sábado, 28 de março de 2026

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO.

Recentemente me peguei pensando sobre o primeiro anime hentai que vi na vida. Do absoluto nada, eu só lembrei disso, o motivo não tinha nada a ver, mas eu estava me questionando se algum dia eu já tinha assistido algum anime que eu considere feio hoje em dia, e eu lembrei desse anime. Ao conferir concluí que de fato eu acharia ele terrivelmente feio hoje em dia. Eu mal assisto animes atualmente, mas quando eu assisto, é primeiro pela aparência (numa dessa, naquela época, me meti num tal de "Sankarea" que era uma bomba, e além disso, vendo hoje em dia, ele era feio demais, mas eu achava lindo na época). De toda forma, eu decidi fazer esse post não para falar sobre a história de Aki Sora, seja pro bem ou pro mal, mas sim do clima.


 Dando um breve resumo, a história. Este anime vai gerar em volta desses dois irmãos, o Sora e a Aki, que embora não sejam irmãos de sangue, AINDA SÃO IRMÃOS, mas que mesmo assim, esse detalhe sobre ser de sangue ou não, é irrelevante, já que em determinado ponto do anime teremos a irmã (que eu acho que é gêmea) do Sora, se envolvendo, e virando um grande surubão (Se não me engano, reforçando. Pois eu não reassisti, aqui é tudo da memória). O que acontece é que o Sora e a Aki começam a se envolver romanticamente, e sexualmente, e depois a irmã Nami, fica com ciúmes e entra na parada. A história é basicamente sobre isso. Mas ela é dramática. Ela tem um teor de medo de que este romance proibido seja exposto. E enfim, tem uma outra menina da escola que também gosta do Sora, por que é um harém, TODAS QUEREM ESSE NERDOLINHA AVIADADO.

Talvez seja por que o Sora é o único homem sensível do Japão e do mundo, e todas as mulheres começam a brigar por ele. Nunca saberemos como este rapaz passou a comer ao invés de dar, mas é o que rola aqui nesse anime kkkkkkkkkk. E sim, eu vou falar das coisas explicitamente, afinal já estou falando de um hentai mesmo.

Eu fiquei me questionando por quê este anime me cativou tanto na época. Ele nem era explícito, as partes íntimas não eram mostradas, era quase como assistir Elite, mas versão anime (Tenho quase certeza que tem incesto em Elite). Mas aquilo, para um pré-adolescente era MUITO EXCITANTE. Eu nunca tinha visto algo como aquilo, e para além disso, o arco dramático era suficientemente interessante na época, para mim pelo menos. Eu indiquei este anime a todos os meus outros colegas punh--, digo, otakus, e todos eles odiaram. Talvez não fosse explícito, ou talvez por ser de drama ao invés de ação, eles estavam mais interessados naqueles que eu considero verdadeiros lixos: High School DxD, ou High School of The Dead.

Mas para além do drama, tinha algo no clima desse anime que era cativante. Dava vontade de viver aquilo. NÃO, NÃO O ROMANCE INCESTUOSO! Estou falando do clima do anime. Tinha sempre um clima chuvoso, aconchegante, até as cenas de sexo tem uma chuva de fundo. O Sora também está quase sempre chorando ou doente, ele chora por se sentir culpado por estar TRANSANDO COM A PRÓPRIA IRMÃ, e por que não pode assumir isso, então quando o céu não está derramando lágrimas, é o Sora.

Mas tem uma sensação, que com licença, preciso dizer o que sinto, envelopa-se ao clima do anime, e dá lugar a uma angústia que na adolescência talvez fosse o anseio da vida adulta, mas que na vida adulta reconheço como o anseio por alguma sensação que justifique a minha tristeza. Este anime tem isso. Me lembrando agora, percebo que eu tinha vontade de viver aquilo, e hoje isso retorna (aquilo, aqui mais a solidão dos personagens, o clima soturno) como uma justificativa para a minha tristeza. Quase como se na vida adulta buscássemos por sexo casual em alguns momentos para voltarmos depois à solidão em nossos apartamentos. Bom, essa sensação, como na adolescência, permanece só num desejo para o futuro, pois eu não faço sexo casual, não tenho meu apartamento, e eu moro debaixo da linha do equador, então é mais fácil cair um pedaço do sol aqui, do que uma gota de chuva. Mas também no fundo revela uma desesperança em mim, quase como se eu já esperasse que daqui para a frente nada de bom me faria rever a vida, e o meu maior desejo é ter uma vida solitária, soturna, vazia, silenciosa, sem brilho.

Para encerrar, este blog é meu, então gostaria de confessar, que tem uma cena muito marcante desse anime para mim, e eu não esqueço dela. É uma cena de sexo, entre o Sora e a Aki, eles estão na escola, eles se escondem, acho que a Aki tava na educação física, e ela estava toda suada, daqui eles vão para um depósito de materiais de ginástica, o Sora deita a Aki numa pilha daqueles tapetes fofos de Judô, e ele ajoelha e começa a chupar ela, mesmo ela estando suada, e ela reluta dizendo que estava suada, mas ele é um twinkzinho safado, e ele diz que gosta do cheiro dela suada. E para mim foi uma grande descoberta. Primeiro que eu descobri que homens gozavam com esse anime, mas nesse cena eu descobri que mulheres gozavam também. O Sora faz sexo oral na Aki, com ela deitada de barriga para baixo. É uma cena realmente muito linda e excitante, e EU SOU HOMOSSEXUAL. Enfim, vai entender. De toda forma aquilo alterou a química do meu cérebro. No fim, embora seja uma anime de hentai incestuoso, ele meio que ensina os meninos a serem sensíveis, e fazerem sexo oral nas mulheres. Por outro lado ele também ensina a transar com as irmãs. É, deixa para lá, esse anime não tem fator educativo, DEFINITIVAMENTE.

Eu pesquisei gifs desse anime para ver se encontrava a cena, e eu encontrei. KKKKKK. (Começo a me arrepender de estar fazendo esse post. Mas tá de boa, é em nome da reflexão, da discussão, do desabafo. E no fim, nem vou divulgar isso, então quem ler, leu, quem não leu, não leu.)

 

Brincadeiras à parte, viram o que eu fiz? Quebrei o clima triste e desesperançoso, com um texto picante, e uma piada ácida no final para descontrair. Me agradeçam por isso depois. Enfim, foi isso. Aki Sora. EU ACHOOOO que hoje em dia só tem para ver esse anime em sites pornô, já que quando eu pesquisei o nome dele no google, só apareceu isso... então assim kkkkkkkkk. Mas na época ele tava em vários sites de anime, e foi justamente por um deles que eu conheci, quando apareceu na tela inicial. Ai ai. Coisas de adolescente ne gente. Até a próxima. 

 

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Saga Divergente estava fadada ao fracasso pois não possuía ALMA!

 

Quando eu estava nas minhas férias antes de entrar no ensino médio, eu ainda tinha treze anos, iria fazer quatorze em breve, eu conheci novas pessoas. Eu tinha uma amigo chamado T, e ele tinha um amigo chamado J. O J tinha uma família muito interessante, uma família unida e completa e estruturada, e que claramente apoiava e incentivava cultura nos filhos, mesmo sem serem ricos, sem serem classe média. Eles davam o melhor para os filhos deles sendo classe baixa, algo semelhante ao que minha mãe fez solo, e os pais do T também fizeram, mas era outro nível. J tinha muitos gibis, muitos mangás, ele desenhava incrivelmente, e devia ser uns 2 anos mais novo que eu. O J tinha um irmão mais novo, e uma irmã mais velha, essa irmã mais velha tinha uns 16 anos na época, e ela vivia justamente no boom das distopias adolescentes, sendo uma adolescente, e ela tinha absolutamente todos os livros que você possa imaginar que o ano de 2014 tinha para ofertar. Mas eu não conheci Divergente através dos livros, ela conheceu, mas ela me apresentou essa história mesmo foi pelo filme.

Divergente tinha lançado no início daquele ano e eu nem tinha ouvido falar, mas ela sim, e certo dia, enquanto eu falava com ela sobre minha obsessão em Jogos Vorazes, me indicou este filme, e eu encontrei ele pirateando pela internet, e meus amores, foi amor à primeira vista.

 Divergente tem uma estrutura muito interessante que é essencial para captar um público, ele quer que a sua personalidade seja valorizada. Ele quer criar intimidade com você a partir do que você é. Algo semelhante às casas de Hogwarts, temos as facções, e cada facção representa um pouco da personalidade dos membros, e pessoas Divergentes são aquelas que não se encaixam em apenas uma facção, que elas tem traços de outras. Pra esclarecer temos Abnegação, Audácia, Erudição, Amizade e Franqueza. Os nomes são autoexplicativos. E em primeiro momento você fica pensando: Mas não é normal todos nós termos mais de um traço? Sim, obviamente. Mas nessa sociedade não, todos tem apenas um único traço, e se não tem eles são Divergentes. Aqui temos uma estado que não é que seja totalitário, mas ele é, afinal se você não se encaixa em nenhuma facção, você morre.

A protagonista, Tris, nasceu na Abnegação, mas ela vai parar na Audácia após a cerimônia de escolha.


Antes dessa cerimônia eles passam por um teste que determina COM CERTEZA a sua facção, e até se você é Divergente. Acontece que a Tris é Divergente, mas a mulher que faz o teste dela se compadece, e fala pra ela sair de lá dizendo que é da Abnegação. O teste da Tris dizia que ela era Abnegação, Audácia e Erudição, se não me engano, ou seja, Divergente. A mulher registra que ela é da Abnegação, mas mesmo assim, a Tris, na hora de escolher, escolhe Audácia. Isso obviamente coloca nela os olhares. Primeiro que, se escolhe uma facção a qual não pertence, e se dá mal nela, ela vira uma Sem-Facção, que é tipo uns mendigos, cujo o único apoio vem do povo da Abnegação, por motivos óbvios. Mas se ela escolhe uma facção diferente da do teste, e se dá bem, significa que tem algo de errado. Era pra ela se dar mal, afinal no teste dela está dizendo "Abnegação" e não "Audácia". E é aí que começa-se a criar a trama.

Enquanto Tris se sai super bem na Audácia, vai começar a sem investigada, e essa investigação repercute nos seus amigos, nos seus familiares, até o ponto que se desenrola em um plano, onde a Erudição toma o poder da cidade, utiliza a Audácia como soldados para impor suas vontades, tentando dar um golpe de estado. Antes a Abnegação era quem liderava a cidade, por motivos óbvios, uma pessoa que Abnega seus bens em nome do coletivo, protege melhor os direitos do coletivo. Mas daí há umas informações suspeitas contra o líder da Abnegação rolando, e a líder da Erudição arma esse golpe.

