega algo que parecia bom, te incomodava só um pouquinho, e te deixa totalmente desconfortável. Ele fez isso. Eu, assistindo essa segunda temporada, vim torcendo para que Teh notasse todos os problemas de Oh-aew, e não é que ele nota. Tem diálogos internos dele percebendo como Oh-aew não é dedicado, é mimado (quando ele ganha um carro dos pais só pra poder ir pra faculdade), como ele pinta o cabelo ou faz tatuagens só por que os amigos dele fizeram o mesmo. Ele notou todos os defeitos, e eu fiquei muito satisfeito, mas algo estranho aconteceu, eu já não odiava mais Oh-aew.

Esta cena inicial no aquário é uma das coisas mais linda que já vi, e até me inspirou a escrever um poema, algo que eu não fazia há muito tempo.

Oh-aew incrivelmente revelou-se um super carente, mas também uma de suas maiores qualidades, ele é fiel, fiel aos amigos, fiel ao namorado, ele é dedicado às pessoas que gosta, e isso não é um defeito. De uma hora para outra eu estava odiando ver Teh seguir em frente, pois na verdade ele não estava seguindo em frente, ele estava apenas deixando Oh-aew para trás, e isso era horrível de assistir. Ver uma pessoa se esforçando por outra que não quer mais saber dela, é doloroso. Quando acontece a traição (Teh trai Oh-aew com Jai, seu colega de faculdade), foi terrível, e foi imperdoável. Teh não estava arrependido, aliás, ele foi completamente imaturo e ficou insistindo no erro, mentindo, e seguiu magoando Oh-aew.

Eu sinceramente espero tudo desse diretor, e eu estava esperando que eles não ficassem mais juntos, uma coisa tipo Past Lives, mas não, no fim eles vão ficar juntos sim, mas essa construção dos acontecimentos, não consigo nem explicar o que eu senti, mas EU me senti apunhalado. Eu de repente estava totalmente do lado de Oh-aew, eu não conseguia mais lidar com Teh, com a presença dele. As suas desculpas foram fracas demais, e mesmo quando ele faz aquela peça, que eu achei muito lindo, ali até cheguei perto de perdoá-lo, ainda veio o discurso de Oh-aew, e eu não consegui perdoá-lo.

Eu entendo, e foi construído. A distância, e a falta de conexão deles na vida nova os fez se afastar, e fez Teh apaixonar-se pelo seu novo colega de faculdade (Jai). Apesar disso tudo, o diretor escolhe fazer os personagens não discutirem o ponto que a relação chegou (ponto-morto), e deixa os personagens acontecerem, Teh escolhe trair em um momento onde o ambiente, as sensações, tudo falou mais alto. E é fácil até ficar do lado dele, seria, se ele fosse honesto e terminasse, mas não, ele continuou mentindo e ferindo Oh-aew, e é aí que ele me perde. Eu até queria ver ele se envolver com outra pessoa, ter uma construção. Eu acho que não é traição se você se apaixona por alguém e decide aceitar e largar seu outro parceiro. É traição você mentir, você continuar com outra pessoa estando apaixonada por alguém novo. Isso me machucou muito, e eu não consegui engolir, pois até a última cena, e até mesmo quando acabou, eu continuei ali, remoendo em como Oh-aew, um personagem fictício, voltaria a confiar em alguém que mentiu para ele daquela maneira. E ao mesmo tempo a série me pegava pelos sentimentos do passado, construídos na primeira temporada. Eu queria eles juntos, era uma paixão de infância tão incandescente que eu sabia que eles jamais sentiriam aquela sensação com outra pessoa. 

Novamente, pontuo, o criador dessa série, diretor da parte um, sabe muito bem brincar com os nossos sentimentos, e o novo diretor recebeu o bastão e fez um bom trabalho. Mas é claro, que esse mix de sentimentos é muito também a um roteiro que brincou conosco, construiu esse casal, ao ponto de provocar algo tão confuso. Acho que se o objetivo era nos colocar na pele, parabéns, conseguiram.

Apesar disso, eu acho que a beleza da primeira temporada, a mensagem da primeira temporada é tão mais bonita, a construção dos personagens como amigos e rivais, o sonho de ser ator. Todas essas esperanças, os deslumbres da primeira temporada são todos massacrados na segunda: Uma universidade que você não quer mais fazer, um namorado que te trai, uma carreira de ator que não é aquele sonho que você esperava.

Teh, definitivamente se mostra infantil aqui, problemático, e ele não é o mar de rosas que eu pensei, ele é orgulhoso e também retraído. Ele magoa sua colega de faculdade, Khim, por puro egoísmo, e o que me irrita é não termos uma cena dele se desculpando. Teh nessa temporada só se desculpa em último caso, isso é decepcionante. #JustiçaPorKhim. Essa personagem foi a minha favorita da temporada, e eu saí triste por ela não receber o pedido de desculpas que merecia.

