sábado, 10 de janeiro de 2026

Avatar: Fogo e Cinzas - Bilhões não entenderam da primeira vez, bilhões seguem sem entender da terceira.

 

Hoje farei uma coisa que nunca imaginei que faria: Falar de Avatar. Ou melhor, destrinchar Avatar. Uma hora que na minha opinião sempre foi superestimada, que meia parte dessa opinião continua, e isso é culpa das próprias escolhas do idealizador, James Cameron.

Em resumo falarei aqui sobre como eu odeio o primeiro filme e acho ele super entediante, mas depois que nós entramos nessas duas sequências, Caminho das Águas e Fogo e Cinzas, é possível notar como o primeira Avatar tem algo a oferecer, tem um diferencial, apesar isso, filmes de Ação não me agradam. E não é sobre ser um filme de guerra, acho que consigo digerir bem um filme de guerra, o problema é que Avatar são filmes de Ação. Eu acho que o primeiro, tudo bem, o segundo, tudo bem, mas a partir do terceiro já começa a ficar meio chato, e isso é triste, por quê o visual, os conceitos, tudo que é criado para esse universo é simplesmente colocado de lado pelo filme ser de ação. Obvio que grande parte do sucesso desse filme com o grande público é por ele ser um filme de sucesso. A gente sabe que as pessoas não estão acostumadas a ir no cinema para ver drama, suspense, a grande maioria vai pela Ação. Mas eu acho que a partir do quarto filme, o ideal seria repensar a estratégia, afinal, você já sabe que seu filme fará bilhões de bilheteria, o seu público está garantido. Muita gente falou mal de Avatar: Fogo e Cinzas, e nada adiantou, ele continuou fazendo bilhão em bilheteria, portanto você já tem o público.

Quando falo tudo isso, tem a ver com o discurso anti-colonizador, anti-indígenas, anti-racista, anti-capital e ambientalista que o filme tenta propor, tenta apresentar aos espectadores, mas que estão lá apenas pela ação. Nós precisamos de consequências. Precisamos de uma classificação indicativa maior, precisamos de brutalidade, precisamos que a violência do processo colonizador seja exposta. Precisamos que não haja final feliz, e um quarto filme seria o momento de transição perfeito para isso, pois a resolução seria no quinto volume e último.

Perceba que a cada espaçamento entre os filmes de Avatar, mais o meio ambiente é atacado. Neste momento está havendo o boom das Inteligências Artificiais, um responsável pela crise ambiental, e que quanto mais tempo passa, mais o seu expoente de contribuição negativa irá aumentar.

Este filme fala de um planeta Terra que nós não vemos, mas que está destruído. Ele fala de um planeta lindo, fala sobre conectar-se com a natureza, e tudo isso, tudo que ele nos mostra é encantador, mas as cenas de ação quebram isso constantemente.

Sinto que enquanto faltar coragem para falar diretamente, de modo incisivo, de modo brutal, sobre colonização, sobre genocídio, nunca iremos encontrar o verdadeiro potencial de Avatar. Nossa população mundial não protege as terra indígenas, ou terra alguma. Nossa população não respeita o meio ambiente, não se importa com a tecnologia corrosiva, não interpreta, não vai além do básico. Se o discurso é indireto, básico, plano de fundo para cenas de ação que não representam grandes consequências (especialmente ao núcleo protagonista), então essa ameaça não é grande coisa assim. No fim eles vencem. No fim a natureza tá vencendo. Mas, não! A natureza não está vencendo!