Falando assim temos uma história muito interessante, com uns mistérios, questões políticas a serem discutidas, e de fato, para um adolescente, um pré-adolescente, é tudo encantador. Além disso tudo ainda tem um romance que rola, pra prender a atenção da galera, o problema é que a estrutura criativa da história é fraca.

Veronica Roth é uma escritora muito inferior, que tenta surfar na onda de Jogos Vorazes, mesmo sem ter a qualidade criativa e de escrita de Suzanne Collins, autora de Jogos Vorazes, então, a proposta do primeiro livro, mesmo que ele não seja excelente, é boa, mas as decisões que justifiquem os dois próximos livros - já que a moda era as Trilogias - são injustificáveis. A sensação que deu é que ela teve a ideia base, mas não pensou em como justificaria tudo aquilo no futuro.

Como justificar a organização daquela sociedade que vive ali cercava sem sair de lá, e tem os mistérios envolvendo isso. E por que eles matam divergentes, e quais monstros vivem do lado de fora do muro. Enfim.

Insurgente, o livro seguinte é uma transição terrível, sem justificativa alguma, que não esclarece nada, que apenas estende - e muito - a resolução medíocre que só irá acontecer em Convergente.

O ponto de partida é legal, cativante, mas ele não é seguido por um trabalho criativo por parte da própria autora para que justifique toda a sequência. Veronica Roth não sabia onde exatamente a história iria parar. Talvez ela tivesse a pretensão, mas não possuía os meios para chegar àquilo, e isso explicar por que o segundo livro é tão medíocre, e em consequência o seu filme.

Nota: o livro "Quatro" é basicamente o primeiro livro, só que da perspectiva do personagem Quatro, que é par romântico da Tris. 



Os Filmes

 O primeiro livro faz um bom trabalho na minha opinião. Mesmo assistindo hoje em dia ainda acho um bom filme, mas é vergonhoso até comparar com outros primeiros filmes tipo Jogos Vorazes, e Maze Runner - apesar de eu preferir Divergente a Maze Runner, a qualidade entre eles é notória. Tanto em roteiro, quanto em atuações, escolhas criativas, mas fazer o que se o livro já não era grandes coisas. Mas minha sugestão é: pare no primeiro livro/filme. Você não precisa dessa conclusão.

O problema começa no segundo filme, que DESESPERADO para dar algo ao público, já que o livro não dá nada, precisa fazer um monte de escolhas de roteiro, que entregam sim, ação, ao menos, mas que seguem não fazendo nada pela trama, segue sendo um livro de transição para a conclusão. O segundo livro é muito ridículo e entediante, pois apesar do último ser medíocre, ele nos entrega novidades. No segundo apenas temos a mesma coisa do primeiro, só que sem o toque charmoso das descobertas.

Em audiência, esses dois já não foram bons, mas o segundo foi muito pior, e como o segundo filme foi horrível, cria-se um estigma no público, de que talvez o próximo filme seja ainda pior. Mas de alguma maneira, o estúdio decidiu dividir o último filme em DUAS PARTES. Uma escolhe IMBECIL, completamente. Convergente é HORRÍVEL. O terceiro livro não tem conteúdo nem pra um filme inteiro, quem dirá dois. E o pior, Convergente tem um gasto absurdo com CGI, e acho que o filme nem se pagou, e por isso nunca tivemos a Parte 2 lançada.

A protagonista, Shailene Woodley, que faz a Tris, tinha um contrato pra uma Trilogia de filmes, e ela gravou a trilogia, AFINAL É UMA TRILOGIA DE LIVROS. Mas devido a todo o caos, e o fracasso, ela inclusive já se negava a voltar para um filme final, provavelmente voltaria mediante um acordo, mas isso incluiria mais gastos, e Convergente não poderia dar-se ao luxo de ter mais gastos, já que a Parte 1 mal se pagou. E bom, foi cancelado. Eles até chegaram a falar que iriam fazer uma série para TV com a resolução, mas isso não rolou. Shailene Woodley muito menos estaria disposta a voltar para uma série, e ela estava certa, aquele foi o auge de sua carreira, com A Culpa é das Estrelas, e ela tinha propostas muito mais interessantes por vir, mas a culpa de não rolar não era dela. O estúdio se poupou, depois de cometer todos os erros possíveis.

O terceiro filme... assim, é um acontecimento mesmo, sabe. Ele é vergonhoso. Ele é horrível. E eu acho que posso dizer que o estúdio não precisava ter gasto tanto que gastaram com CGI. É basicamente tudo de CGI nesse filme, e é ruim. Um CGI ruim! E enquanto eu lia o livro, eu não sei se é pela falta de técnica de escrita da autora, em descrever o nível tecnológico da sociedade, ou se realmente o filme escolheu ser ridículo dessa maneira, mas para mim eles não tinham essa tecnologia super avançada que é mostrada no filme. Era uma coisa mais underground, mais normal. Era avançado, mas ainda parecido com o que temos, e no filme são umas naves voadoras redondas, uns super prédios frutiger aero, uma coisa meio Utópica, pra destoar das cidades do primeiro filme, que eram ruínas. Enfim. Terrível escolha artística, já que a resolução e justificativas eram medíocres.

Agora vem um spoiler do final, já que não temos filme dele, no próximo parágrafo. 

Aquilo era tudo um experimento de uns caras poderosos. Ou seja, eles tinham várias daquelas cidades


do primeiro filme, e o experimento consistia em todos na cidade serem Divergentes, e livrar o mundo desse gene único, que acho que foi resultado de uma guerra que rolou a muito tempo, onde tentaram fazer uma dominação com base na segregação, sei lá, eu também não lembro muito bem, mas os poderosos chegaram à conclusão de que o mundo só teria paz se pegasse o povo, colocasse nessas cidades, falasse "Olha os Divergentes são proibidos", para terem cada vez mais divergentes (Seja lá por que isso aconteceria enquanto você mata os que são divergentes), e assim que a cidade tivesse um número de pessoas curadas, a verdade seria revelada, sei lá. Ou quando um divergente assumisse o poder. Gente, eu não lembro bem, e o fato é que isso realmente não faz diferença. A questão toda é que é uma justificativa terrível, mal feita, mais pensada, e é claramente resultado de uma autora que teve a ideia para uma sociedade INJUSTIFICÁVEL para iniciar uma saga, mas que não pensou como justificaria isso no final. 

É por isso que chega ser pecado comparar Divergente com Jogos Vorazes. A semelhança é fazem parte de um hype da época, mas Jogos Vorazes é movido por questões filosóficas que a própria autora crê e desenvolve em cima, questões que permeiam nossa sociedade até os dias atuais, e é por isso que seguimos com novos lançamentos de Jogos Vorazes, pois a sociedade segue dando motivos para pensarmos até onde vai sua manipulação e crueldade. Se Veronica Roth acreditasse no que escreve, quisesse passar uma mensagem com sua escrita, ou mesmo soubesse como fazer algo que entretivesse, ao invés de apenas revelar sua mediocridade, talvez Divergente não fosse tão ruim. Essa história segue algo semelhante a Maze Runner de James Dashner, nisso elas são bem mais semelhantes do que com Jogos Vorazes, nenhuma das duas acredita no que quer passar com sua história, e por isso não possuem uma justificativa plausível. Mesmo assim, Maze Runner sabe entreter, propondo desafios diferentes a cada livro, e uma dose dramática bem mais elaborada, mas o seu primeiro filme é o grande destaque (Em Divergente também, mas não dá pra comparar também, mesmo eu já tendo dito que prefiro Divergente, o primeiro filme de Maze Runner é mais instigante de fato).

Quando se escreve uma história sem alma, ela é uma casca do que poderia ser. Divergente poderia ser incrível, se no fundo, a autora acreditasse que o que ela estava escrevendo revelaria-nos algo. Não se escreve histórias de revolução se suas bases filosóficas para essa história simplesmente não existem. O que você quer nos contar com isso Veronica Roth? O ser humano é terrível? Sim, já sabemos, mas se quisermos ler sobre uma fantasia disso podemos ir até Jogos Vorazes que tem bases sólidas, tem alma, tem qualidade, e tem mensagem por trás, não é um simples entretenimento, isso sim gera reflexão. Jogos Vorazes não tem medo de discutir seus temas, pois acredita neles, e quer gerar reflexão sobre eles. Divergente é realmente só entretenimento e da pior qualidade. Você não vai ficar pensando por que a sociedade faz isso, você vai ficar pensando: Hm... bom, acabou. Vamos agora ler um outro livro. Seja ele qual for.

A única reflexão que este livro/filme nos gera é de como ele foi terrível, e como ele tenta ser algo que não é, e bem, podemos tirar algo disso: Não escreva sobre revolução se você não tem algo revolucionário a ser dito. Se você não deseja criar revolução de pensamento através disso. Os livros para entretenimento deve existir, mas não disfarce seu livro de entretenimento em uma mensagem, nós vamos perceber. 

 

 Nota final:

Meu carinho por Divergente, especialmente o Filme, e apenas o primeiro, continuam, e provavelmente durarão para sempre. É um filme que eu revisito vez ou outra, e verdadeiramente adoro, é como eu disse, ele tem um talento em gerar em você uma sociedade que você gostaria de ser incluído, entrar em um grupo, com pessoas como você, e a trama ao redor disso também é instigante. Mas bem, podia ser só isso. Nem tudo é pra gerar um reflexão além, e talvez todas as reflexões que precisássemos pudessem ser formadas com uma única história, de um único livro/filme. Nós não precisamos justificar se não temos justificativa.

Apesar disso eu era muito fã. Me lembro de ficar parado, esperar o cinema abrir, para ser o primeiro a comprar o ingresso de Insurgente e poder receber um dos Pôsteres que eram dados aos primeiros da fila. Eu tenho esse Poster até hoje, e eu não odeio Insurgente, não odeio Convergente, reconheço que são bem ruins, mas o carinho continua, e eu com certeza reassistiria todos eles. Como um filme genérico funciona, mas eu não compraria os livros, talvez apenas o primeiro, que é realmente bom, assim como o filme. Veja, eu disse "bom", e não excelente. 

De toda forma, eram temos mais simples, a adolescência.