No fim, é uma temporada amarga, e se o objetivo dela era mostrar que a infância é um deslumbre, e na vida adulta todo mundo é um merda, parabéns. Para falar a verdade, vindo desse criador da série, eu acho que era EXATAMENTE ESSA A MENSAGEM. Eu, em outra vida, pararia na primeira temporada, Oh-aew é muito irritante e egoísta nela? Sim. Mas tudo na primeira temporada é encantador, e o final aberto seria incrível. Agora, tendo visto a segunda temporada, tudo o que sobrou foi amargor.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

IToldSunsetAboutYou - É de romance mas tem uma coisinha...

 

Essa semana maratonei a primeira tempora de I Told Sunset About You, uma série Tailandesa de drama e romance, criada pelo excepcional Naruebet Kuno, uma pessoa que é tão genial na escrita de personagens e narrativas que consegue deixar 98% dos outros profissionais do ramo no chinelo, e eu posso dizer isso com certeza, e sem limitar a nichos das produções asiáticas, aqui eu falo do mundo inteiro, este homem é absolutamente incrível no que faz. E aqui, Naruebet Kuno também significa uma figura expressiva na produção de conteúdo relacionado à comunidade LGBTQIAPN+, com obras realmente deslumbrantes. Dessa vez, resolvi falar de I Told Sunset About You, mas apesar de a história ser de romance, vou pontuar algo que me deixou com um pé atrás o tempo todo, com uma pulga atrás da orelha na verdade, e eu tenho certeza que isso não é por acaso.

Essa série tem duas temporadas, denominadas parte 1 e parte 2, aqui, estarei falando da parte 1, pois ainda não assisti a parte 2, portanto se estes assuntos são desenvolvidos nela, perdão, essa é a visão de alguém que viu apenas a primeira parte.

Teh
 Breve resumo da história, e com imagem para ilustrar. Ao lado você pode encontrar imagens dos dois personagens principais, Teh e Oh-aew. Oh-aew é um garoto de pele clara cujo a família é bem rica, dona de um resort, no qual, se ele não conseguir entrar na faculdade, ainda poderá trabalhar e ter um futuro promissor e rico, fora isso ele é bastante mimado, mas acima de tudo ele é desleixado, ele não gosta de estudar, não se preocupa com isso. Teh, por outro lado é um menino de pele marrom, ele é
pobre, vive com a mãe e um irmão mais velho em um restaurante da família, é muito dedicado aos estudos pois desde sempre queria ser ator, pois ele tem um sonho, o sonho de interpretar um personagem de uma peça clássica chinesa, o protagonista cujo o nome não irei me lembrar. Teh é simplesmente apaixonado pela ideia de ser esse personagem, desde criança.

Oh-aew
 Quando ainda criança, uma professora da escola decide recriar a peça/filme, e uma versão menor para um espetáculo de ano novo chinês, essa professora seleciona Oh-aew para ser o protagonista, mesmo o garoto não sendo um bom aluno, e mais para frente não sabendo decorar as falas, que por sinal eram em chinês. Teh sabia absolutamente todas as falas, trejeitos, aprendeu chinês, mesmo assim, o colega ficou com o papel. Naquela ocasião ele apoiou que o amigo aceitasse a escolha da professora, pois era um bom amigo, mas claro que ficou sentido por não ter sido o escolhido, aquele era seu sonho. Apesar disso, ajudou o amigo a ensaiar, e quando Oh-aew esqueceu as falas no meio da apresentação, ele as gritou de lado para salvar o amigo daquela enrascada.

No final, Oh-aew chega com uma notícia, a professora falou que adorou a apresentação, e que ela queria repeti-la em breve, e  queria que Oh-aew fizesse novamente o protagonista. Ele aceitou, e depois disso, contou ao amigo. Além disso, Oh-aew que sempre foi confuso sobre o que queria fazer no futuro, trocando de hobbie todos os dias, declarou que queria ser ator, e Teh sentiu-se usurpado.
Eu compreendo. Ele ficou feliz pelo amigo uma vez, o apoiou, o ajudou, e o salvou, e mesmo apesar de tudo isso, Oh-aew foi completamente egoísta e nem sequer sugeriu à professora que seu amigo fizesse o protagonista da próxima vez, já que ele que fizera dessa vez, e Teh o havia ajudado tanto para se dar bem nessa apresentação. Oh-aew foi egoísta, e além disso declarou que o sonho de Teh, agora era o seu também. Ele finalmente havia se encontrado, e o lugar onde se encontrou foi: no sonho de Teh.