 Varang

Varang é uma personagem que prometeu muito, mas acho que talvez todos tenhamos ido ao filme com uma expectativa, e ela entregou outra que é tão simbólica quanto a imaginada. Seu design é incrível, mas é terrivelmente triste que ela se limite a um personagem tão pouco importante a partir de certa parte do filme. Aqui ela cumpre a função de uma pessoa que luta pela sua própria destruição. Ela fica ao lado dos invasores. Ao mesmo tempo que ela rejeita a entidade que rege aquele mundo (que está mais para uma união, uma unidade total dos seres, das coisas que compõem, e não para uma deusa literalmente), ela não consegue viver sem seu Queue, aquela conexão neural que liga tudo em Pandora. Era de se esperar que alguém que tanto rejeita sua "criadora", arrumasse outras maneiras de levar a vida indo contra as regras daquele mundo, mas não, ela mantém o Queue, e tem até medo de perdê-lo, o que é irônico, pois ela se alia justamente àqueles que estão ali para destruir tudo que essa conexão representa. No fim, apesar de ela estar ao lado da destruição, ainda está ligada demais ao seu lado Na'vi, é algo que ela simplesmente não consegue tirar de si. Um paralelo a pessoas distantes dos movimentos de recorte de minoria, e que além disso lutam contra ele, mesmo se encaixando nestes grupos oprimidos pelas regras do colonizador.

 

Texto 


 Um problema que o filme apresenta para mim são as falhas em um texto que quer ser fácil para o grande público. Ele faz comparações com coisas do nosso mundo, que simplesmente não fazem parte da realidade dos Na'vi. O Jake, como um humano, cita coisas como "democracia" para os filhos, como se aquele povo soubesse o que esta palavra significa. É claro que várias coisas humanas podem ter sido comentadas com os filhos ao longo do tempo, mas duvido que o conceito de democracia tenha sido uma delas. Isso vai se estender também em como os personagens se comunicam, e isso inclui todos, mesmo os que não são filhos do Sully. Eles todos simplesmente parecem mais como humanos em pele de Na'vi, falam gírias, entre outras coisas que são muito incompatíveis. A personagem Neytiri é a única com sotaque, a única que segue se comunicando como um Na'vi deveria se comunicar, e isso é um problema desde o primeiro segundo filme.

O Coronel novamente executa o mesmo papel nesse filme, mas finalmente lhe é dito algo muito interessante, pelo Jake, que o diz que ele não vive mais em um corpo humano, ele não é mais humano, ele recebeu a chance de se libertar de toda a corrupção que ser humano significa. Ele não precisa lutar para que um povo que se destruiu seja salvo. Essa é uma regra básica da evolução, se você não se adapta, você morre. O objetivo dos humanos neste mundo é adaptar-se, tornarem-no possível para a vida humana, mas o ar é um veneno. A evolução fornece aos humanos um cérebro capaz de fazê-los buscar um novo mundo para viver, porém isso é apesar atrasar a própria extinção: evolução não tem a ver com as coisas que você pode fazer para salvar sua espécie, mesmo que em outro mundo, é até que ponto o seu mundo permite que sua espécie sobreviva para evoluir. Para os humanos, isso já acabou. Se você não pode salvar o seu mundo, e se você implica a outros mundos o exato mesmo tratamento, isso não é um sinal de maior evolução, significa que nada foi mudado, e seu mundo estava certo quando se tornou hostil para sua habitação. Você acabou, apesar desse esforço para manter-se vivo.

O futuro da humanidade, como eu visualizo para o último filme de Avatar, é a extinção. Pois não se trata de corpo, é espírito, e eles jamais poderão tornar-se "avatares" para viver naquele mundo, isso não seria evoluir, seria ameaçar aquele mundo. A evolução só pode ser proporcionada àqueles que fazem o seu mundo resistir. É por isso que chegamos até aqui como humanidade, e por isso que seremos os responsáveis pelo fim da vida neste planeta, pois evoluir o corpo não eleva o espírito. Para a tristeza dos espectadores de Avatar, nós nem ao menos temos tecnologia para encontrar outro planeta, sair deste e tentar a sorte no exterior, no vazio, e como o público do filme não enxerga o óbvio do discurso, e sim as cenas de ação, embora já seja tarde demais, logo mais será ainda mais tarde.



 Nota final:

Acho o máximo como Sigourney Weaver interpreta uma adolescente aqui. É claro, em que outro filme ela, uma idosa, poderia interpretar uma adolescente? E isso torna essa experiência um pouco mais próxima da magia para mim. 


 

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