 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hamnet - A vida é como um palco

Nota: Este texto pode conter spoiler, se visto da perspectiva que analisa algumas questões do filme, enquanto faz reflexões em cima do que foi visto. Quando escrevi ele, eu não estava pensando em analisar visualmente, mas minhas considerações é que este filme é um espetáculo, e que o visual é definitivamente muito impactante. Eu agradeço a Chloé Zhao e sua equipe por isso. A seguir, reflexões, minhas, independente de se você considerar isso um Spoiler ou não.

 

 Eu já tinha a sensação de que este seria um daqueles filmes inesquecíveis, um daqueles que ficam na gente, e um daqueles que fica em mim. Adiei por muito tempo, estava esperando ter a chance desse filme vir para o cinema da minha cidade, mas quando finalmente percebi que não aconteceria, que foi hoje, decidi que o momento havia chegado. Acima destaquei uma imagem sublime, um frame logo do início do filme onde Agnes (Jessie Buckley) está deitada entre as raízes saltadas de uma árvore que mais parece com uma vagina. Quase como se o filme estivesse dando à luz à figura principal de toda essa história. Agnes é uma mulher que emana poesia, fruição. Seus conhecimentos, suas filosofias, o que ela carrega é profundo e lindo, e belo. Agnes está ali, prestes a ser dada a luz, saindo de um lugar intocável, para um mundo cruel.

Enquanto eu assistia a este filme desenvolvi dois questionamentos reflexivos, o primeiro era sobre qual seria o sentido da vida se você não a vive com integridade, se você não pode desposar dela. E isso muito se vem devido ao fato do personagem William, não poder ficar com os filhos. Ele era um homem muito livre que era até tratado por vagabundo, um homem que vivia pelas suas normas, e de repente uma família exigia que ele tornasse-se um "homem" na régua da sociedade, e nos olhos de Agnes, tudo que eu podia ver era "qual o sentido da vida se você não a vive", e por anos deveríamos estar assolados com esta dúvida terrível, o tempo todo, questionando-nos quando teremos um pouco de dignidade, quando finalmente viveremos uma vida integral, uma vida que nos permita deitar entre as raízes saltadas de uma árvore, uma vida que não nos obrigue a ficar distante daqueles que amamos, uma vida que não nos faça nos afastarmos, ou destruirmos aqueles que amamos.

Cidades surgem, que formam sistemas, que prometem dignidade, que prometem proteção, que te cobram em troca da saúde, da segurança, enquanto na verdade é tudo hipotético, nada disso é garantia, então por que nós as sustentamos? Se a vida é uma constante ameaça então por que simplesmente não vivemos a integralidade dessa ameaça até que no fim isto acabe? Há uma super romantização de como a vida deve ser levada, mas na verdade, é tudo uma mentira, mentiras inventadas há tanto tempo que nem ao menos sabemos quem foi (Eu escrevo sobre isso em meu livro de ficção que também não sei quanto tempo levarei para terminar).

Em Hamnet, William perde o filho, não pode nem ao menos se despedir enquanto ele ainda estava vivo, sua esposa Agnes não consegue aceitar que o "papel do homem" que William cumpria era tão violento, que não o permitiu viver os últimos momentos do filho, mas o culpa. É claro que ela odeia aquilo, mas o culpa por se submeter a isso e por não estar lá, e é a partir disso que surgem as reflexões que darão origem aos sentimentos da obra Hamlet de William. É onde William irá retratar como é seu luto, como é se sentir incapaz, e como no fim, apesar de tudo, fica um completo vazio.

Nesta cena, onde William da as suas falas no palco, contracenando com o ator que faz Hamlet, ele como o pai morto de Hamlet, um fantasma, que Paul Mescal chora e sorri, e uma outra reflexão surgiu, chorar e sorrir estão tão próximos um do outro quanto estão distantes. É algo que é preciso desenvolver melhor, mas a princípio, quando você chora você grasna, geme, soluça, grita, quando você ri, você sorri, grita, grasna, ronca. Quando está chorando tudo parece tão ridículo que de um momento para o outro você pode começar a sorrir. Essas atribuições de chorar e sorrir são algo que inventamos, tanto quanto a cidade, ou o papel do homem, tanto quanto os sistemas. Chorar e sorrir são humanos de modo que não há como separar, e não há por quê. Quando se está irritado você pode chorar, mas também sorrir. Chorar está para o sorrir não como a tristeza para a felicidade, os sentimentos não estão relacionados aos atos de chorar ou sorrir, os atos são espontâneos e particulares, os sentimentos são muito mais facilmente decifráveis. Quando eu estou triste eu choro, mas também posso chorar quando estou feliz. Chorar e sorrir estão lado a lado como dois irmãos gêmeos, como vida e morte, não são contrários, são iguais, mas com diferenças de perspectiva.

 

No fim, após aquelas cena super emocionante de Hamlet morrendo no palco, vemos no encerramento, a resposta para o luto de Agnes. Quando o Hamnet pergunta para a mãe sobre o futuro, já que ela tinha aquela clarividência de tocar nas mãos de alguém e ver seu futuro, ela diz que ele era forte, crescido, em Londres, trabalhando com o pai, William, no teatro, e a criança pergunta o que estava fazendo no teatro, e a mãe diz "O que você quer fazer", ele diz que quer ser um dos atores, com uma espada, enfrentando o oponente em cena.

 

 Para mim, eu achei que ela estivesse inventando, meio com a questão de que eu já tinha para mim que o filho iria morrer, isso, acredito é parte da sinopse (apesar de nada te preparar para a cena quando isso acontece), mas a verdade é que ela estava vendo de fato aquilo acontecer, pois a resolução para as perguntas de todos sobre para onde vamos quando a vida acaba, ela irá encontrar apenas mais para frente, na peça. Posso imaginar como ela ficou sem entender nada, quando sua intuição lhe disse aquilo, mas na realidade, seu filho agora estava morto, era, para ela, inacreditável. E então, no fim, enquanto assistia a peça do marido, ela vê o jovem ator interpretando Hamlet, e quanto o personagem morre no palco, atrás, a criança, Hamnet, está diante de um arco que leva para os fundos do palco, aquele era o fim da peça, bem como foi o fim do filme.

Como poderia Agnes enxergar no futuro do filho Hamnet, uma peça que nem poderia ocorrer se ele tivesse continuado vivo. De repente lá está ela, diante da resposta, e William também a encontrar. Hamnet não foi para o céu, ele apenas foi para o fundo do palco, para o backstage, esperar para interpretar o próximo papel, para onde todos os atores vão quando termina seu papel naquela peça. Como poderia vida e morte ser sequencial, e não complementos, iguais, mas diferentes, quando para Hamlet existir, precisou de Hamnet deixar este mundo? Algumas perguntas são muito difíceis, então é mais fácil alegorizar suas respostas. Um palco. Atores. Os fundos. Subimos e descemos do palco, trocamos de papel. O palco continua lá, esperando para nós subirmos novamente. 

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

It: Welcome to Derry - Os adultos não acreditam no inacreditável, a não ser que isso justifique seus preconceitos.

Eu assisti It: Welcome to Derry depois de muito tempo, isso tudo por preconceito. No fundo eu sentia que seria mais do mesmo do que vimos nos filmes, e para ser sincero não sou o maior fã dos filmes de It: A Coisa, então não esperava nada dessa série, mas neste fim de semana de carnaval eu não tinha nada mais para fazer, nada para ver, então decidi que daria uma chance, e como sempre, HBO nunca decepciona, e eles entregam sempre excelência, e eu estava completamente enganado.

Sabe uma coisa que percebi em mim, quase sempre que eu julgo alguma coisa com tanto fervor, essa coisa acaba se revelando uma forte obsessão mais para a frente, por exemplo quando eu era mais novo e julgava homens se beijando, mas de repente homens se beijando são a coisa que eu mais adoro. E acho que já falei aqui em algum outro post, mas Melanie Martinez, Conan Gray, Sombr, todos artistas que eu julguei e depois passei a gostar muito, mas a lista é ainda maior. Há diversas coisas na minha vida que de primeira eu julgo, depois eu me torno obcecado. Bem, foi o caso de It: Welcome to Derry. Essa série não é apenas melhor que os filmes, ela é melhor que a sua principal concorrente do momento: Stranger Things. Enquanto Stranger Things se redirecionou após a primeira temporada, para ser uma série menos violenta, para fazer sucesso com o público infantil, HBO sabe o que tem em mãos, e sabe que ter crianças no elenco NÃO TORNA sua obra INFANTIL. Welcome to Derry é grotesca, profunda, ela usa seu tempo muito bem, coisa que vimos em Stranger Things na primeira temporada. Porém, há uma grande diferença, e como não repetir a mesma história dos filmes, se a história é obviamente sempre a mesma? A Coisa revivendo a cada 27 anos para matar criancinhas, bem, a resposta está na mão: crítica social.

O tópico que eu ressaltei no título dessa publicação já será explicado, pois agora precisa falar da temática de destaque de It: Welcome to Derry, sua crítica social. Essa crítica social é sobre a sociedade dos anos 60, mas também sobre a nossa atual, afinal, parece muito tempo, mas as coisas definitivamente continuam as mesmas, e aos poucos vemos um retrocesso. Aqui em It: Welcome to Derry vamos ver como o racismo é o verdadeiro vilão, ou melhor (ou pior), o capitalismo. O capitalismo comandado por homens brancos. De repente, nessa série, enquanto um palhaço estraçalha crianças, a coisa mais assustadora se torna homens brancos, e céus (!!) essa é realmente a coisa mais assustadora do mundo! Homens são assustadores, homens brancos são mais ainda, homens brancos e heterossexuais são duas vezes piores!

O tópico racial comanda a série nas entrelinhas, até o momento que ele é discutido diretamente, mesmo antes, ele já estava lá, e nós sabíamos. Mas fato é, por isso escolhi o título, os adultos não acreditam nas crianças, e como em toda série, ou filme, com crianças protagonistas, eles tratam o inacreditável como uma besteira infantil, afinal o inacreditável só é crível se isso justificar seus preconceitos. Então se na bíblia está dizendo que homossexuais devem morrer e ir pro inferno, é totalmente crível, e nesse momento, as escritas sem comprovação alguma, são aceitas pelos adultos, mas quando o assunto é UM PALHAÇO MATOU TRÊS CRIANÇAS E ESTÁ MANTENDO OUTRA NO ESGOTO, então não, não acreditamos nisso, claramente foi o homem negro que trabalha no local onde as crianças estavam.