A partir disso a história vai se desenvolver. Teh e Oh-aew se afastam por anos, e tornam a se reencontrar no último ano do ensino médio, não na mesma escola, mas em um cursinho de chinês complementar que fizeram para o vestibular que queriam, da faculdade de Artes. Teh fora aprovado em uma pré-chamada pois era muito dedicado, já Oh-aew não passou, pois era horrível em chinês e simplesmente não estudava, ele teria que prestar o vestibular no fim do ano como todos, pois não passou o teste da pré-chamada, que garantia apenas 10 vagas, e uma delas foi de Teh.

Após isso, ele se reconectam, e a história vai dançar através de várias questões, mas a principal é o romance que se desenvolve entre Teh e Oh-aew nesse período onde Teh decide ajudar Oh-aew com o chinês, dando aulas particulares gratuitas.

Nós vamos descobrir que Oh-aew se encantou, pela primeira vez na vida, por algo, que foi atuação, justamente por que fora algo que fizera com o Teh, praticou, ensaiou, e que ele não estava simplesmente "roubando" o sonho de Teh. Isso tinha uma ligação com um sentimento afetivo que Oh-aew percebeu que sentia desde muito cedo por seu amigo. Teh, que se envolvia com uma garota (já no ensino médio, visto que o desenrolar desse romance ocorre nas últimas semanas do ensino médio), agora já não tinha certeza se gostava dela, se era bi, se era gay, se era simplesmente uma fase, ele se encontrava confuso, pois de repente não conseguia mais se ver sem Oh-aew, e tudo sem ele parecia tedioso. Essa é uma questão grande da narrativa, e que pode ser super entediante para o espectador o tanto de vezes que Teh nega o sentimento e simplesmente não beija o amigo. Acontece que o lar de Teh, apesar de amoroso, tem um irmão hétero que conheceu uma garota que os visita regularmente, e Teh passa a ver a mãe orgulhosa de um dos filhos em breve ter uma esposa, e poder ter filhos, o que planta na cabeça do garoto que se ele está apaixonado por um homem, ele jamais poderá deixar sua mãe orgulhosa. Se você não compreende esse ponto de vista, tanta enrolação para o romance rastejante de Teh e Oh-aew vai te frustrar, mas entediar jamais, pois como eu disse no início, o criador dessa série é um gênio.

Teh comparando-se com o protagonista do filme que ele admira.

 

 Mas apesar dos pontos óbvios da descoberta e aceitação da sexualidade que uma série de BL (Boys love) se propõe, eu queria ressaltar um que ela não aprofunda diretamente, mas que assombra nas entrelinhas: racismo.

Como deixei bem explícito no início, Teh é um garoto de pele parda, marrom, ele não é claro, e para aqueles que já conhecem um pouco da cultura tailandesas (e de vários outros locais asiáticos) sabe que há toda uma indústria baseada no embranquecimento. Produtos que embranquecem, clareiam. Uma cultura toda que vende pessoas claras no entretenimento. Simplesmente não há espaço para aqueles que não são claros. Essas pessoas vivem em um ambiente tropical, e não é preciso de muito para perceber que onde há sol, houve uma adaptação da sua população a mais melanina, o que significa pele marrom. Teh é um garoto marrom, que não tem o privilégio de ser medíocre, por isso ele é excelente em tudo que faz. Em determinado ponto da série nos será dito como ele passava fome por que passava horas estudando, que sua cabeça martelava e ele chorava de dor, mas ele se dedicava apesar disso.

Eu acredito que, apesar de um ponto INDIRETO da narrativa, é totalmente proposital trabalhar este tema. O garoto nunca é escolhido, em seu lugar o garoto claro (Oh-aew) é escolhido para o papel, mesmo sem esforçar-se, mesmo apresentando-se mal, ele recebe novamente o papel, e não percebe o egoísmo. Quando ele cresce, ele acha injusto o amigo ser bom em tudo, e saber o que quer, mas ele não vê que o Teh cresceu com muita desvantagem em relação a ele, que Teh não tem uma família estruturada, não tem financiamento, não tem o privilégio de brincar no ensino médio e não dedicar-se e não estudar, e é claro, existem caso de pessoas que não conseguem estudar por falta de concentração, mas aqui, é explícito que não é o caso. Oh-aew não estuda por que não quer.