O núcleo indígena é um destaque imenso, especialmente para desenvolver o contexto oculto de toda a trama, uma tentativa de dominação mundial, uma tentativa de dominação através do poder, o poder da Coisa, que entra em conflito com os conhecimentos indígenas que defendem uma herança secreta de manter a Coisa aprisionada em Derry em nome do bem do mundo. Esse núcleo nada sutilmente vai discutir como o governo desrespeitou e segue desrespeitando os conhecimentos indígenas, suas terras e tradições, mesmo quando isso é em defesa de toda a humanidade. Bem, não podemos dizer que isso é tão distante do que nós vivemos. Na série eles defendem o mundo de ser destruído pela Coisa, e no nosso mundo os ideais indígenas defendem o mundo dos avanços do agronegócio, destruições de ecossistemas inteiros, e aquecimento global.

A bíblia em suas um milhão de versões já justificou (e até segue justificando em alguns casos) a misoginia, lgbtqfobia, racismo (acho que segue justificando tudo isso ainda, confere?), uma bíblia que justificou assassinato de povos indígenas, e quem acredita na bíblia, acredita em um deus sem comprovação alguma dele, apesar disso tudo, é mais fácil crer em um deus que nunca se provou, do que nas coisas que uma criança diga a você. E é engraçado, afinal isso é reflexo da nossa realidade. Não precisamos ir longe, apenas tirarmos o palhaço alienígena psicopata. Crianças relatam violência e os adultos ignoram. Crianças demonstram não gostar de alguém, e o adulto não para para se perguntar por quê. Crianças são tratadas como sub-humanos pelos adultos, e é por isso que tudo que é trazido por elas é ignorado. Um dos dez mandamentos é que os filhos devem respeitar os pais, o contrário não precisa acontecer, e talvez por isso o mundo seja uma merda cheio de fudidos, pois um fudido faz um fudido, que faz um fudido, que faz um fudido.

 De repente percebo como este blog se tornou uma verdadeira carta de ódio ao mundo, onde em cada postagem eu critico algo contra a humanidade nojenta que viramos, ou que sempre fomos, e que não conseguimos melhorar. É quase como um incel faria, mas sem ser incel, apenas sendo um pouco niilista demais da conta, e diferente dos incels, eu tenho razão no que estou falando, eles são apenas ridículos haha ^^.

Destaque para a personagem de Taylour Paige que é com certeza a mais interessante, com a atuação impecável e a presença dessa mulher que é simplesmente avassaladora. A personagem na minha opinião mais bem escrita, e especialmente no início. Acho que depois algumas tramas ficam tão maiores e absurdas que esta personagem se torna mais uma mãe, uma simples mãe. Uma mãe como as outras, mas em defesa dela, talvez ela tenha se tornado uma mãe apenas quando a trata necessitava de uma mãe, e essa talvez fosse a única mãe de verdade.

Finalizando gostaria de dizer como HBO é muito boa em pegar clássicos e adaptar seu enredo para um discurso que não poderia ser feito anos atrás. Ninguém falava de racismo, homofobia, misoginia, não tão abertamente. Ninguém mostrava o quão grotesco são as violências que o homem branco hetero comete em nosso mundo, todos sabiam que ocorria, mas ninguém falava delas. HBO fez isso com a incrível, que sempre indico quando posso, Watchmen, fez com Lovecraft Country, e fez aqui com It: Welcome to Derry. Pessoas erradas em toda a história diriam, "Nossa HBO só sabe falar sobre isso", desculpe, se estiver achando tão ruim, revisite seus clássicos com pessoas brancas de destaque. O terror sempre foi crítica social, e agora nós precisamos de terror com pessoas negras, com homossexuais, e não é sobre eles sendo mortos, é sobre o que isso está nos dizendo. Muitas críticas superficiais foram feitas em THEM (que é da Prime Video) quando foi lançado, especialmente em sua segunda temporada, pois eu rebato. THEM não é sobre pessoas negras sendo mortas simplesmente, se você não consegue ver uma pessoa negra para além de seu papel, se você apenas consegue problematizar, não tem por que continuar assistindo obras de terror e dizendo que entendeu algo sobre ela. Não adianta assistir THEM e falar "Eu sei que é sobre racismo mas, precisava tanta violência?". Olhe ao seu redor, o mundo é muito pior com pessoas negras, e veja só temos uma série incrível com pessoas negras protagonizando, e elas não são apenas gados de abate, elas são o discurso completo da obra, elas são uma reflexão muito profunda, e THEM não se limita a uma camada simples do racismo em sua alegoria, especialmente em sua segunda temporada, de verdade, é grotesca, mas por trás daquilo existem discussões sobre o racismo que poucas obras farão.

É claro, este post não é sobre THEM, me estendi um pouco (hehe ':]), mas acho que deu para entender meu ponto. HBO, continue com seu trabalho excelente. E aqueles que criticam as pessoas negras finalmente com destaque em produções de terror, vocês deveriam se perguntar por que não fazem algo para alterar a realidade do mundo para que ele não precise ser tão cruelmente representado nas telas.

 

Aff capitalismo, até quando vou ter que vir aqui para criticar você? Só decepciona caralho.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Amanhecer na Colheita - Continuem com as pequenas revoluções


Eu li Amanhecer na Colheita (um livro que faz parte do universo de Jogos Vorazes) lá no lançamento, comprei na pré-venda, pois eu tinha condições, e que sensação especial é ter o seu próprio dinheiro para conseguir comprar um livro de algo que você ama na pré-venda, porém percebi que algumas reflexões sobre este livro só estão chegando a bater em mim neste momento.

Quando eu li ele me emocionei bastante, o que denota um grande talento da autora em nos deixar absortos na história ao ponto de, mesmo já sabendo do final, nos vincularmos, esquecermos, e nos surpreendermos e nos emocionarmos com ela.

Aqui vamos acompanhar Haymitch quando participou da sua edição de Jogos Vorazes, que agora me esqueci exatamente, mas acho que é a edição de número 50, e é um massacre quaternário (a cada 25 edições, acontece um massacre quaternário com regras únicas, especiais, diferentonas). Nessa edição o destaque será que ao invés de apenas 2 tributos de cada distrito, terão 4, duas meninas e dois meninos.

Quando a grandiosa Suzanne Collins nos disse lá atrás que não escreveria uma história de Jogos Vorazes a menos que ela tivesse algo a dizer, ela falava sério. Um tempo atrás ela nos apresentou o excepcional "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes", que na minha opinião é o melhor livro de todos, e lá ela queria discutir diversas coisas, mas seu objetivo principal certamente era nos mostrar que o sistema corrompe, o sistema faz das pessoas o que elas são. E não é sobre como o presidente Snow era inocente e se tornou um ditador, mas como uma criança traumatizada, adapta-se à sua realidade, em busca de um objetivo, desenvolve uma mania de grandeza, como o nosso sistema tira a humanidade das pessoas, ao ponto do oprimido tornar-se opressor. A discussão é ampla, mas o fato é: Snow não é um coitadinho, ele fez suas escolhas, ele sentiu o poder e gostou de estar no topo, e todos aqueles que acharam que este livro era uma romantização de um ditador, se enganaram, e àqueles que desistiram da leitura, meus pêsames, pois A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é o mais complexo e profundo livro de Suzanne Collins. Todos nesse mundo tem um passado terrível, mas Jogos Vorazes é sobre aqueles que não deixaram seu passado terrível vencer, e neste livro ela apresentou o outro lado da moeda.

Aqui, em Amanhecer na Colheita, nossa autora vem com uma história que é com certeza mais conhecida, afinal o Haymitch é muito recorrente nos livros de Jogos Vorazes, diferente de Snow, que é muito mais misterioso sobre tudo. Então nós definitivamente já conhecíamos grande parte dessa história, mas há sempre como se surpreender, e de fato, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes precisava vir antes desse, pois aqui temos grandes referências à icônica presença, à arrebatadora presença de Lucy Gray, nossa mocinha do livro anterior.

Suzanne Collins prometeu, ela não escreveria se não tivesse nada a falar, mas ela tinha. Em alguns momentos pode até parecer explícito demais. Pode parecer que ela está forçando apenas como justificativa, pelo modo que ela escancara como as coisas são feitas aqui. Mas assim como tivemos um choque com o modo que os Jogos eram conduzidos no livro anterior, desse para o de Katniss são 25 anos, então há muito chão para as coisas ficarem mais "maquiadas".


O tema da vez é principalmente a propaganda para as massas, e como ela foi certeira. Eu diria que
Suzanne é até um pouco à frente do tempo, mas tudo bem, ela apenas leu o cenário, como uma figura imersa em questões políticas, no avanço que a desinformação estaria nos tempos atuais. Ela fez este livro inspirado nos resultados das campanhas de Donald Trump, e sua estratégia de propagandas envolvendo Facebook e toda aquela bomba que estourou uns anos atrás. A fake news. E gente, como é uma visão perfeita do mundo em que vivemos. Na verdade não há mistério, Suzanne escreve sobre o que já ocorreu muitas vezes, como no próprio fascismo alemão, a propagando política vende a violência como banalidade, orgulhosamente. E veja a situação dos Estados Unidos na atualidade, campos de concentração, sequestros, desaparecimentos, crianças arrancadas dos pais, absolutamente tudo que sempre foi considerado condenável está ocorrendo diante de nossos olhos, e lembram-se do velho discurso que nós costumávamos dizer de que "Se o Nazismo fosse nos tempos atuais, como toda a mídia, não teria ido tão longe, pois todos nós saberíamos imediatamente e o mundo não permitiria". Bem, os Estados Unidos está indo longe demais, em seu país e nos outros (Israel X Palestina), e mesmo com toda a mídia, nós não fazemos nada. E apesar de tudo isso, Donald Trump é um herói nacional para grande parte de sua população. Os Estados Unidos vende-se como uma grande nação, aberta para os fudidos que queiram vir construir seu sonho, depois de usá-los por anos para alavancar sua economia escravocrata com a mão de obra, não é nem barata, miserável, agora os fudidos viram suas criações de cativeiro. Os Estados Unidos são os heróis intocáveis apesar de tudo, por sua propaganda, sua história inteira é em cima disso, e isso, esse livro vai escancarar.

Nós somos aqui surpreendidos, pois diferente de Katniss que aceita seu papel e vira quase como apenas mais uma (no primeiro livro), aqui temos Haymitch que é lançado em uma confusão que acarreta em sua seleção como tributo pelo distrito 12. Os detalhes dessa confusão são ocultados pela mídia, mascarados, refilmados, tudo vira um grande teatro, mas vender ao povo que a capital está controlando, que ninguém está se revoltando, que todos aceitam seu destino pois é assim que as coisas são. E quando nós vemos esse ponto de visto, quando Haymitch adentra nisso, então tudo passa a ser sobre isso, como a capital está o tempo todo mascarando.

Autora dos livros, Suzanne Collins
Eu não quero dar spoilers, mas vou falar o que já está claro, Haymitch vai sim vencer os Jogos Vorazes, e não é como nós esperamos, e assim como Katniss começa uma revolução, Haymitch se envolve aqui nesse livro em uma armação que tenta ser o início da revolução. A gente sabe, de algum jeito isso vai dar errado, afinal a revolução só acontece de fato lá nos Jogos Vorazes de Katniss, 25 anos depois, os detalhes estão no livro, mas gostaria de pontuar como este livro faz a gente acreditar que algo vai acontecer, para no fim não acontecer, como mencionei, e que apesar disso, ele nos deixa uma lição: as pequenas revoluções são importantes.

Lá atrás, com Lucy Gray, no livro da Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, ela também é uma revolucionária, uma pequena, fator esse que também contribui para ela ser apagada da história, completamente (exceto da mente de Snow), e aqui em Amanhecer na Colheita, mesmo com a revolução não se concretizando, temos vários personagens que saem dessa história com as sequelas de uma pequena revolução. Personagens estes que seguem vivos, são eles que iniciam, e que continuam seu projeto para derrubar a capital 25 anos mais pra frente. A revolução não aconteceu por causa de Katniss Everdeen. No livro sobre Snow, nos é dito que os Gaios Tagarelas começaram a procriar com as fêmeas de Tordo, e os filhos que nasciam eram uma mistura entre o Tordo e o Gaio, ele repetia, mas não era controlado pela capital, ele falava, mas fora de controle, e por isso ele precisava ser eliminado. Se você deixa um revolucionário vivo, então ele vai continuar falando, sua mensagem vai continuar viva. Se o revolucionário passa sua mensagem, então já há uma geração inteira de revolucionários para que você precise eliminar. O problema já era antigo, e aqui nós temos um grande feito, mas a capital erra quando ela apenas pune aqueles envolvidos na micro revolução, punir traumatiza, mas não existe traumatizado que em um sopro de coragem não se torne um vingativo revolucionário, e o resultado vamos encontrar nos livros de Katniss Everdeen.

 
Trago tudo isso para falar de um outro assunto, para finalizar. Um assunto que assola a atualidade.
Como já deu para perceber, nosso mundo é uma bagunça, as pessoas não estudam a história e a repetem. Bom, finalmente chegamos a algo inédito, algo que só existia na ficção científica, a Inteligência Artificial. Esse discurso de pequenas revoluções é um perigo, e no fundo uma grande inutilidade diante da alienação proposta pelo capitalismo, vimos isso como o veganismo, que propõe um mundo como pelo menos uma redução do consumo animal, mas que claro, afeta os lucros do capitalismo, portanto não entra em vigor, apesar disso os agentes da causa continuam, é uma micro revolução em nome da proteção não apenas dos animais, mas do planeta. Agora, diante da inteligência artificial, não utilizar ela é uma micro revolução. A inteligência artificial é uma brincadeira, ela é

divertida, ela oferece um resultado rápido para algo que leva muito tempo, mas ela também te emburrece, te atrasa, te afasta da experiência e da reflexão, e novamente isso é lucrativo para o capitalismo. Quanto mais burro você é, melhor. Então agora a inteligência artificial está em tudo. Ela era legal quando decidia o algoritmo do Spotify, do Youtube, mas agora todas as redes sociais tem uma inteligência artificial que TE USA para se aperfeiçoar. Produtos que chegaram gratuitamente, te usaram e agora são pagos, pois se aperfeiçoaram graças a você, como é caso do MidJourney, Suno, Chat GPT, mas o pior são as inteligências artificiais que programam, que hackeiam, que invadem sua vida. Você não tem acesso a essas IA's, mas elas estão cada vez melhores. Tudo isso, a custo de uma causa que o veganismo já vinha lutando lá atrás, a custo do planeta. A inteligência artificial, a tecnologia do momento, usa muita água, e detalhe muito importante, todos os outros responsáveis pelo aquecimento global CONTINUAM EM VIGOR, absolutamente nada foi mudado nesse quesito, estamos apenas pioram. E essa tecnologia precisa de minérios, terras raras, para se aperfeiçoar, motivo, aliás, pelo qual os Estados Unidos invadiu a Venezuela. Quanto tempo até o Brasil ser o próximo. Há alguns anos acompanhamos os Europeus invadirem o mundo inteiro, pois haviam esgotado seus recursos naturais, agora estamos vendo isso acontecer novamente, e apesar da falsa politicamente, nada nos protege, o mundo continua sendo dos poderosos. Estados Unidos continuam fazendo o que sempre fizeram, e de repente os Europeus se tornaram até os bonzinhos que também estão sendo ameaçados, mas não se engane, afinal eles estão apenas se protegendo, e aliás, o povo branco dos Estados Unidos, nada mais são que europeus que criaram um forte vínculo nacionalista com o seu "Novo Mundo".

O livro Amanhecer na Colheita se faz sim, mais presente do que nunca, pois estas pequenas revoluções, seja qual for, que nós implementamos nas nossas vidas, são responsáveis por este mundo ainda não ter colapsado. Nós não permitimos que eles façam tudo, apesar de eles tentarem, e a mensagem deste livro é clara e emocionante: mesmo que te tirem tudo, mantenha-se firme, mantenha-se no que acredita, pois um dia o que é deles irá chegar.


Nota: Perdão pelo imenso texto sobre IA, EUA, etc, é só por que é mais uma leitura que consigo fazer após uma série de reflexões que vim tendo. Continuem suas pequenas revoluções, mesmo que ela seja, sei lá, não ir à academia diante da sociedade da exposição que INSISTE que você faça academia em troca da "sua melhor versão". Estou sendo totalmente hipócrita aqui, eu odeio academia, mas estou indo neste momento, eu realmente quero ser adorado na internet por ter um corpo, já que ter todo este conhecimento reflexivo depositado neste blog não está exatamente fazendo algo por mim neste mundo escroto, e apesar disso eu insisto que não vá na academia, não seja fraco como eu. Eu uso a IA às vezes também, e apesar disso insisto, não faça como eu. Eu estou fazendo o melhor para parar com a IA o máximo que dá. E eu NÃO, NÃO vou comprar o seu maldito produto que você está anunciando INCANSAVELMENTE  EM TODAS AS BRECHAS DA PORRA DO BIG BROTHER BRASIL. YAY! PEQUENAS REVOLUÇÕES PORRA! É DISSO QUE ESTOU FALANDO. Enfim, vamos fazer o que podemos. Uma delas é escrever em um blog enquanto todos gravam no tiktok. Vejo vocês na próxima. Sigam firmes. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Percy Jackson e os Olimpianos (Season 2) - Temos uma evolução!

 

É isso mesmo, Percy Jackson e os Olimpianos teve uma evolução. Eu rezei todos os dias para que essa série ganhasse um mínimo rumo com a season 2, e isso aconteceu. Mas, apesar de todas as melhorias em comparação com a primeira temporada, tem uma coisinha ainda que era problema lá, e escracha uma problema aqui.

Essa temporada é muito mais emocionante, e não tem jeito, a primeira temporada é muito sem sal, eles fazem tudo sem emoção nenhuma, sem tompero, mas aqui isso pelo menos é resolvido. Os dois primeiros episódios são incrivelmente bons, e na minha opinião são realmente os melhores da temporada, mesmo assim, a temporada por si só é bem boa. Antes de vir para essa temporada eu resolvi assistir a primeira season novamente, e ela não é de todo ruim, e tem um grande motivo que posso perceber agora que contribuiu para eu ter odiado tanto ela da primeira vez, e é um problema aqui nessa também, o tempo. Na primeira temporada muita coisa emocionante é reduzida ao anticlímax, é ruim demais várias das cenas, vários dos monstros sendo tão facilmente combatidos, não parece ter perigo, e para piorar os episódios prometem, prometem, mas não chegam, acabam rápido demais quando poderiam ter mais tempo e desenvolver melhor.

Em todos os lugares só se fala de como Percy Jackson é a série mais popular do Disney+ de todos os tempos, então fica o questionamento: Por quê eles seguem poupando gastos? Afinal o problema de anticlímax com monstros na primeira, e de falta de tempo para desenvolvimento, tudo isso foi por falta da investimento financeiro, mas se a série na primeira se provou ser um sucesso, e nessa segue sendo ainda maior, por quê eles não investiram mais? Bom, a season 3 já está gravada e ainda será lançada este ano, o que me leva a crer que os gastos com essa nova temporada também deve ter sido semelhante. O que me preocupa. Será que teremos tempo suficiente?


Como eu dizia, a primeira temporada segue tendo os problemas dela, mas ao reassistir, notei, o tempo era um grande inimigo, mas justamente por ele ser inimigo, ver em maratona resolveu este problema. Eu tinha ali diante de mim todos os episódios para continuar me aventurando. Eu não sentia que esperava uma semana para assistir trinta minutos de algo com pouca emoção. Quando você assiste em sequência, Percy Jackson e os Olimpianos fica MUITO MELHOR. A falta de emoção de um dos episódios é suprida pelo próximo, e pelo próximo, e pelo próximo. O grande problema do Disney+ é esse lançamento semanal terrível. Eu acho muito escroto ter que esperar uma semana por um episódios de 30 minutos. Nessa season dois os episódios eram bons, mas ainda eram curtos. Eles tinham emoção, mas serem curtos tira a validação do ato de esperar uma semana por aquilo. Essa sensação é o anticlímax da temporada.

Bom, agora que temos todos os episódios, não tem o que reclamar. (Ok, claro que tem). A temporada é muito boa, e já inicia incrível, e eu juro, tive um ataque, um surto, com a cena que toca Mariah Carey, eles foram muito geniais, isso é a essência de Percy Jackson. Coisas do mundo real com coisas da ficção. Esse é o mais legal. Os dois primeiros episódios são impecáveis pois eles entregam muito disso, coisa que na primeira temporada é tão apressado que mal aparece.