Se você assiste a essa série e não percebe um ponto tão crucial, você está perdendo metade da sua discussão. Sem querer dar spoiler dos últimos episódios, pois são acontecimentos de cair o queixo da falta de noção de algumas pessoas, de egoísmo, de também de imprudência de outras, e mesmo de hormônios à flor da pele e da falta de pensamento na tomada de decisões, mas vai acontecer algo que você se questiona: Uau, o Oh-aew não possuiu NEM UM PINGO de noção, de senso, de consciência de classe. Apesar do que seu amigo faz por ele, ele ainda sim é super egoísta e infantil.

 

 A série, claro, constrói para que nós perdoemos, as atitudes estúpidas que os dois tiveram, e o egoísmo e falta de consciência de Oh-aew, para que nos apaixonemos pela sensação positiva, o amor, mas é tão cruel. Para mim ficou extremamente difícil de engolir que alguém possa se odiar tanto ao ponto de aceitar a falta de compreensão da situação da outra. A série tenta nos convencer de que não há um problema, de que não precisamos nos preocupar, pois não é aprofundado, mas eu estou vendo um garoto pobre se envolver com um rico que não respeita a abnegação que o garoto pobre faz por ele. Eu estou vendo um garoto rico que repete seus erros e os justifica com sentimento, tadinho ele está magoado, é coração partido, porém isso definitivamente não é o que eu poderia chamar de amar alguém. Oh-aew ama a sensação de ter Teh com ele, pois ele lhe lembra aquilo tudo que ele sempre admirou, e deve sentir que é destino os dois estarem ali apesar de tudo, mas o destino tem nome, e é Teh. Teh perdoa tudo, abre mão de tudo, se ferra, e se desculpa, e se humilha e no fim ainda sai como culpado, tudo em nome de um sentimento reprimido que ele demorou demais para expressar, e apesar de tudo ele ainda ama Oh-aew e o perdoa. Isso é o destino agindo.


Eu não sei o que me espera na parte 2, mas eu definitivamente adoraria que fosse sobre Teh percebendo que Oh-aew foi uma paixão de infância mesmo. Que apesar do sentimento delicioso da autodescoberta, aquele rapaz não o ama, não um amor puro, um amor que compreenda, que abra mão, ele ama nas sensações simplistas que o amor permite, e é por isso que ele é frágil como uma rosa, frágil como uma flor de hibisco. 

 Duvido que seguirá por esse caminho. Acho que essas escolhas do criador da série foram propositais sim, devido à quantidade e dedicação para colocá-las na trama, mas que não impactarão diretamente nela em momento algum. Afinal segue sendo uma história de romance.

Apesar de tudo isso, é possível sim deixar toda a raiva de lado, ver Oh-aew como um adolescente que do topo de seu privilégio não enxerga as questões que contornam o mundo ao seu redor, e só está querendo viver aquela sensação que o amor causa no organismo. Se eu abrir mão de me incomodar com isso, se eu abraçar o romance, a história de amor... aaaaaaaaaa mas é tão difícil, isso me incomoda tanto. No fim, acho que mesmo que o criador da série quisesse que o público apenas se deliciasse com esse romancezinho slow burn, ele também é o responsável por provocar em nós essa sensação incômoda de que um dos dois rapazes está recebendo mais do que merecia. E o outro recebendo pouco, bem pouco e lidando com isso, afinal ele esteve a vida toda acostumado com pouco, então talvez o ponto seja que ele não percebe também quando se trata de amor.

 O final é fofo sim. E acho que apesar de a série não aprofundar no peso da temática de classe e racial, isso torna o clima da série direcional, ela quer que você pense mais no romance, se emocione com os diálogos emotivos relacionado ao amor. É bonito isso também. E como eu disse o autor é maluco, mas um gênio, e ele quer que você enlouqueça, digo isso por que o que ele fez em Gelboys é de matar qualquer um. Aqui ele ainda enlouquece os mais atentos, mas está mais focado em emocionar. E me emocionou. Saio positivo. Apesar de desejar que Teh se livre de Oh-aew, saio positivo.

 

(Ok, ok. Oh-aew não é todo esse vilão que pareceu pelo texto que eu fiz. Eu meio que acabei com ele o texto inteiro. Mas ele tem construções muito interessantes. Inclusive o fato dele se imaginar como uma mulher por que o Teh é "hétero", é uma sacada muito boa. Apesar disso, reforço: a série queria SIM nos incomodar com o recorte de classe, e é por isso que eu fico puto com o personagem do Oh-aew. E eu digo com certeza de que a série quer incomodar com o recorte de classe, baseado especialmente na cena do resultado do vestibular, onde Oh-aew está recebendo o dele numa praia de águas cristalinas, em um resort luxuoso, com os dois pais ao seu lado, enquanto Teh está com sua única mãe, em um restaurante simples, que está fechado e vazio.) 

O autor da série enquanto escrevia ela, e eu enquanto assistia.


 

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO. Recentem...