Um ponto negativo é talvez a direção das cenas de ação, e em especial da batalha final. OKAY. Tem inúmeros momentos daquela batalha que são incríveis, e quando o Percy leva um espanco do Luke, e SANGRA, eu fiquei boquiaberto (gag), mas momentos antes disso, a cena parece mal dirigida sabe? Tem pontos bem dirigidos e pontos mal dirigidos, mas admito que a produção e direção fizeram milagre, pois se a série tivesse mais investimento, essa batalha teria sido muito melhor, pois é notório como ela está pobre de recursos, e é justamente nas cenas BEM DIRIGIDAS que isso é disfarçado. Juro, parece que duas pessoas dirigem esse episódio, mas não vou conferir, sorry. Fica no achismo mesmo.


Mas agora os grandes pontos altos (além dos dois primeiros episódios), são o desenvolvimento romântico de Annabeth e Percy, que estão a coisa mais linda e fofa do mundo, com a química absurda, que os atores conseguem expressar apenas com os olhares minuciosamente captados pela direção e eu estou obcecado; o divo icônico Tyson, que é muito fofo, impossível de ficar irritado com ele, coisinha mais linda de mãe; e especialmente, a DONA da temporada, a Clarisse. Gente, o que essa mulher fez nessa temporada é indescritível. Essa temporada é definitivamente superior, mas a simples presença de uma personagem complexa e bem escrita como a Clarisse, torna ela o destaque, faz ela roubar tudo. Não consigo pensar em segunda temporada e não pensar que a série é da MUSA Clarisse. Todo mundo arrasa, não me levem à mal (ok, todo mundo não, o Luke é um merda que só brilha quando tá espancando o Percy, só ali ele realmente parece uma ameaça), mas a Clarisse carrega essa temporada com louvor. Nas cenas que ela não está os outros personagens conseguem se desenvolver e se virar bem, mas com ela a história é outra, tudo é dela.

 


Enfim, não preciso acrescentar mais nada. Estou muito satisfeito com essa temporada, e MORRENDO DE ANSIEDADE para a próxima, pois vai adaptar meu livro favorito, A Maldição do Titã. Estou satisfeito, que mesmo com a Disney não liberando o dinheiro, as mudanças que a direção apresenta são muito certeiras em consertar as grandes reclamações que todos pontuaram da primeira temporada. É um alívio. É um grande alívio. E pra season um o que sobra? NADAAAA. Mentira, para não dizer que não sobrou nada, ainda temos o elenco fofinho bem pequenininhos, a coisa mais fofa do mundo, com vozinha de taquara rachada aos treze anos, cute cute. E UM VIVAAAAAA. Vencemos muito com essa temporada excelente. Meu sonho, pra deixar tudo melhor, 100%, seria a partir de agora a Disney lançar todos os episódios de uma vez, mas aí é utopia né, eles jamais fariam isso. Mas enfim. Que venha a season três, ihulll! 


 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Avatar: Fogo e Cinzas - Bilhões não entenderam da primeira vez, bilhões seguem sem entender da terceira.

 

Hoje farei uma coisa que nunca imaginei que faria: Falar de Avatar. Ou melhor, destrinchar Avatar. Uma hora que na minha opinião sempre foi superestimada, que meia parte dessa opinião continua, e isso é culpa das próprias escolhas do idealizador, James Cameron.

Em resumo falarei aqui sobre como eu odeio o primeiro filme e acho ele super entediante, mas depois que nós entramos nessas duas sequências, Caminho das Águas e Fogo e Cinzas, é possível notar como o primeira Avatar tem algo a oferecer, tem um diferencial, apesar isso, filmes de Ação não me agradam. E não é sobre ser um filme de guerra, acho que consigo digerir bem um filme de guerra, o problema é que Avatar são filmes de Ação. Eu acho que o primeiro, tudo bem, o segundo, tudo bem, mas a partir do terceiro já começa a ficar meio chato, e isso é triste, por quê o visual, os conceitos, tudo que é criado para esse universo é simplesmente colocado de lado pelo filme ser de ação. Obvio que grande parte do sucesso desse filme com o grande público é por ele ser um filme de sucesso. A gente sabe que as pessoas não estão acostumadas a ir no cinema para ver drama, suspense, a grande maioria vai pela Ação. Mas eu acho que a partir do quarto filme, o ideal seria repensar a estratégia, afinal, você já sabe que seu filme fará bilhões de bilheteria, o seu público está garantido. Muita gente falou mal de Avatar: Fogo e Cinzas, e nada adiantou, ele continuou fazendo bilhão em bilheteria, portanto você já tem o público.

Quando falo tudo isso, tem a ver com o discurso anti-colonizador, anti-indígenas, anti-racista, anti-capital e ambientalista que o filme tenta propor, tenta apresentar aos espectadores, mas que estão lá apenas pela ação. Nós precisamos de consequências. Precisamos de uma classificação indicativa maior, precisamos de brutalidade, precisamos que a violência do processo colonizador seja exposta. Precisamos que não haja final feliz, e um quarto filme seria o momento de transição perfeito para isso, pois a resolução seria no quinto volume e último.

Perceba que a cada espaçamento entre os filmes de Avatar, mais o meio ambiente é atacado. Neste momento está havendo o boom das Inteligências Artificiais, um responsável pela crise ambiental, e que quanto mais tempo passa, mais o seu expoente de contribuição negativa irá aumentar.

Este filme fala de um planeta Terra que nós não vemos, mas que está destruído. Ele fala de um planeta lindo, fala sobre conectar-se com a natureza, e tudo isso, tudo que ele nos mostra é encantador, mas as cenas de ação quebram isso constantemente.

Sinto que enquanto faltar coragem para falar diretamente, de modo incisivo, de modo brutal, sobre colonização, sobre genocídio, nunca iremos encontrar o verdadeiro potencial de Avatar. Nossa população mundial não protege as terra indígenas, ou terra alguma. Nossa população não respeita o meio ambiente, não se importa com a tecnologia corrosiva, não interpreta, não vai além do básico. Se o discurso é indireto, básico, plano de fundo para cenas de ação que não representam grandes consequências (especialmente ao núcleo protagonista), então essa ameaça não é grande coisa assim. No fim eles vencem. No fim a natureza tá vencendo. Mas, não! A natureza não está vencendo!

 Varang

Varang é uma personagem que prometeu muito, mas acho que talvez todos tenhamos ido ao filme com uma expectativa, e ela entregou outra que é tão simbólica quanto a imaginada. Seu design é incrível, mas é terrivelmente triste que ela se limite a um personagem tão pouco importante a partir de certa parte do filme. Aqui ela cumpre a função de uma pessoa que luta pela sua própria destruição. Ela fica ao lado dos invasores. Ao mesmo tempo que ela rejeita a entidade que rege aquele mundo (que está mais para uma união, uma unidade total dos seres, das coisas que compõem, e não para uma deusa literalmente), ela não consegue viver sem seu Queue, aquela conexão neural que liga tudo em Pandora. Era de se esperar que alguém que tanto rejeita sua "criadora", arrumasse outras maneiras de levar a vida indo contra as regras daquele mundo, mas não, ela mantém o Queue, e tem até medo de perdê-lo, o que é irônico, pois ela se alia justamente àqueles que estão ali para destruir tudo que essa conexão representa. No fim, apesar de ela estar ao lado da destruição, ainda está ligada demais ao seu lado Na'vi, é algo que ela simplesmente não consegue tirar de si. Um paralelo a pessoas distantes dos movimentos de recorte de minoria, e que além disso lutam contra ele, mesmo se encaixando nestes grupos oprimidos pelas regras do colonizador.

 

Texto 


 Um problema que o filme apresenta para mim são as falhas em um texto que quer ser fácil para o grande público. Ele faz comparações com coisas do nosso mundo, que simplesmente não fazem parte da realidade dos Na'vi. O Jake, como um humano, cita coisas como "democracia" para os filhos, como se aquele povo soubesse o que esta palavra significa. É claro que várias coisas humanas podem ter sido comentadas com os filhos ao longo do tempo, mas duvido que o conceito de democracia tenha sido uma delas. Isso vai se estender também em como os personagens se comunicam, e isso inclui todos, mesmo os que não são filhos do Sully. Eles todos simplesmente parecem mais como humanos em pele de Na'vi, falam gírias, entre outras coisas que são muito incompatíveis. A personagem Neytiri é a única com sotaque, a única que segue se comunicando como um Na'vi deveria se comunicar, e isso é um problema desde o primeiro segundo filme.

O Coronel novamente executa o mesmo papel nesse filme, mas finalmente lhe é dito algo muito interessante, pelo Jake, que o diz que ele não vive mais em um corpo humano, ele não é mais humano, ele recebeu a chance de se libertar de toda a corrupção que ser humano significa. Ele não precisa lutar para que um povo que se destruiu seja salvo. Essa é uma regra básica da evolução, se você não se adapta, você morre. O objetivo dos humanos neste mundo é adaptar-se, tornarem-no possível para a vida humana, mas o ar é um veneno. A evolução fornece aos humanos um cérebro capaz de fazê-los buscar um novo mundo para viver, porém isso é apesar atrasar a própria extinção: evolução não tem a ver com as coisas que você pode fazer para salvar sua espécie, mesmo que em outro mundo, é até que ponto o seu mundo permite que sua espécie sobreviva para evoluir. Para os humanos, isso já acabou. Se você não pode salvar o seu mundo, e se você implica a outros mundos o exato mesmo tratamento, isso não é um sinal de maior evolução, significa que nada foi mudado, e seu mundo estava certo quando se tornou hostil para sua habitação. Você acabou, apesar desse esforço para manter-se vivo.

O futuro da humanidade, como eu visualizo para o último filme de Avatar, é a extinção. Pois não se trata de corpo, é espírito, e eles jamais poderão tornar-se "avatares" para viver naquele mundo, isso não seria evoluir, seria ameaçar aquele mundo. A evolução só pode ser proporcionada àqueles que fazem o seu mundo resistir. É por isso que chegamos até aqui como humanidade, e por isso que seremos os responsáveis pelo fim da vida neste planeta, pois evoluir o corpo não eleva o espírito. Para a tristeza dos espectadores de Avatar, nós nem ao menos temos tecnologia para encontrar outro planeta, sair deste e tentar a sorte no exterior, no vazio, e como o público do filme não enxerga o óbvio do discurso, e sim as cenas de ação, embora já seja tarde demais, logo mais será ainda mais tarde.



 Nota final:

Acho o máximo como Sigourney Weaver interpreta uma adolescente aqui. É claro, em que outro filme ela, uma idosa, poderia interpretar uma adolescente? E isso torna essa experiência um pouco mais próxima da magia para mim. 


 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

IPromisedYouTheMoon - Eu... Isso não é um pedido de desculpas!

 Bom. Isso não é um pedido de desculpas ao Oh-aew. Mas com certeza um vai se foder Teh. Vai se foder Teh por estragar tudo e deixar as coisas mais difíceis para mim. Terá spoilers.


 Como vou começar a falar sobre isso? Bom. Dessa vez eu vou deixar o resumo um pouco pra depois para poder fazer algo que não fiz na última, e como esta é a parte dois, a segunda temporada, é bom pontuar algo que acho extremamente importante para a qualidade dessa produção, e também de outras produções desse diretor/criador. Aqui nessa segunda temporada temos um outro diretor, mas Naruebet Kuno segue na produção. A diferença é possível de notar, mas o novo diretor Tossaphon Riantong, faz um excelente trabalho em continuar o trabalho do primeiro, do idealizador da primeira temporada, e da série. Então aqui vão alguns comentários válidos para a primeira parte e que também funcionam para esta segunda, visto que o novo diretor aplica bem os conceitos do diretor da parte um.

Eu acho que ele é um mestre em manter a câmera nos personagens e deixar com que o tempo corra. Momentos de silêncio, momentos de olhares que duram uma eternidade, e fazendo isso de modo bem feito. Obvio que em alguns momento você quer esganar os personagens por eles apenas olharem e não falarem o que sentem, o que pensam, mas é muito curioso e delicioso a forma como o diretor faz isso. Eu acho que vaze cada segundo desses episódios que duram uma hora, às vezes mais de uma hora, por esses momentos naturalistas do vento batendo, da respiração, do olhar. Eu não pareço estar vendo uma série, eu estou vendo algo real, pessoas tendo o tempo real para pensar e responder, diferente de outro dorama que vi recentemente e tive o desgosto de ver (Semantic Error), que mais parecia uma malhação (mas, claro, muito pior pois era coreana). Nada contra malhação, mas os diálogos são atropelados.

Novamente esse diretor pega algo que parecia bom, te incomodava só um pouquinho, e te deixa totalmente desconfortável. Ele fez isso. Eu, assistindo essa segunda temporada, vim torcendo para que Teh notasse todos os problemas de Oh-aew, e não é que ele nota. Tem diálogos internos dele percebendo como Oh-aew não é dedicado, é mimado (quando ele ganha um carro dos pais só pra poder ir pra faculdade), como ele pinta o cabelo ou faz tatuagens só por que os amigos dele fizeram o mesmo. Ele notou todos os defeitos, e eu fiquei muito satisfeito, mas algo estranho aconteceu, eu já não odiava mais Oh-aew.

Esta cena inicial no aquário é uma das coisas mais linda que já vi, e até me inspirou a escrever um poema, algo que eu não fazia há muito tempo.

Oh-aew incrivelmente revelou-se um super carente, mas também uma de suas maiores qualidades, ele é fiel, fiel aos amigos, fiel ao namorado, ele é dedicado às pessoas que gosta, e isso não é um defeito. De uma hora para outra eu estava odiando ver Teh seguir em frente, pois na verdade ele não estava seguindo em frente, ele estava apenas deixando Oh-aew para trás, e isso era horrível de assistir. Ver uma pessoa se esforçando por outra que não quer mais saber dela, é doloroso. Quando acontece a traição (Teh trai Oh-aew com Jai, seu colega de faculdade), foi terrível, e foi imperdoável. Teh não estava arrependido, aliás, ele foi completamente imaturo e ficou insistindo no erro, mentindo, e seguiu magoando Oh-aew.

Eu sinceramente espero tudo desse diretor, e eu estava esperando que eles não ficassem mais juntos, uma coisa tipo Past Lives, mas não, no fim eles vão ficar juntos sim, mas essa construção dos acontecimentos, não consigo nem explicar o que eu senti, mas EU me senti apunhalado. Eu de repente estava totalmente do lado de Oh-aew, eu não conseguia mais lidar com Teh, com a presença dele. As suas desculpas foram fracas demais, e mesmo quando ele faz aquela peça, que eu achei muito lindo, ali até cheguei perto de perdoá-lo, ainda veio o discurso de Oh-aew, e eu não consegui perdoá-lo.

Eu entendo, e foi construído. A distância, e a falta de conexão deles na vida nova os fez se afastar, e fez Teh apaixonar-se pelo seu novo colega de faculdade (Jai). Apesar disso tudo, o diretor escolhe fazer os personagens não discutirem o ponto que a relação chegou (ponto-morto), e deixa os personagens acontecerem, Teh escolhe trair em um momento onde o ambiente, as sensações, tudo falou mais alto. E é fácil até ficar do lado dele, seria, se ele fosse honesto e terminasse, mas não, ele continuou mentindo e ferindo Oh-aew, e é aí que ele me perde. Eu até queria ver ele se envolver com outra pessoa, ter uma construção. Eu acho que não é traição se você se apaixona por alguém e decide aceitar e largar seu outro parceiro. É traição você mentir, você continuar com outra pessoa estando apaixonada por alguém novo. Isso me machucou muito, e eu não consegui engolir, pois até a última cena, e até mesmo quando acabou, eu continuei ali, remoendo em como Oh-aew, um personagem fictício, voltaria a confiar em alguém que mentiu para ele daquela maneira. E ao mesmo tempo a série me pegava pelos sentimentos do passado, construídos na primeira temporada. Eu queria eles juntos, era uma paixão de infância tão incandescente que eu sabia que eles jamais sentiriam aquela sensação com outra pessoa. 

Novamente, pontuo, o criador dessa série, diretor da parte um, sabe muito bem brincar com os nossos sentimentos, e o novo diretor recebeu o bastão e fez um bom trabalho. Mas é claro, que esse mix de sentimentos é muito também a um roteiro que brincou conosco, construiu esse casal, ao ponto de provocar algo tão confuso. Acho que se o objetivo era nos colocar na pele, parabéns, conseguiram.

Apesar disso, eu acho que a beleza da primeira temporada, a mensagem da primeira temporada é tão mais bonita, a construção dos personagens como amigos e rivais, o sonho de ser ator. Todas essas esperanças, os deslumbres da primeira temporada são todos massacrados na segunda: Uma universidade que você não quer mais fazer, um namorado que te trai, uma carreira de ator que não é aquele sonho que você esperava.

Teh, definitivamente se mostra infantil aqui, problemático, e ele não é o mar de rosas que eu pensei, ele é orgulhoso e também retraído. Ele magoa sua colega de faculdade, Khim, por puro egoísmo, e o que me irrita é não termos uma cena dele se desculpando. Teh nessa temporada só se desculpa em último caso, isso é decepcionante. #JustiçaPorKhim. Essa personagem foi a minha favorita da temporada, e eu saí triste por ela não receber o pedido de desculpas que merecia.

No fim, é uma temporada amarga, e se o objetivo dela era mostrar que a infância é um deslumbre, e na vida adulta todo mundo é um merda, parabéns. Para falar a verdade, vindo desse criador da série, eu acho que era EXATAMENTE ESSA A MENSAGEM. Eu, em outra vida, pararia na primeira temporada, Oh-aew é muito irritante e egoísta nela? Sim. Mas tudo na primeira temporada é encantador, e o final aberto seria incrível. Agora, tendo visto a segunda temporada, tudo o que sobrou foi amargor.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

IToldSunsetAboutYou - É de romance mas tem uma coisinha...

 

Essa semana maratonei a primeira tempora de I Told Sunset About You, uma série Tailandesa de drama e romance, criada pelo excepcional Naruebet Kuno, uma pessoa que é tão genial na escrita de personagens e narrativas que consegue deixar 98% dos outros profissionais do ramo no chinelo, e eu posso dizer isso com certeza, e sem limitar a nichos das produções asiáticas, aqui eu falo do mundo inteiro, este homem é absolutamente incrível no que faz. E aqui, Naruebet Kuno também significa uma figura expressiva na produção de conteúdo relacionado à comunidade LGBTQIAPN+, com obras realmente deslumbrantes. Dessa vez, resolvi falar de I Told Sunset About You, mas apesar de a história ser de romance, vou pontuar algo que me deixou com um pé atrás o tempo todo, com uma pulga atrás da orelha na verdade, e eu tenho certeza que isso não é por acaso.

Essa série tem duas temporadas, denominadas parte 1 e parte 2, aqui, estarei falando da parte 1, pois ainda não assisti a parte 2, portanto se estes assuntos são desenvolvidos nela, perdão, essa é a visão de alguém que viu apenas a primeira parte.

Teh
 Breve resumo da história, e com imagem para ilustrar. Ao lado você pode encontrar imagens dos dois personagens principais, Teh e Oh-aew. Oh-aew é um garoto de pele clara cujo a família é bem rica, dona de um resort, no qual, se ele não conseguir entrar na faculdade, ainda poderá trabalhar e ter um futuro promissor e rico, fora isso ele é bastante mimado, mas acima de tudo ele é desleixado, ele não gosta de estudar, não se preocupa com isso. Teh, por outro lado é um menino de pele marrom, ele é
pobre, vive com a mãe e um irmão mais velho em um restaurante da família, é muito dedicado aos estudos pois desde sempre queria ser ator, pois ele tem um sonho, o sonho de interpretar um personagem de uma peça clássica chinesa, o protagonista cujo o nome não irei me lembrar. Teh é simplesmente apaixonado pela ideia de ser esse personagem, desde criança.

Oh-aew
 Quando ainda criança, uma professora da escola decide recriar a peça/filme, e uma versão menor para um espetáculo de ano novo chinês, essa professora seleciona Oh-aew para ser o protagonista, mesmo o garoto não sendo um bom aluno, e mais para frente não sabendo decorar as falas, que por sinal eram em chinês. Teh sabia absolutamente todas as falas, trejeitos, aprendeu chinês, mesmo assim, o colega ficou com o papel. Naquela ocasião ele apoiou que o amigo aceitasse a escolha da professora, pois era um bom amigo, mas claro que ficou sentido por não ter sido o escolhido, aquele era seu sonho. Apesar disso, ajudou o amigo a ensaiar, e quando Oh-aew esqueceu as falas no meio da apresentação, ele as gritou de lado para salvar o amigo daquela enrascada.

No final, Oh-aew chega com uma notícia, a professora falou que adorou a apresentação, e que ela queria repeti-la em breve, e  queria que Oh-aew fizesse novamente o protagonista. Ele aceitou, e depois disso, contou ao amigo. Além disso, Oh-aew que sempre foi confuso sobre o que queria fazer no futuro, trocando de hobbie todos os dias, declarou que queria ser ator, e Teh sentiu-se usurpado.
Eu compreendo. Ele ficou feliz pelo amigo uma vez, o apoiou, o ajudou, e o salvou, e mesmo apesar de tudo isso, Oh-aew foi completamente egoísta e nem sequer sugeriu à professora que seu amigo fizesse o protagonista da próxima vez, já que ele que fizera dessa vez, e Teh o havia ajudado tanto para se dar bem nessa apresentação. Oh-aew foi egoísta, e além disso declarou que o sonho de Teh, agora era o seu também. Ele finalmente havia se encontrado, e o lugar onde se encontrou foi: no sonho de Teh.


A partir disso a história vai se desenvolver. Teh e Oh-aew se afastam por anos, e tornam a se reencontrar no último ano do ensino médio, não na mesma escola, mas em um cursinho de chinês complementar que fizeram para o vestibular que queriam, da faculdade de Artes. Teh fora aprovado em uma pré-chamada pois era muito dedicado, já Oh-aew não passou, pois era horrível em chinês e simplesmente não estudava, ele teria que prestar o vestibular no fim do ano como todos, pois não passou o teste da pré-chamada, que garantia apenas 10 vagas, e uma delas foi de Teh.

Após isso, ele se reconectam, e a história vai dançar através de várias questões, mas a principal é o romance que se desenvolve entre Teh e Oh-aew nesse período onde Teh decide ajudar Oh-aew com o chinês, dando aulas particulares gratuitas.

Nós vamos descobrir que Oh-aew se encantou, pela primeira vez na vida, por algo, que foi atuação, justamente por que fora algo que fizera com o Teh, praticou, ensaiou, e que ele não estava simplesmente "roubando" o sonho de Teh. Isso tinha uma ligação com um sentimento afetivo que Oh-aew percebeu que sentia desde muito cedo por seu amigo. Teh, que se envolvia com uma garota (já no ensino médio, visto que o desenrolar desse romance ocorre nas últimas semanas do ensino médio), agora já não tinha certeza se gostava dela, se era bi, se era gay, se era simplesmente uma fase, ele se encontrava confuso, pois de repente não conseguia mais se ver sem Oh-aew, e tudo sem ele parecia tedioso. Essa é uma questão grande da narrativa, e que pode ser super entediante para o espectador o tanto de vezes que Teh nega o sentimento e simplesmente não beija o amigo. Acontece que o lar de Teh, apesar de amoroso, tem um irmão hétero que conheceu uma garota que os visita regularmente, e Teh passa a ver a mãe orgulhosa de um dos filhos em breve ter uma esposa, e poder ter filhos, o que planta na cabeça do garoto que se ele está apaixonado por um homem, ele jamais poderá deixar sua mãe orgulhosa. Se você não compreende esse ponto de vista, tanta enrolação para o romance rastejante de Teh e Oh-aew vai te frustrar, mas entediar jamais, pois como eu disse no início, o criador dessa série é um gênio.

Teh comparando-se com o protagonista do filme que ele admira.

 

 Mas apesar dos pontos óbvios da descoberta e aceitação da sexualidade que uma série de BL (Boys love) se propõe, eu queria ressaltar um que ela não aprofunda diretamente, mas que assombra nas entrelinhas: racismo.

Como deixei bem explícito no início, Teh é um garoto de pele parda, marrom, ele não é claro, e para aqueles que já conhecem um pouco da cultura tailandesas (e de vários outros locais asiáticos) sabe que há toda uma indústria baseada no embranquecimento. Produtos que embranquecem, clareiam. Uma cultura toda que vende pessoas claras no entretenimento. Simplesmente não há espaço para aqueles que não são claros. Essas pessoas vivem em um ambiente tropical, e não é preciso de muito para perceber que onde há sol, houve uma adaptação da sua população a mais melanina, o que significa pele marrom. Teh é um garoto marrom, que não tem o privilégio de ser medíocre, por isso ele é excelente em tudo que faz. Em determinado ponto da série nos será dito como ele passava fome por que passava horas estudando, que sua cabeça martelava e ele chorava de dor, mas ele se dedicava apesar disso.

Eu acredito que, apesar de um ponto INDIRETO da narrativa, é totalmente proposital trabalhar este tema. O garoto nunca é escolhido, em seu lugar o garoto claro (Oh-aew) é escolhido para o papel, mesmo sem esforçar-se, mesmo apresentando-se mal, ele recebe novamente o papel, e não percebe o egoísmo. Quando ele cresce, ele acha injusto o amigo ser bom em tudo, e saber o que quer, mas ele não vê que o Teh cresceu com muita desvantagem em relação a ele, que Teh não tem uma família estruturada, não tem financiamento, não tem o privilégio de brincar no ensino médio e não dedicar-se e não estudar, e é claro, existem caso de pessoas que não conseguem estudar por falta de concentração, mas aqui, é explícito que não é o caso. Oh-aew não estuda por que não quer.

Se você assiste a essa série e não percebe um ponto tão crucial, você está perdendo metade da sua discussão. Sem querer dar spoiler dos últimos episódios, pois são acontecimentos de cair o queixo da falta de noção de algumas pessoas, de egoísmo, de também de imprudência de outras, e mesmo de hormônios à flor da pele e da falta de pensamento na tomada de decisões, mas vai acontecer algo que você se questiona: Uau, o Oh-aew não possuiu NEM UM PINGO de noção, de senso, de consciência de classe. Apesar do que seu amigo faz por ele, ele ainda sim é super egoísta e infantil.

 

 A série, claro, constrói para que nós perdoemos, as atitudes estúpidas que os dois tiveram, e o egoísmo e falta de consciência de Oh-aew, para que nos apaixonemos pela sensação positiva, o amor, mas é tão cruel. Para mim ficou extremamente difícil de engolir que alguém possa se odiar tanto ao ponto de aceitar a falta de compreensão da situação da outra. A série tenta nos convencer de que não há um problema, de que não precisamos nos preocupar, pois não é aprofundado, mas eu estou vendo um garoto pobre se envolver com um rico que não respeita a abnegação que o garoto pobre faz por ele. Eu estou vendo um garoto rico que repete seus erros e os justifica com sentimento, tadinho ele está magoado, é coração partido, porém isso definitivamente não é o que eu poderia chamar de amar alguém. Oh-aew ama a sensação de ter Teh com ele, pois ele lhe lembra aquilo tudo que ele sempre admirou, e deve sentir que é destino os dois estarem ali apesar de tudo, mas o destino tem nome, e é Teh. Teh perdoa tudo, abre mão de tudo, se ferra, e se desculpa, e se humilha e no fim ainda sai como culpado, tudo em nome de um sentimento reprimido que ele demorou demais para expressar, e apesar de tudo ele ainda ama Oh-aew e o perdoa. Isso é o destino agindo.


Eu não sei o que me espera na parte 2, mas eu definitivamente adoraria que fosse sobre Teh percebendo que Oh-aew foi uma paixão de infância mesmo. Que apesar do sentimento delicioso da autodescoberta, aquele rapaz não o ama, não um amor puro, um amor que compreenda, que abra mão, ele ama nas sensações simplistas que o amor permite, e é por isso que ele é frágil como uma rosa, frágil como uma flor de hibisco. 

 Duvido que seguirá por esse caminho. Acho que essas escolhas do criador da série foram propositais sim, devido à quantidade e dedicação para colocá-las na trama, mas que não impactarão diretamente nela em momento algum. Afinal segue sendo uma história de romance.

Apesar de tudo isso, é possível sim deixar toda a raiva de lado, ver Oh-aew como um adolescente que do topo de seu privilégio não enxerga as questões que contornam o mundo ao seu redor, e só está querendo viver aquela sensação que o amor causa no organismo. Se eu abrir mão de me incomodar com isso, se eu abraçar o romance, a história de amor... aaaaaaaaaa mas é tão difícil, isso me incomoda tanto. No fim, acho que mesmo que o criador da série quisesse que o público apenas se deliciasse com esse romancezinho slow burn, ele também é o responsável por provocar em nós essa sensação incômoda de que um dos dois rapazes está recebendo mais do que merecia. E o outro recebendo pouco, bem pouco e lidando com isso, afinal ele esteve a vida toda acostumado com pouco, então talvez o ponto seja que ele não percebe também quando se trata de amor.

 O final é fofo sim. E acho que apesar de a série não aprofundar no peso da temática de classe e racial, isso torna o clima da série direcional, ela quer que você pense mais no romance, se emocione com os diálogos emotivos relacionado ao amor. É bonito isso também. E como eu disse o autor é maluco, mas um gênio, e ele quer que você enlouqueça, digo isso por que o que ele fez em Gelboys é de matar qualquer um. Aqui ele ainda enlouquece os mais atentos, mas está mais focado em emocionar. E me emocionou. Saio positivo. Apesar de desejar que Teh se livre de Oh-aew, saio positivo.

 

(Ok, ok. Oh-aew não é todo esse vilão que pareceu pelo texto que eu fiz. Eu meio que acabei com ele o texto inteiro. Mas ele tem construções muito interessantes. Inclusive o fato dele se imaginar como uma mulher por que o Teh é "hétero", é uma sacada muito boa. Apesar disso, reforço: a série queria SIM nos incomodar com o recorte de classe, e é por isso que eu fico puto com o personagem do Oh-aew. E eu digo com certeza de que a série quer incomodar com o recorte de classe, baseado especialmente na cena do resultado do vestibular, onde Oh-aew está recebendo o dele numa praia de águas cristalinas, em um resort luxuoso, com os dois pais ao seu lado, enquanto Teh está com sua única mãe, em um restaurante simples, que está fechado e vazio.) 

O autor da série enquanto escrevia ela, e eu enquanto assistia.


 

Aki Sora ~ Sim, é uma publicação sobre hentai, mas é sobre o clima, calma.

 Aqui estou eu, pronto para falar muitas coisas comprometedoras. Estejam avisados, este é um post sobre um anime hentai de INCESTO. Recentem...